• ASSINE NOSSA NEWSLETTER
  • O melhor da ELLE direto no seu inbox! Inscreva-se gratuitamente.
  • INSCREVA-SE AQUI
Moda

A trajetória de Tom Ford, o estilista que revolucionou o mercado de luxo

Com campanhas publicitárias polêmicas e looks retrôs que emanavam pompa e sexualidade, o designer estadunidense foi responsável pela reinvenção da Gucci na década de 1990 e atualmente é presidente do CFDA.

Foto: Gilbert Carrasquillo / Getty Images
  • Tom Ford estudou história da arte e arquitetura antes de embarcar na moda.
  • Conseguiu seu primeiro emprego como designer após ligar insistentemente para o escritório da designer de sportswear Cathy Hardwick.
  • Em 1994, assumiu a direção criativa da Gucci, recuperando o prestígio da casa de luxo de forma magistral.
  • Deixou a grife italiana dez anos depois, com ela avaliada em 10 bilhões de dólares.
  • Fundou sua marca homônima em 2005, começando com uma linha de óculos e uma fragrância.
  • Também atua como cineasta em filmes de prestígio.
  • Acompanhe a sua trajetória abaixo.

A origem de Tom Ford

Filho de corretores imobiliários, Thomas Carlyle Ford, o Tom Ford, nasceu em 27 de agosto de 1918 na cidade de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos. Seus pais eram corretores imobiliários e grande parte da sua infância foi passada no rancho de seus avós, no interior do estado, curtindo a piscina. Na adolescência, sua família se mudou para Santa Fé, no Novo México, onde cursou o ensino médio em uma escola de prestígio.

Em 1979, entrou para a Universidade de Nova York para se especializar em história da arte, mas largou o curso um ano depois. Nesse período, chegou a frequentar a badalada boate Studio 54 à convite de Andy Warhol, que conheceu em uma outra festa, tendo ali um primeiro vislumbre do que a indústria da moda tinha a oferecer.

Na sequência, passou um tempo em Los Angeles trabalhando como ator de comerciais, até que retornou a Nova York para estudar arquitetura na Parsons School of Design. Antes de se formar, Ford passou um tempo em Paris, onde estagiou na área de comunicação da Chloé e decidiu, enfim, focar na carreira de estilista. Ele conta em entrevistas que um belo dia percebeu que arquitetura era séria demais e que a moda era o equilíbrio certo entre arte e comércio.

Os primeiros passos na moda

Quando se formou, em 1985, tentou mostrar seus desenhos a vários estilistas até que descobriu sobre uma oportunidade para trabalhar com a proeminente designer Cathy Hardwick – e passou um mês ligando para o escritório dela a fim de conseguir uma entrevista. A insistência deu certo. Mesmo sem experiência, o jovem Tom Ford foi contratado como assistente criativo da marca.

Dois anos depois, foi trabalhar para a Perry Ellis como designer de jeans, ficando por lá mais dois anos. Ao sentir que a moda estadunidense estava inibindo sua criatividade, decidiu que era a hora de voltar para Europa e melhorar as suas habilidades. Mudou-se junto com o companheiro Richard Buckley, jornalista que conheceu nos tempos de Cathy Hardwick.

Tom Ford e o ressurgimento da Gucci

Em 1990, Tom Ford passou a viver na Itália e deu início à sua carreira na Gucci após ser contratado pela então diretora criativa Dawn Melo como designer de prêt-à-porter feminino. A tradicional empresa familiar vivia um momento complicado devido a brigas internas de administração, o polêmico assassinato do seu herdeiro e a dificuldades em acompanhar as tendências de mercado.

O estilista rapidamente ascendeu lá dentro. Em 1992, foi nomeado diretor de design e, dois anos depois, assumiu a direção criativa, promovendo a extraordinária virada responsável por recuperar a relevância da Gucci. Ele simplificou sua identidade, substituiu o minimalismo do início dos anos 1990 por looks retrô atualizados, que exalavam sexo e sensualidade, restaurando a opulência e o desejo em torno do nome.

Ford apresentou camisetas justíssimas de cetim, peças de veludo à la Halston, botas metálicas de cores diversas. Colocou o vestido colado no corpo, o cós baixíssimo, o salto agulha vertiginoso – elementos que não se viam em nenhuma outra etiqueta – de volta ao topo da lista de desejos.

