Tadeu Schmidt: “O BBB é um espelho da sociedade”

Às vésperas da 26ª edição do reality show, o apresentador conta como é sua rotina durante o programa e como lida com as redes sociais.


Tadeu Schmidt BBB 26
Fotos: Globo/Victor Pollak



Desde 2022, Tadeu Schmidt é o único contato entre os confinados do Big Brother Brasil com o resto do mundo durante os 100 dias em que o reality show é exibido. É por meio dele que os participantes descobrem junto com o público quem fica e quem sai da “casa mais vigiada do país”. No ar desde 2002, a 26ª edição do programa estreia na próxima segunda-feira (12.01).

Aos 51 anos, Tadeu construiu uma trajetória de mais de duas décadas na TV Globo, primeiro no jornalismo esportivo – do Esporte Espetacular ao Globo Esporte – e depois no Fantástico – da apresentação do quadro Gols da Rodada (aquele dos cavalinhos uniformizados) até se tornar um dos âncoras do programa.

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Tadeu Schmidt BBB 26

Para ele, comandar o BBB foi um dos maiores desafios e também uma das experiências mais transformadoras de sua carreira. “Receber uma oportunidade nova dessas depois dos 40 anos foi incrível”, conta à ELLE. Antes dele, passaram pela produção Pedro Bial (2002-2016) e Tiago Leifert (2017-2021), cada um com a sua maneira de apresentar a atração.

Longe do estilo roteirizado que marcou parte de sua história na TV, Schmidt passou a conduzir um formato em que tudo depende das pessoas, das relações e das escolhas feitas no jogo. “A gente até se prepara, planeja muita coisa, mas tudo depende de quem está ali vivendo aquela experiência.”

Como não poderia deixar de ser, o reality show ocupa o centro da rotina do apresentador, afetando do sono ao dia a dia com a família (ele é casado e pai de duas filhas já adultas). “Nunca deixo de estar conectado”, pontua.

Tadeu conversou com a ELLE pouco antes da nova edição começar:

Tadeu Schmidt BBB 26



Como você se prepara para o
BBB?

Não tem um ritual específico. Quando uma edição acaba, a gente já começa a pensar na próxima. Todo mundo fica completamente envolvido. A cabeça não para. O mais cansativo não é o físico, mas o mental. Nos 100 dias de programa, fico pensando em dinâmicas, provas, tendo novas ideias. São muitas reuniões para chegar no formato do BBB. Claro que tem uma pausa depois (do fim do programa), mas a partir do segundo semestre tudo se intensifica outra vez. Voltei de uma viagem de fim de ano com a família e já estou com a agenda cheia de compromissos (pelo programa).

Como é sua rotina quando o programa está ano ar?

Acompanho o programa durante o dia todo, estou sempre com fone. Mesmo quando estou tentando relaxar, a cabeça continua pensando no jogo. Não existe um momento real de desligamento durante esse período. Nunca deixo de estar conectado. Identifico uma ideia de dinâmica, penso numa coisa de madrugada, mando mensagem para alguém da equipe de provas… Esse pensamento é incessante. 

“Durmo quatro horas, no máximo cinco horas por noite. Isso começou durante o BBB, mas depois continuou fora do programa também”

Você dorme quantas horas?

Durmo quatro horas, no máximo cinco horas por noite. Isso começou durante o BBB, mas depois continuou fora do programa também. Aí percebi que era demais. Hoje faço tratamento com um psiquiatra especialista em sono e melhorei bastante. Espero que neste BBB consiga manter uma rotina mais saudável.

Como sua família acompanha seu dia a dia?

Fico bastante ausente. Em casa, a gente conversa muito sobre o BBB. Minhas filhas torcem, discordam, minha mulher também. É uma família brasileira normal, que gosta de assistir ao reality. Mesmo no almoço, a televisão fica sempre ligada. Às vezes, estou ali fisicamente, mas mentalmente ligado ao programa, porque estou o tempo todo disponível, checando o celular. Isso muda bastante a dinâmica da casa.

