Bridgerton temporada 4: showrunner revela bastidores da trama
Jess Brownell fala sobre a escolha do elenco, os figurinos e dar destaque aos empregados na trama que gira em torno dos nobres.
Com fortes ecos de Cinderela, a quarta e nova temporada de Bridgerton traz o romance improvável de Benedict (Luke Thompson) e Sophie (Yerin Ha). Ele, como se sabe pelas temporadas anteriores, sempre foi avesso a relacionamentos. Ela é filha ilegítima de um nobre, criada pela madrasta como empregada. Sem saber sua real identidade, ele se apaixona por ela em uma baile de máscaras no primeiro episódio da temporada. Mas Sophie tem que se despedir à meia-noite, mantendo o mistério, que se desenrola na segunda parte desta quarta temporada, que chega nesta quinta-feira (26.02) à Netflix.
A showrunner Jess Brownell fala sobre a escolha do elenco, os figurinos de Bridgerton temporada 4 e dar destaque aos empregados na trama que gira em torno de nobres:
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Como você descreveria Sophie?
A Sophie da quarta temporada é muito parecida com a personagem do livro de Julia Quinn. É uma história de Cinderela, mas Sophie não é a típica donzela em perigo no livro nem na nossa temporada. Ela é habilidosa, resiliente e está sempre vários passos à frente de todos. É uma jogadora de xadrez, uma sobrevivente que sabe o que precisa fazer para se manter de pé. Às vezes, isso joga contra ela porque é difícil sair do modo de sobrevivência e se permitir viver o amor, a espontaneidade, a leveza ou a alegria. Felizmente, Benedict Bridgerton é muito bom nisso.
Como Yerin Ha contribui para a personagem?
Yerin incorpora esse lado brincalhão que queríamos para Sophie. Ela teve sua infância arrancada, não pôde brincar com outras crianças da forma que queria e teve que se tornar uma criada muito jovem. É possível sentir essa vontade reprimida de brincar na atuação da Yerin, mas também tem uma seriedade e uma postura firme que fazem um bom contraponto para Benedict, que é um homem certo do que quer.
Por que Katie Leung, Michelle Mao e Isabella Wei eram as atrizes certas para interpretar Araminta, Rosamund e Posy (madrasta e meias-irmãs de Sophie)?
Escalar Araminta foi um desafio enorme, pois ela é bem caricata – uma vilã de verdade nos livros. Mas, na tela, a personagem é humana e temos que entender por que ela faz o que faz. Precisamos compreender que ela não é má, ela está lidando com um trauma. Katie é uma atriz aberta e carismática. Quando a sugeriram pela primeira vez, pensamos: “Nossa, isso foge totalmente do perfil dela”. E depois concluímos: “Realmente. Isso é perfeito”. Katie é capaz de interpretar esse lado vilã da personagem na superfície, mas é possível perceber através de suas microexpressões e da forma que ela atua em algumas cenas que existe uma pessoa machucada por dentro. É uma mulher que ficou viúva duas vezes. Seu segundo marido impôs uma situação que poderia ter comprometido seriamente a reputação dela e de suas filhas. E ela teve que perseverar. Ficou cada vez mais dura por necessidade, não por diversão. As irmãs mais velhas da família Featherington não aparecem muito nessa temporada, o que deixou um buraco em termos de comédia (abrindo espaço para Rosamund e Posy). Michelle interpreta Rosamund como uma garota malvada de uma forma muito interessante. Fica claro que ela só quer a aprovação da mãe, o que me faz ter empatia por ela. Na audição de Posy, Isabella leu o texto super-rápido numa voz monótona e sorriu no final. Pensamos: “Esta é a personagem”. Ela fala o que der na telha e não se controla, é alegre e ponto. Embora a mãe e a irmã sempre peguem no seu pé, ela sempre dá um jeito de ignorar. E nós a amamos por isso.

Yerin Ha como Sophie e Luke Thompson como Benedict em Bridgerton temporada 4 Foto: Liam Daniel/Netflix © 2025
Como foi organizar o baile de máscaras?