Sua carreira decolou principalmente após vestir Madonna com uma camisa de cetim azul esverdeado e calça de veludo para o MTV Video Music Awards de 1995. No mesmo ano, recebeu o seu primeiro CFDA (Council of Fashion Designers of America's) – de cinco que viria a ganhar ao longo dos anos.

\u200bMadonna vestiu camisa Gucci assinada por Tom Ford para o MTV Video Music Awards de1995

Madonna vestiu camisa Gucci assinada por Tom Ford para o MTV Video Music Awards de1995

Foto: Kevin.Mazur / Getty Images

Nesse período, contratou a stylist francesa Carine Roitfeld e o fotógrafo Mario Testino para criar uma imagem nova e moderna para as campanhas publicitárias da Gucci. A estética que criaram, incluindo roupas, modelos, cabelo e maquiagem, serviram como uma referência para toda a indústria.

A parceria com Testino resultou em campanhas publicitárias que ficaram na memória – para o bem e para o mal. Em uma das imagens mais simbólicas, desenhou o logo da maison nos pelos pubianos da modelo Carmen Kass. Em outra foto com ela, bastante problemática, colocou o modelo Adam Senn batendo no seu bumbum.

Tom Ford ainda expandiu a empresa para uma série de novos empreendimentos – incluindo roupas esportivas, looks formais e artigos de decoração. A popularidade do estilista se refletia no interesse pela Gucci e nos números de vendas. Em 1999, a empresa, que estava quase falindo quando o estilista estadunidense chegou, era avaliada em 4,3 bilhões de dólares, tornando-se uma das maiores e mais lucrativas marcas de luxo do mundo.

Sob sua liderança, criou o grupo Gucci e adquiriu a Yves Saint Laurent, onde passou a atuar como diretor de criação e de comunicação em paralelo com seu trabalho na etiqueta italiana. Sergio Rossi, Bottega Veneta e Balenciaga também foram adicionadas à companhia durante a sua gestão.

Depois que a multinacional francesa Pinault Printemps Redoute (agora Kering) comprou o grupo Gucci em 2004, Ford pediu demissão por desavenças criativas – juntamente com o CEO Domenico de Sole. Naquele momento, a casa era avaliada em 10 bilhões de dólares.

\u200bGwyneth Paltrow na premia\u00e7\u00e3o da MTV com terninho Gucci de veludo criado por Tom Ford

Gwyneth Paltrow na premiação da MTV com terninho Gucci de veludo criado por Tom Ford em 1996

Kevin.Mazur/ Getty Images

A marca Tom Ford

\u200bGigi Hadid desfila pela Tom Ford na Semana de Moda de Nova York em 2021

Gigi Hadid desfila pela Tom Ford na Semana de Moda de Nova York em 2021

Foto: JP Yim / Getty Images

É claro que a essa altura Tom Ford já era uma lenda no mercado de luxo – e não ficou muito tempo afastado. Em abril de 2005, anunciou a criação de uma marca homônima. Domenico de Sole, ex-CEO da Gucci, assumiu o posto de presidente.

No mesmo ano, desenvolveu uma linha de óculos em parceria com o grupo Marcolin, lançou a Tom Ford Beauty e apresentou uma fragrância junto ao grupo Esteé Lauder. Em 2006, fechou parceria com a Ermenegildo Zegna (uma importante fornecedora de tecidos para alfaiataria) para desenvolver a sua primeira coleção masculina de luxo, incluindo ternos, sapatos e acessórios. Como reflexo do sucesso, abriu uma flagship store de dois andares na Madison Avenue, em Nova York.

Não demorou a vir a expansão internacional, com unidades da Tom Ford no Havaí, Los Angeles, Londres, Milão, Tokyo e Dubai. A coleção feminina veio em setembro de 2010, com apresentação intimista na loja para convidados ilustres como Beyoncé Knowles e Lauren Hutton. No ano seguinte, se apresentou na semana de moda de Londres, mas de forma privada em um showroom. Só em 2013, aderiu ao calendário oficial do evento.

