Ao eleger Ney Matogrosso como personalidade homenageada pelo enredo do Carnaval 2026 da Imperatriz Leopoldinense, o carnavalesco e artista plástico carioca Leandro Vieira encontrou o mote ideal para confrontar um tabu arraigado no Carnaval dos últimos anos: a nudez. O “encaretamento” do Carnaval, aliás, foi um dos comentários que Ney fez ao aceitar, aos 84 anos, o convite para participar do desfile como destaque principal do último carro alegórico da escola de samba, que ocupará a Marquês de Sapucaí no domingo (15.02). “Disse: ‘Leandro, antigamente, no Carnaval, a gente via muita gente nua, muito peito de mulher. Isso tudo não se vê mais. Por quê? Está proibido?’. Ele falou que não está, então, eu disse: ‘Aproveita e libera logo tudo de uma vez’.” 

O enredo, “Camaleônico”, não se inspira apenas no imaginário libertário do ex-líder do grupo andrógino Secos & Molhados, mas também na pintura Jardim das delícias, do artista holandês Hieronymus Bosch (1450-1516). “Se é inspirado no Jardim das delícias, tem que ter nudez. Não será nudez explícita, mas vai ter muito corpo de fora”, afirma Ney, que tem frequentado ensaios no barracão da Imperatriz Leopoldinense na Cidade do Samba, na Gamboa, no Rio de Janeiro.

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“A nudez, uma coisa que era muito comum nos anos 1970 e 1980, se tornou meio que um tabu no Carnaval dos últimos anos ou décadas”, concorda Leandro. Para ele, a história musical do intérprete é um prato cheio para reverter isso. “Uma coisa que acho muito bonita no Ney é que ele fez da pouca roupa um manifesto estético. Esse foi, para mim, o mote principal.”

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