Foi intencional o baile de máscaras acontecer no primeiro episódio, porque nossos chefes de departamento e nossa equipe deram o sangue para realizá-lo. Precisamos de muito tempo de preparação antes de começar a temporada. A equipe de John Glaser desenvolveu máscaras individuais e incríveis para todos. Também tenho que agradecer a Alison Gartshore e seu incrível time de direção de arte que criaram uma atmosfera bem Sonho de uma noite de verão. O chão foi pintado para parecer que as pessoas estão acima das nuvens. A impressão é de estar em um sonho, e isso brinca com o tema da temporada de fantasia versus realidade. Nesse momento, podemos sentir que estamos vivendo uma fantasia. Essa jornada começa aí.
Como o figurino da dama de prata foi criado?
Queríamos que Sophie tivesse um momento de se sentir bonita como uma princesa. Mas também precisávamos esconder sua identidade de uma forma convincente para que Benedict talvez não a reconhecesse ao encontrá-la meses depois. Acabamos usando uma meia-máscara. A ideia era de que ela tinha a confeccionado bem rápido antes de ir ao baile. Esse look precisava parecer montado meio às pressas, mas tentamos adicionar pequenos toques mágicos. Nic Collins, que lidera nosso departamento de cabelo e maquiagem, fez um trabalho incrível ao transformar Sophie de forma sutil.
“Ele deu um toque especial ao figurino de Benedict, que tem um lado romântico, como se fosse Byron em pessoa, um poeta ou algo do tipo”
Como o figurino reflete o lado romântico e artístico de Benedict?
Preciso parabenizar Dougie Hawkes, que trabalha na nossa equipe de figurino com John Glaser. Ele supervisionou os figurinos masculinos. Deu um toque especial ao figurino de Benedict, que tem um lado romântico, como se fosse Byron em pessoa, um poeta ou algo do tipo. Benedict se apresenta como um artista que realmente abraça a própria imagem, na forma de se vestir, agir e falar. Mas ele não se aprofunda muito, o que o impede de ser um artista no sentido mais real da palavra: ser vulnerável e colocar sua expressão artística no papel.
O que os levou a dar destaque aos empregados nesta temporada?
Vivemos no mundo da alta sociedade nas três primeiras temporadas. O público já conhece quem são as pessoas e quais são as regras. No final da terceira temporada, sentimos que as pessoas já entendem essas regras. Agora vamos expandir esse mundo, descer as escadas e ver como é diferente lá embaixo.

Michelle Mao como Rosamund, Katie Leung como Lady Araminta e Isabella Wei como Posy Foto: Liam Daniel/Netflix © 2025
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O elenco conta com novos atores, que interpretam os empregados, e também com antigos conhecidos. O que eles trazem para a série?
Uma das minhas partes favoritas de Bridgerton é que podemos mexer no elenco a cada temporada. Alguns personagens da quarta temporada só tiveram uma ou duas falas anteriormente, mas agora fazem parte de uma história maior. Geraldine Alexander, a Sra. Wilson (a empregada), está de volta. Sophie Lamont como Celia (a empregada) e Oli Higginson como Lacaio John. Algumas pessoas conhecem esses personagens e outras não, mas vamos saber mais sobre o mundo deles nesta temporada. Que alegria ver esses atores ganhando mais destaque. Os três são incríveis. Gracie McGonigal, que interpreta Hazel (uma das amigas de Sophie), é fantástica. Lorraine Ashbourne como Varley faz um ótimo trabalho de personagem nessa temporada. A família Crabtree é tão icônica nos livros. Sabíamos que não queríamos mexer muito neste núcleo. Tentamos preservar tudo o máximo possível para que seguisse o livro. É bem legal representar os diferentes tipos de casamentos. Um casal que está junto há décadas e tem seu próprio jeito de se comunicar um com o outro amplia a ideia do que o amor pode ser.
“Benedict certamente está fazendo a versão regencial da terapia de casal nesta temporada”
O que você acha que as pessoas vão absorver desta temporada?
Benedict gosta de amar. Ele é romântico. Mas amar requer empenho, compromisso e não algo só para ser sentido – trabalhamos muito isso nele nessa temporada. É preciso amar e se comprometer todos os dias. No meio de uma série que é muito romântica, mas também um espetáculo, eu e meus roteiristas temos orgulho de a lição ser sobre trabalho. A série deve parecer um conto de fadas, mas espero que por baixo dele a mensagem seja mais realista: o conto de fadas só acontece se os casais fizerem terapia, conversarem um com o outro, trabalharem a relação e tentarem. Benedict certamente está fazendo a versão regencial da terapia de casal nesta temporada.
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