E quando o reality show acaba?

Faço questão de mostrar a elas que estou sempre presente. Não fico no celular, converso, sento junto e participo daquele momento. Acho importante estar ali de verdade.

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Tadeu Schmidt BBB 26



O jogo mexe com você?

A gente sabe que ele impacta muito com as pessoas. E isso também mexe com a gente. Você cria vínculos (com os participantes). Mesmo sem conviver fisicamente, aquelas pessoas passam a fazer parte da sua vida. Quando um participante comete algum erro, penso: “Pô, por que você fez isso?”. E quando alguém sai do programa e consegue dar uma boa continuidade na carreira, fico contente.

Quem escolhe suas roupas para o BBB?

A Mara (Santos), nossa figurinista. Passo para ela algumas referências do que gosto, e ela seleciona tudo para a temporada inteira. Com o tempo, fui mudando o visual, usando coisas que nunca tinha vestido antes na TV, como camiseta. Isso foi acontecendo naturalmente. Na época do Fantástico, era só paletó.

O BBB sempre gera debate em âmbito nacional. Ao longo dos anos, tivemos discussões sobre machismo, cultura do cancelamento, saúde mental, intolerância religiosa, questões raciais, entre outras. Como você enxerga esse papel social do reality?

O BBB é um espelho da sociedade. A gente não força temas, eles surgem naturalmente a partir da convivência. Não existe a ideia de selecionar pessoas para que elas entrem com a função de levantar determinados assuntos. Quando isso acontece, temos a responsabilidade de tratar essas questões com cuidado, respeito e consciência, porque sabemos que milhões de pessoas estão nos assistindo todos os dias. É uma oportunidade de aprendizado coletivo, de reflexão e, muitas vezes, de avanço social – muita gente pode compreender melhor certos temas e se reconhecer neles.

“Aprendi que não posso me definir nem pelos elogios nem pelas críticas”

Você acompanha as redes sociais na época do programa?

Aprendi que não posso me definir nem pelos elogios nem pelas críticas. Não existe unanimidade, nunca existiu. Uso bastante as redes sociais, gosto de criar conteúdo, fazer dublagens, me divertir, mas não vivo em função disso. Fico feliz quando vejo que os comentários positivos superam os negativos, mas entendo que o jogo envolve paixão, torcida, exageros. Faz parte.

Existe algum momento do BBB que mais te marcou? 

São muitos. Mas o que mais me marca é a responsabilidade de ser justo. Não beneficiar nem prejudicar ninguém. Isso é inegociável para mim. Cada discurso de eliminação, por exemplo, é pensado por horas, dias. Quero que aquele momento seja especial, respeitoso e significativo, tanto para quem sai quanto para quem fica.

“O que mais me marca é a responsabilidade de ser justo. Não beneficiar nem prejudicar ninguém”

Como é esse processo de escrever o discurso de eliminação?

Adoro escrever. Sempre gostei. Quando vou anunciar quem saiu, esse discurso já ocupou a minha cabeça por muito tempo. Penso em elementos da trajetória da pessoa, desafios que ela enfrentou, aspectos da vida pessoal ou do próprio jogo. Às vezes, uso uma metáfora; em outras, uma situação marcante, invento uma história, junto referências. É quase um xadrez: decidir se haverá suspense, homenagem ou emoção. Tudo isso é pensado com muito cuidado e carinho. E não é simples. Escrevo, reviso, compartilho com a equipe, ajusto. Nunca faço nada sozinho. Esse olhar coletivo é essencial para evitar erros e encontrar o tom certo.

O BBB 26 promete ser inovador pelas novidades anunciadas. Como você imagina que o público vai reagir?

Minha expectativa está altíssima. Estou mais empolgado do que nunca. As dinâmicas são muito boas, o elenco é forte, há participantes veteranos, novos formatos, maior participação do público, maior prêmio da história (R$ 3 milhões). Tudo isso é incrível. Mas existe uma novidade específica e inédita que é a minha preferida. Quando o público descobrir, tenho certeza de que vai enlouquecer.

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