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Moda

Maria Grazia Chiuri: da dupla com Pierpaolo Piccioli à direção da Dior

A estilista italiana vem fazendo história como primeira mulher no comando criativo da Dior, misturando feminilidade com slogans feministas e atitudes coerentes com seu posicionamento. Antes disso, deixou sua marca na Fendi e na Valentino.

Foto: Getty Images
  • Maria Grazia Chiuri iniciou sua carreira de designer em uma pequena empresa de calçados.
  • Entre 1989 e 1999, atuou ao lado de Pierpaolo Piccioli desenvolvendo acessórios para a Fendi.
  • Na sequência, a dupla foi para a Valentino para projetar a primeira linha de acessórios da casa de luxo italiana.
  • Cerca de dez anos depois, os dois foram nomeados diretores criativos da maison.
  • Em 2016, Maria Grazia saiu de Roma para Paris para se tornar diretora criativa da Dior.
  • Acompanhe a sua trajetória a seguir.

A origem de Maria Grazia Chiuri

Filha de pai militar e mãe costureira, Maria Grazia Chiuri nasceu em 1964 em Roma – onde cresceu e passou a maior parte da sua carreira – e tinha cinco irmãs. “Cresci em uma família em que era normal trabalhar e pensar em si mesma e no seu futuro. Meus pais me forçaram a estudar muito, porque nunca tiveram essa oportunidade. Para eles, estudar era ser livre. Nunca senti que não poderia fazer algo por ser menina”, disse em entrevista à ELLE estadunidense.

Mesmo com essa cabeça liberal para a época, existiram conflitos em relação ao seu modo de vestir. Os pais de Maria Grazia costumavam insistir para que ela usasse roupas mais femininas, mas o que a adolescente curtia mesmo era comprar jaquetas militares em mercados de pulgas para usar com calça jeans.

Eles também tiveram dificuldade em enxergar o design de moda como uma carreira séria. Preferiam que ela estudasse algo mais tradicional e seguro, como medicina e direito. "Todo mundo achava que moda era um trabalho doméstico, não reconheciam como algo cultural e artístico", disse. De todo modo, conseguiu realizar o seu sonho e se especializou na área pelo Instituto Europeu de Design, em Roma.

Assim que se formou, começou a trabalhar para uma pequena empresa de calçados, para a surpresa de seus pais. "Eles disseram: 'ah, alguém te pagou pelos seus esboços?' Sim, eu encontrei alguém!", relembra na entrevista.

Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli na Fendi

Maria Grazia esteve envolvido na cria\u00e7\u00e3o de bolsas ic\u00f4nicas da Fendi nos anos 1990, como a Baguette

Maria Grazia esteve envolvido na criação de bolsas icônicas da Fendi nos anos 1990, como a Baguette

Foto: Divulgação

Maria Grazia conheceu Pierpaolo Piccioli nos anos 1980, por meio de um amigo em comum. Com interesses e estilos alinhados, ao ser chamada para trabalhar no departamento de acessórios da Fendi, fez questão de que ele também fosse contratado, dando início, em 1989, a uma parceria criativa que duraria quase três décadas.

Os dois apostavam na sofisticação e no estilo na contramão da tendência minimalista que dominou a década de 1990. Ambos participaram ativamente da criação de bolsas que se tornaram icônicas, como a Baguette.

Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli na Valentino

Pierpaolo e Maria Grazia dividiram a dire\u00e7\u00e3o criativa da Valentino por quase duas d\u00e9cadas

Pierpaolo e Maria Grazia dividiram a direção criativa da Valentino por quase duas décadas

Foto: Pascal Le Segretain / Equipe

Em 1999, Maria Grazia foi para a Valentino e, mais uma vez, incluiu seu parceiro à bordo. Os dois foram contratados com o objetivo de desenvolver a primeira linha de acessórios da casa italiana. O desafio era traduzir em bolsas, sapatos e óculos a essência da maison, fundamentada em décadas de tradição com vestidos de alta costura.

Deu certo. Em 2003, a dupla se tornou responsável pela linha Red Valentino e, tempos depois, passaram a supervisionar toda a linha de acessórios da empresa. Até que, após a aposentadoria do Valentino Garavani, fundador do negócio, e um ano de mandato de Alessandra Facchinetti, os dois assumiram a direção criativa da etiqueta, em 2008.

A escolha de Pierpaolo e Maria Grazia foi certeira. Eles injetaram uma nova dose de energia criativa na marca, trazendo frescor e juventude ao estilo opulento e feminino que sempre a definiu. Também revitalizaram a linha masculina e expandiram a divisão de acessórios, tornando-a blockbuster sob a liderança da linha Rockstud, com as famosas tachinhas.

Em 2015, os dois receberam o Prêmio Internacional do CFDA Awards. No ano seguinte, Maria Grazia Chiuri foi nomeada diretora criativa da Dior, deixando Pierpaolo voar solo na direção artística da Valentino. “Depois de 25 anos de parceria criativa e satisfações profissionais, estamos nos dando a oportunidade de continuar nossos caminhos artísticos de uma forma individual com o desejo recíproco de grandes realizações”, disseram em comunicado oficial.

Maria Grazia Chiuri na Dior

O desfile de estreia de Maria Grazia na Dior foi na Semana de Moda de Paris verão 2017

Foto: Estrop / Getty Images


Em julho de 2016, quase nove meses após Raf Simons deixar o cargo de diretor artístico da Dior, Maria Grazia foi anunciada como sua sucessora. Em sete décadas de história, a grife francesa só havia sido liderada por estilistas homens (Christian Dior, Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Gianfranco Ferré, John Galliano, Bill Gaytten e Raf Simons), e a italiana foi recebida com grande entusiasmo como primeira mulher no cargo.

Pela primeira vez, ela deixou Roma em nome do trabalho e se mudou para Paris, para assumir um dos cargos mais poderosos da moda global. Sob seu comando, a Dior foi tomando uma direção mais jovem, porém sempre respeitando a sua luxuosa herança. Em entrevistas, a estilista conta que seu papel é semelhante ao de uma curadora. Ela vasculha tesouros no rico legado da casa francesa e se esforça para levá-la adiante, em direção ao futuro, com seu tempero.

Desde a sua estreia na Semana de Moda de Paris, em setembro de 2016, Maria Grazia inclui camisetas e suéteres com slogans que promovem os direitos das mulheres, a liberdade e a independência na maioria das suas coleções prêt-à-porter. A frase “We should all be feminists” ("devemos ser todos feministas", em português), da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, foi a primeira a ter esse destaque.

Seu primeiro movimento na grife foi contratar fotógrafas. Segundo ela, as campanhas de moda são feitas principalmente por fotógrafos homens e a forma como mulheres olham para outras mulheres é completamente diferente. "Se a Dior tem que falar sobre feminilidade, quero contratar mulheres para olhar a feminilidade", disse.

A estilista avalia em entrevistas que a nova geração levantou grandes questões sobre gênero, raça, meio ambiente e cultura que precisam ser refletidas na moda – esse é um momento de mudança e os designers tem que levar isso em consideração. Maria Grazia vem fazendo a sua parte.

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