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Durante a temporada de resort 2022, Maria Grazia Chiuri levou a Dior ao berço dos esportes, o Estádio Panatenaico, em Atenas, onde os gregos antigos costumavam se exercitar. Enquanto a silhueta de cada modelo lançava uma sombra pelas pedras desgastadas do local, a etiqueta apresentava uma coleção que unia as propriedades técnicas da moda esportiva ao artesanato meticuloso dos ateliês da maison.

“Eu venho da Roma. Ao meu redor, a referência da Grécia está em toda parte, em cada estátua. É o meu passado”, afirmou a diretora criativa, em entrevista ao WWD. Isso explica os elementos de athleisure e os tênis futuristas combinados a versões atualizadas do peplos, um manto tradicionalmente usado por mulheres ainda nos tempos antes de Cristo. O pedaço de tecido, que costumava ser preso por alfinetes no ombro, é quase como a mãe de todos os vestidos.

Embora não seja o que Maria Grazia faça de melhor, a peça tem sido uma constante em seu trabalho à frente da Dior. Mas foi só ali, no Estádio Panatenaico, que a estilista parece ter encontrado o palco ideal para examinar a ideia, tornando mais fácil compreender os motivos de sua obsessão. Não de hoje, as mulheres da Grécia Antiga são um objeto de estudo importante nos campos criativos, em especial na arte e na literatura. A maioria das representações, no entanto, foi concebida por homens. Daí a insistência de Chiuri.

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Foto: Divulgação

Loewe, verão 2022.


Coincidência ou não, desde que a designer passou a repetir longos vestidos gregos em cada uma de suas coleções, eles parecem ter tomado todas as passarelas. Observe a temporada de verão 2022. Na Loewe, linhas fluidas caiam desordenadamente sob os corpos. Em Thom Browne, houve triunfos trompe l’oeil (aquela técnicaque cria uma ilusão de ótica a partir dos artifícios de perspectiva) inspirados em estátuas. Em Rick Owens, a própria Afrodite foi canalizada.

Enquanto isso, na esfera pop, Lizzo não fazia muito diferente. “Parece uma deusa”, publicou um tabloide, em dezembro, para comentar um visual escolhido pela artista. No caso, ela usava um conjunto da Di Petsa, feito exclusivamente para ela. O espartilho branco franzido e a saia longa semitransparente possuíam um aspecto molhado, como se estivessem encharcados. O tal do wet look não é uma novidade para a marca, sua assinatura.

“Tinha essa visão de mulheres aceitando completamente seus corpos molhados”, afirmou a fundadora Dimitra Petsa, em entrevista ao volume 06 da ELLE impressa. Criada em Atenas por uma avó que dirigia uma escola de alfaiataria, a estilista parece conter o mesmo nível de paixão e fúria de seus vestidos. A prova não está apenas na maneira sensível como suas peças deslizam pelos quadris e se aculumam ao redor do chão, mas também nas muitas mulheres gregas que trabalham com ela e ajudam a tornar real a sua visão.

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Vestido longo branco com aspecto molhado. Di Petsa, inverno 2021.Foto: Louiza Vradi

A ideia inicial por trás de seus wet looks vem de uma conexão com o mar, mas fala também sobre alguns preconceitos com fluidos corporais, como suor, lágrimas, leite materno e menstruação. Segundo a estilista, ainda há muito tabu em relação a esses líquidos e uma constante necessidade de escondê-los. "Trabalhei, então, com essa técnica, que faz você parecer molhada quando, na verdade, está seca", disse.

É esse sentimento de vergonha que Dimitra pretende desestigmatizar através dos meus designs. E tem conseguido. Vestindo nomes como Bella Hadid, Doja Cat e Megan Fox, ela se preocupa menos com os conflitos do homem mítico e mais com as sereias que encontra pelo caminho. Em suas coleções, há algo sobre a liberdade do próprio prazer, como um ode ao corpo feminino.

A ideia é um tanto subversiva quando comparada à feminilidade mítica da herança grega. Pense em A Caixa de Pandora, por exemplo. Caso não se recorde, vai uma breve recapitulação: Zeus decide criar uma mulher repleta de dons cedidos pelos deuses e a oferece a Epimeteu. Ao aceitar, o titã também ganhou uma caixa em que estavam contidos todos os males do mundo. Ela era mantida em segurança no fundo de sua morada. Até que um dia, enquanto o seu marido estava em um sono profundo, Pandora, vencida pela curiosidade, ingenuamente abre a caixa.

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O mito costumava ser contado para explicar a destruição. Pandora abrindo a caixa proibida era equivalente a Eva comendo a maçã. Ambas consideradas as primeiras mulheres do mundo e, supostamente, responsáveis por desbloquear a dor, a perdição. Quando Di Petsa insiste em aplicar as silhuetas dos vestidos gregos aos contextos do mundo novo, ela declara que as vontades femininas, embora assustem os medíocres, nunca representaram o fim, mas sim o início de toda a esperança.

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