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Montespan, Mata Hari, Marlon Brando, Marilyn Monroe... o 'M' talvez seja a letra mais sedutora do alfabeto. Foi o caso, pelo menos, em setembro de 1992, quando Madonna encerrou o desfile de Jean Paul Gaultier, em Los Angeles, para a Fundação Americana de Pesquisa da AIDS (amfAR). Abrindo o paletó de abotoamento duplo para mais de 600 pessoas, a cantora revelou a nudez dos seios, emoldurados por alças ousadas presas à uma saia longa de cintura alta com padronagem risca de giz.

Quando protagonizou um dos topless mais icônicos das passarelas, a rainha do pop, que comemora 63 anos nesta segunda-feira, 16.08, não era inexperiente em escandalizar. Na década anterior, sua performance reveladora de Like a Virgin, no VMA de 1984 conquistou manchetes e rendeu milhões de cópias vendidas de seu álbum.

O mesmo ano marcou a estreia do clipe de Material Girl, em que a cantora assumiu o papel sedutor de Marilyn Monroe e, em 1985, suas primeiras fotos nuas foram publicadas. Confortável em explorar a sensualidade e sexualidade, sua presença na passarela de Gaultier em 1992 representou mais do que uma parceria profissional.

Com 40 anos, o estilista ainda era o enfant terrible de Paris. Vinte anos antes, ele deu os primeiros passos na moda com Pierre Cardin e Jean Patou. Desde então, já se mostrava entusiasmado com a ideia da sedução. Uma das grandes inspirações de Gaultier é a história do flerte passional entre a jovem Micheline (outro M de peso no imaginário de JPG) e o costureiro Philippe Clarence em Falbalas (1945), longa francês de Jacques Becker.

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A partir de 1976, após a abertura de sua própria marca, ele protagonizou uma ascensão ininterrupta. Nos anos 1980, introduziu os sutiãs-cone e as blusas com listras náuticas, as bretãs, dois elementos icônicos muito associados ao seu nome. A década também teria a presença de outros M's significativos em sua vida, entre eles um jovem Martin Margiela, então seu assistente. O outro foi Madonna.

Madonna e Jean Paul Gaultier no final do desfile da amfAR, em 1992. Madonna e Jean Paul Gaultier no final do desfile da amfAR, em 1992.Foto: Getty Images

Gaultier conheceu a cantora em 1987, após um show em Parc de Sceaux, na França. A atração foi mútua e imediata. Três anos depois, Madonna pediu ao estilista mais de 300 peças para usar durante a turnê Blond Ambition. Não foi nenhuma surpresa, portanto, quando a dupla surgiu de mãos dadas no Shrine Auditorium, em Los Angeles, em setembro de 1992, no fim da apresentação para a amfAR.

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Ao lado do fotógrafo Herb Ritts, Madonna era uma das anfitriãs do evento. Além dela, desfilaram as atrizes Faye Dunaway e Raquel Welch, os cantores Billy Idol e Patti LaBelle, e a terapeuta sexual Dra. Ruth Westheimer, vestida de enfermeira. O evento foi um sucesso e angariou mais de 700 mil dólares para pesquisas sobre a AIDS, que àquela altura já tomava vidas em ritmo acelerado. Entre elas, a de Francis Menuge, em 1990, companheiro e um dos M's importantes na vida de Gaultier.

Comparada a outras apresentações grandiosas na carreira de meio século do estilista, a de setembro de 1992 dificilmente se destaca como um grande espetáculo. Apesar do frenesi em torno dos seios de Madonna, é a simbiose precisa entre o costureiro e a estrela que faz do desfile um dos mais memoráveis.

A causa é igualmente importante para a lembrança do show no imaginário da moda. Depois do sucesso do topless filantrópico, Gaultier dedicou muitos outros desfiles às pesquisas sobre a AIDS, como em 1995, no Life Ball, em Viena, em um momento de medos e preconceitos sobre a doença.

Em suas contribuições geniais e geniosas para a moda, que transbordam personalidade, Jean Paul Gaultier encontrou uma forma de criar ícones com mensagens poderosas. Performática e decisiva, Madonna exala a mesma paixão pelo flerte entre significado, sensualidade e sexualidade. Em uniões como essas, o resultado é sempre digno de flashes e aplausos.

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