Paris Fashion Week: Dries Van Noten, inverno 2025
Estreia de Julian Klausner na direção criativa da Dries Van Noten preserva a mistura têxtil do fundador e avança na linguagem expressiva do moulage.

O designer belga Julian Klausner, 33 anos, apresentou sua primeira coleção como diretor criativo da Dries Van Noten nesta quarta-feira (05.03), com um desfile na Opéra Garnier, durante a semana de moda de Paris de inverno 2025.
Dries Van Noten, inverno 2025. Foto: Getty Images
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Julian trabalhou com Dries de 2018, gerenciando a equipe de design das coleções femininas, até a aposentadoria do fundador da casa em março passado. Ele foi nomeado seu sucessor em dezembro de 2024 (agora, assina também as coleções masculinas).
A reunião em um mesmo look, muitas vezes até em uma mesma peça, de cores, tecidos e padronagens diversas mostra continuidade do estilo, ou pelo menos de códigos essenciais. Pense em couro de crocodilo, paetês, veludo devorê, jacquard, poá, lã (só para citar alguns elementos) misturados, sobrepostos, acumulados, formando um conjunto visual rico, que lembra os tons e texturas de uma casa ultradecorada com móveis garimpados mundo afora – especialmente em países do Oriente.
Dries Van Noten, inverno 2025. Foto: Getty Images
Dries Van Noten, inverno 2025. Foto: Getty Images
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A equação não é simples. Precisa de um bom tino para controlar a paleta de cores, as texturas, os caimentos com gramaturas variadas. Dries era referência nisso tudo, com uma sensibilidade ímpar para reunir materiais diversos nas roupas, assim como alguém cria um arranjo de flores complexo.
Julian Klausner diz ser menos apegado ao universo da jardinagem. Sua paixão está mais conectada ao teatro, à dança, à ópera (match perfeito para a locação de sua estreia). Na prática, esse gosto é traduzido em tons marrons, laranjas, verdes e azuis profundos, decorados com tassels de cores empoeiradas e estampas de tapeçaria.
Dries Van Noten, inverno 2025. Foto: Getty Images
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Seu olhar, embora reverencial e respeitoso, não é preso ao passado e a signos pré-estabelecidos. Julian deixa sua marca ao trabalhar o interesse pela roupa de palco ao lado de conjuntos de alfaiataria mais estruturados e moulage. Os vestidos soltos e os tops transpassados são usados como lenços em volta do corpo. As camisas com golas caídas, que revelam um busto drapeado, e as barras das saias em ondas estruturadas como pétalas, geram um toque expressivo, quase rebelde – vale dizer que Julian trabalhou com John Galliano na Maison Margiela, depois de se formar em moda na La Cambre, em Bruxelas.
No styling, despretensiosamente arranjado, as lapelas dos ternos ficam levantadas e o corset de couro, alinhavado com uma espécie de cadarço, marca a cintura. O corset, aliás, tem um quê artesanal, assim como os acessórios com fios soltos e franjas, meio macramê.
Se a tarefa de assumir o posto do próprio mestre bota medo e o crescimento registrado pela empresa em 2024 (segundo o relatório anual do grupo Puig, do qual a grife faz parte desde 2018) joga a expectativa de sucesso lá em cima, mostrar um pouco de personalidade também diferencia um designer dentro de uma temporada tão homogênea. E isso é de se admirar.
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