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A sensação de sair de uma festa já com o sol raiado e o vento frio da manhã na cara é algo que há tempos não acontece – e motivo de saudades. Às vezes, parecia que o mundo (e não a festa) tinha acabado do nada. Desnorteio total e aquela tentativa de um caminhar desequilibrado de volta para casa ou para realidade. Numa versão bem mais glamourosa, foram essas algumas das memórias desencadeadas pelo inverno 2021 da Saint Laurent, apresentado em vídeo nesta quarta-feira, 28.04.

Não por acaso, uma das principais referências da coleção é Peaches, diva do underground e do electroclash. Fãs da cantora canadense radicada em Berlim vão reconhecer facilmente a origem dos bodies cavados em tons metalizados. Tudo bem que eles aparecem em interpretação 100% deluxe, combinados a tailleurs 60's de tweed, mules com biqueiras de metal e mais um tanto de bijoux e jóias.



A imagem (apesar de absurda, dado o frio que as modelos devem ter passado na gravação) é uma das mais interessantes já apresentadas pelo diretor criativo Anthony Vaccarello ao longo dos seus cinco anos na maison. Explico: desde o verão passado, aquele desfilado em cima de dunas, o estilista fala de um vestir não exatamente escapista tampouco conformista.

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As modelagens se assemelham (de longe) àquelas dos básicos que viraram uniforme pandêmico. O styling também remete a alguns recursos comumente usados dentro de casa (a arrumação da cintura para cima, por exemplo). Ao mesmo tempo, cores, tecidos e silhuetas expressam a vontade bem atual de se produzir com rigor, sofisticação, exuberância e sensualidade.

A coleção ainda é carregada de referências ao legado de Yves Saint Laurent, ao estilo de Vaccarello e a algumas das principais tendências do momento. Começando pelo fundador da marca, podemos falar das cores. Yves é reconhecido como exímio colorista, enquanto o atual estilista é mais chegado à neutralidade do petro e branco. Desta vez, porém, chama a atenção a combinação de cores. São tonalidades amadas pelo couturier, porém trabalhadas de forma coordenada (ele preferia looks monocromáticos).


Os terninhos que compõem boa parte do inverno 2021, são releituras de modelos criados nos anos 1960. A diferença vem nos comprimentos – as jaquetas e saias (curtíssimas, afinal são criações de Vaccarello) têm barras niveladas. Os materiais também sugerem alguma inovação, principalmente quando entram em cena os couros metalizados. O mesmo vale para os cortes abreviados de peças brocadas ou superdecoradas.

A silhueta cropped, com cintura baixa e comprimento mini, tem a ver com a atual obsessão com a moda dos anos 2000 – os cintinhos brilhantes e de corrente que o digam. Enquanto muita marca se rende às paixonites da Geração Z de maneira bastante desconsiderada, vemos aqui uma maneira mais consistente e alinhada de abordar os desejos de agora. Tudo se conecta à identidade da grife e/ou seu estilista.

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E, para terminar, não custa lembrar que o sucesso Peaches estourou na virada do milênio. Seu estilo messy-chic incorporava bem algumas das principais características da moda daquela época: o não compromisso com nada e a total confusão e mistura de elementos de diferentes estilos e períodos históricos. Qualquer semelhança com o que foi desfilado não é mera coincidência.




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