Quando Anitta lançou o clipe de “Vai malandra”, em 2017, não foi apenas a música que viralizou. O vídeo, gravado no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, retrata cenas cotidianas nas comunidades cariocas. Entre elas, uma roubou os holofotes: mulheres deitadas sobre cadeiras de sol em uma laje, usando biquíni de fita isolante – visual adotado também pela cantora na performance.

O impacto foi imediato. Em poucos dias, as marquinhas desenhadas com fita tomaram as redes sociais, despertaram curiosidade fora das periferias e transformaram uma prática até então localizada em objeto de desejo. “Assim que o clipe saiu, eu fiquei sem vaga na agenda”, lembra Erika Romero Martins, 42, conhecida como Erika Bronze, responsável pelos biquínis usados no vídeo. A demanda cresceu de forma tão acelerada que ela precisou ampliar a laje e passar a trabalhar em dois turnos para dar conta dos atendimentos.
Apesar de ter dividido o grande público entre estranhamento e fascínio, o uso de fitas para criar marquinhas de bronzeamento está longe de ser novidade. “Isso é cultura das favelas”, diz Erika. “Eu cresci vendo gente se bronzeando na laje, no quintal, tomando banho de borracha (termo usado em algumas comunidades para se referir ao banho de mangueira)”. Antes de viralizar, o bronzeamento de fita já fazia parte do cotidiano, transmitido informalmente entre amigas, familiares e vizinhas. “A gente usava tudo que dava para colar no corpo: esparadrapo, papel contact…”, lembra.

Para a antropóloga Mylene Mizrahi, pesquisadora da PUC-Rio que há anos estuda a criatividade e a estética das periferias cariocas, mais do que lazer, o bronzeamento de fita envolve
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