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Há uma narrativa comum sobre a infância e adolescência dos estilistas. Frequentemente, se conta que eles cresceram debruçados sobre revistas de moda, vasculhando os armários das mães e personalizando as próprias roupas. Peter Do, porém, não é um desses. Criado pela avó em uma fazenda no sul do Vietnã, o designer, hoje com 30 anos, possuía no máximo dez peças, todas de segunda mão. Na época, claro, não era sobre essencialismo mas, agora, é assim que o ressignifica.

É isso que Do conta em uma carta escrita à mão e entregue aos convidados de sua aguardada estreia na semana de moda nova-iorquina. Embora tenha estabelecido a sua posição na indústria logo cedo, por muitos anos, ele operou silenciosamente, renunciando muitos dos emblemas habituais de chegada, negando entrevistas e escondendo o seu rosto. Ele costumava defender que nem toda coleção precisa de uma passarela. Para o verão 2022, no entanto, parece ter agregado.

Nesta temporada, a marca voltou a sua primeira coleção. Ela havia sido inspirada em uma série de retratos chamada Small Trades, de Irving Penn. As imagens exibiam comerciantes em suas roupas de trabalho, o que poderia soar um tanto banal para alguns, mas para o estilista dizia muito mais. É que muito de seu tempo é dedicado ao esforço de criar uniformes a partir de influências da sua herança vietmanita, e a obra em questão o lembrava disso.

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A ênfase da nova coleção se mantém em linhas longas e retas, sobreposição de camadas e uma alfaiataria fina, fluida e bastante desejável no momento. O apelo sexy aparece de forma mais visceral. Se antes era explorado a partir de elementos não óbvios, como decotes quadrados ou assimetrias, agora, Peter parte para decotes profundos e fendas, o que em nada compromete a praticidade e elegância das peças. Elas podem facilmente ir de um ambiente profissional a um grande evento, sendo muitas vezes usadas por mulheres mais velhas que, embora estejam sendo apagadas por algumas etiquetas, são as principais clientes da moda de luxo.

À medida que domina a manipulação de tecidos, o designer apresenta ainda uma oferta mais suave de lãs e plissados, algo importante para a experiência sensorial que promete proporcionar. As excentricidades úteis também merecem destaque: havia bolsos em quase tudo e nada existia sem motivo. Isso se deve um pouco àquela perspectiva masculina materializada em silhuetas femininas.

Voltar a coleções anteriores não é algo exatamente novo para a etiqueta. É até difícil perceber divisões entre elas, na verdade ela são quase como evoluções de uma história contínua. Peter não desenha, apenas imagina a imagem de uma mulher, pensa em qual roupa ela vestiria e já parte para a prática. Essa é uma forma de trabalhar que aprendeu com Phoebe Philo em sua passagem de dois anos pela Céline (na época, ainda com acento).

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Quando apareceu com a sua marca homônima, em 2018, Peter Do ocupou parte da lacuna deixada pela designer britânica. Acontece que a ideia da elegância cotidiana e essencialismo atemporal elevada por Phoebe se mistura com a praticidade resoluta do guarda-roupa vietnamita. O resultado disso são peças impactantes, mas fáceis de usar, um equilíbrio nem sempre simples de ser alcançado.

Enquanto se distancia dos ideais europeus, o uniforme do estilista apresenta soluções na mesma medida que reverencia quem veio antes dele. A sua avó levou Peter ao clássico áo dài, traje típico vietnamita, inspirando os abotoamentos laterais. Já uma fotografia de sua mãe e de seu pai segurando uma rosa foi a responsável pela referência dos bordados vistos nas peças finais. Pouco a pouco, Peter Do se afasta das comparações feitas no início de sua carreira e escreve a sua história com o próprio nome.

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