As polêmicas seguiram dando o tom das campanhas publicitárias, com mulheres nuas em imagens sexualizadas. A Itália chegou a proibir a vinculação de alguns anúncios. Em resposta às criticas, Ford chegou a dizer que é feliz em objetificar homens e mulheres na mesma medida, mas que a sociedade impede que a nudez masculina circule como a feminina.

A Tom Ford Beauty lançou sua primeira coleção de cosméticos em 2011 e abriu sua primeira loja em 2017, em Londres. A marca atualmente conta com um portfólio amplo de fragrâncias, produtos para preparação de pele, maquiagem para os olhos e lábios, além de produtos pensados para os homens. A linha de batons Boys & Girls é um dos destaques. Cada um leva o nome de um dos amigos do designer, 50 mulheres e 50 homens. A ideia é que eles sejam utilizados por todos, independentemente do gênero.

Tom Ford como cineasta

O filme Animais Noturnos \u00e9 o segundo dirigido por Tom Ford\u200b

O filme "Animais Noturnos" é o segundo dirigido por Tom Ford

Foto: Reprodução

O trabalho artístico de Tom Ford vai além do design: ele também é cineasta. Em março de 2005, anunciou o lançamento da sua própria produtora de filmes, a Fade to Black. Sua estreia como diretor e co-roteirista foi em 2009, com o longa A Single Man, baseado no romance de mesmo nome de Christopher Isherwood, de 1964.

Colin Firth vive o protagonista George Falconer, um professor universitário de meia-idade que pensa em suicídio após a morte do seu amante. A história se passa nos anos 1960, e os elementos visuais foram criados pela mesma equipe de Mad Man, aclamada série ambientada na mesma época. Julianne Moore, Nicholas Hoult e Matthew Good também estão no elenco.

O próprio Tom Ford financiou o filme, que foi bem recebido pela crítica. A Single Man foi indicado ao Leão de Ouro na 66º Festival Internacional de Cinema de Veneza, recebeu o grande prêmio do Sindicato de Críticos de Cinema da Bélgica, o GLAAD Media de melhor filme com lançamento amplo e foi nomeado o filme do ano pelo American Film Institute. Colin Firth recebeu o BAFTA de melhor ator em cinema e foi indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao SAG Awards por sua atuação. Julianne Moore foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante.

Em 2016, lançou seu segundo filme, Animais Noturnos – novamente como diretor, roteirista e produtor. Baseado no romance Tony and Susan, de Austin Wright, de 1993, que conta a história de uma mulher infeliz com suas escolhas, que sofre de insônia crônica e recebe um livro de autoria do ex-marido, com quem teve uma paixão não superada. Os dois enredos são contados paralelamente para o espectador, mas acabam se entrelaçando em uma espécie de metalinguagem.

Amy Adams e Jake Gyllenhaal estrelam o filme, que deu a Tom Ford o grande prêmio do juri na 73ª edição do Festival de Cinema de Veneza. Ele também venceu como diretor revelação no Hollywood Film Awards. O longa também teve indicações ao Oscar e ao Critics'Choice Awards, entre outras premiações.

Tom Ford atualmente

Vencedor de cinco prêmios CFDA, Ford foi anunciado presidente da associação em 2019, ao lado de Steven Kolb, sucedendo Diane von Furstenberg que ficou no cargo por 13 anos. Em 2020, CaSandra Diggs passou a dividir a direção com eles. Nesse papel, ele teve que ajudar os membros da organização a enfrentar o caos da pandemia.

O designer e cineasta se casou com Richard Buckley em 2014, após 27 anos de relacionamento. Os dois são pais de Alexander John "Jack" Buckley Ford, nascido em 2012 pelo processo de barriga de aluguel. Buckley faleceu em setembro deste ano de causas naturais após um câncer de garganta prolongado. Ford atualmente vive com o filho pequeno em endereços em Londres, Los Angeles e Santa Fé.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos
ASSINE A ELLE

A ELLE Brasil utiliza cookies próprios e de terceiros com fins analíticos e para personalizar o conteúdo do site e anúncios. Ao continuar a navegação no nosso site você aceita a coleta de cookies, nos termos da nossa Política de Privacidade.

Assine nossa newsletter

Doses Semanais de moda, beleza, cultura e lifestyle, além, é claro, de todas as novidades e lançamentos da ELLE no seu inbox.
Increva-se gratuitamente.