Não suporta sapatilhas? Tudo bem, mas já experimentou essas novas versões?

Já faz algum tempo que os modelos tipo sapato de balé voltaram às passarelas e ao guarda-roupa de muita gente. Agora, marcas nacionais e internacionais apostam em designs nada clássicos.


Sapatilha vazada da marca Maison Alaïa.
Maison Alaïa. Foto: Divulgação



Era final de 2021 quando membros da geração Z foram às redes sociais para declarar horror às sapatilhas. O sapato, assim como a calça skinny, emojis e Harry Potter, entrou para a lista de itens considerados vergonhosos por alguns GenZs. Mas nada mais jovem do que mudar de ideia, não é mesmo?

No inverno 2022 da Miu Miu, Miuccia Prada apresentou sapatilhas até que bem tradicionais, com tecido acetinado, faixa elástica sobre o peito do pé e laçinhos no bico. Virou hit antes mesmo da última modelo sair da passarela. 

No mesmo ano, o balletcore – que tem a sapatilha como símbolo principal – estabelecia seu reinado. Na data de publicação desta matéria, vídeos com o termo, que engloba toda uma estética inspirada nas bailarinas, totalizavam mais de 800 milhões de visualizações no Tik Tok.

Ainda assim, tem que não goste mesmo do calçado. E ponto. E tudo bem também. A boa notícia é que tem marcas – muitas delas nacionais – apostando em modelos bem diferentes daquele estilo boneca com bico arredondado.

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Novidades de Sandy Liang, à esquerda, e da Maison Alaïa, à direita. Foto: Instagram/@sandyliang/@maisonalaia

A Sandy Ling, por exemplo, lançou uma sapatilha de telinha e bico quadrado. Mas sucesso absoluto mesmo é a versão toda de rede tramada da Maison Alaïa. O modelo da etiqueta francesa, aliás, entrou recentemente para o top 10 das peças mais buscadas no último trimestre segundo ranking da plataforma de pesquisa e e-commerce de moda Lyst. Hit inegável.

Por aqui, telas translúcidas colorem o último lançamento da Manolita. “Trouxemos essa tendência para a mary jane Ballerine, um dos nossos carros-chefe. É sua evolução para o verão, mais leve e clean”, diz Débora Leal, criadora da etiqueta focada em flats.  

A escolha por materiais respiráveis, recortados ou transparentes não é única opção para quem quer distância da sapatilha tradicional. O formato alongado, que cobre mais o peito do pé e tem as laterais mais altas, é outra peculiaridade bem interessante entre as novidades. 

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Mary Jane Ballerine da Manolita, à esquerda, e sapatilha Greta da Botti, à direita Foto: Divulgação

Esse molde aparece no modelo Greta, da Botti. “Ele traz uma biqueira que não é exatamente redonda nem fina, e é sempre composto de duas ou mais cores. Na maioria das vezes, elas vêm trocadas em cada pé”, comenta a fundadora Bruna Botti.

Um estilo similar é o babouche Tressê, de Sarah Chofakian, lançado em 2020. “Ele é parte de uma coleção divulgada em uma época em que só queríamos conforto, porque estávamos todos em casa”, recorda a designer que dá nome à marca. “Por isso, o fizemos todo maleável e elástico. Bem fácil de calçar.”

No ano seguinte, com o afrouxamento das medidas de isolamento, Chofakian propôs uma versão mais estruturada e formal. Nascia assim a sapatilha Mykonos, também com tressê manual. Além do design inovador, o conforto é apontado como outro ponto importante para aproximar quem não é assim tão chegado ao calçado em seu formato tradicional.

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“Tinha uma memória da sapatilha como um sapato desconfortável”, fala Patricia Giufrida, nome por trás da Pége. “Lembro de machucar o calcanhar e as laterais dos dedos, sempre precisava colocar band-aid, sabe?”

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Sapatilha Mykonos da Sarah Chofakian, à esquerda, e o modelo Pina da Pége, à direita. Foto: Divulgação

Em função disso, as sapatilhas da casa são todas estofadas na parte traseira. “E a maioria é mole, sem nenhum tipo de revestimento interno, então se adapta bem ao formato do pé. Parece uma meinha”, continua ela. Os mesmos artifícios também são usados pelas outras etiquetas nacionais citadas na matéria. 

Apesar da aversão inicial (“inclusive por parte dos clientes mais próximos”, confessa Patricia), hoje as sapatilhas compõem boa parte do portfólio da Pége. Os destaques vão para a “primogênita” Pina, com sua ponta quadrada, e para a Pina Mary Jane, no mesmo formato, porém com tiras com lacinhos. E tem Chuteira Maria, que pode alegrar os donos de guarda-roupas descontraídos e esportivos. “É a minha preferida no momento. Uma junção do sapato de futebol com o de balé”, comenta a designer e fundadora.

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Se você se interessou ou já deicidiu que, sim, essa tendência é para você, pedimos para nossas entrevistadas algumas sugestões de como usar os novos modelos. Olha só: 

Sapatilha com alfaiataria

“Se uso um look considerado mais masculino, gosto de quebrar com um sapato bem feminino. Acho interessante essa mistura de estilos”, diz Sarah Chofakian. A dica vale para um look completo de alfaiataria, ou algum com incorporações pontuais do blazer ou calça social. 

Sapatilha no look esportivo

Essa quebra de expectativa funciona bem em visuais mais esportivos. “Adoro pôr a sapatilha em um look inteiro de moletom, porque tira a coisa boneca da sapatilha”, opina Patricia. Mas o moletom é só um exemplo: calças cargo, blusas de time e shorts biker são outras peças que ganham outra cara com a incorporação do sapato.

Sapatilha com meia

Durante o inverno, Bruna Botti e Débora Leal adoram combinar a sandália com uma boa e velha meia-calça preta. “Também gosto das mais marcantes, tipo arrastão ou colorida, que deixam o look mais cool”, comenta Bruna. Meias esportivas, mais curtas, são indicadas por Patricia, da Pége: “Fica legal porque você quebra a aura clássica da sapatilha.”

Sapatilha como ponto de foco

“Uso sapatilha o tempo inteiro, mas para sair à noite gosto de colocar uma colorida para ter um ponto de contraste”, comenta Débora Leal, a fundadora da Manolita. Se você quiser inovar ainda mais, vale seguir a dica de Bruna e combinar sapatos de diferentes cores. “Adoro um bicolor trocado”, comenta ela. 

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