Dior Men, inverno 2026
Segunda coleção de Jonathan Anderson como diretor criativo da Dior Men vai de Paul Poiret ao punk e new wave.
O segundo desfile de Jonathan Anderson para Dior Men é um trabalho em andamento, um work in progress. Ele mesmo já tinha avisado que seria assim. Em junho do ano passado, quando apresentou sua primeira coleção como diretor criativo da maison, ele falou que levaria umas cinco temporadas para consolidar sua visão. Disse também que nesse meio-tempo poderiam rolar algumas contradições, repetições e mudanças radicais.
Enquanto o verão 2026 teve uma pegada preppy, o inverno 2026 tem estilo meio punk, meio new wave. O denominador comum é o olhar para a aristocracia. Mas se lá o tom era reverencial, aqui é mais rebelde. Jonathan também parece menos apegado às referências e releituras históricas da marca. Tem mais do seu próprio estilo e jeito de criar nesta coleção, mais provocação, ironia e irreverência.
Uma delas, talvez a principal, seja as referências a Paul Poiret. Na calçada quase em frente ao QG da Dior, na Avenue Montaigne, em Paris, tem um mosaico em homenagem ao estilista dos anos 1920, conhecido por seus vestidos sem espartilho e por se inspirar em um tudo: de culturas africanas e asiáticas até o Ballets Russes.

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images
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Bem antes de Christian Dior abrir seu ateliê naquele endereço, Poiret já tinha estabelecido aquela região como o epicentro da alta-costura francesa. Poiret morreu em 1944. A primeira coleção de Dior foi desfilada em 1947. E as propostas de ambos não podiam ser mais opostas.
O primeiro advogava por uma roupa livre de estruturas rígidas, fluida e extravagante. O segundo gostava de tudo no lugar, bem preso, ajustado e com uma certa polidez comedida na imagem final. Na verdade, Poiret tem mais em comum com Jonathan Anderson do que com Christian Dior.
Além de ótimos marketeiros, eles têm processos criativos mais ou menos parecidos. Os dois são adeptos da livre associação e justaposição de ideias e elementos aparentemente desconectados ou improváveis.

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images
As blusas dos três primeiros looks do desfile masculino de inverno 2026 da Dior são baseadas na parte de cima de um vestido de Paul Poiret de 1922 que Jonathan comprou recentemente. As calças de jacquard e os tecidos exuberantes das capas incorporadas a parkas e sobretudos também são acenos ao couturier.
Fora a plaquinha na frente do local de trabalho, Jonathan se interessou pela maneira como Poiret explorava e interpretava opulência. Tanto em entrevistas quanto no comunicado enviado à imprensa, o diretor criativo afirma ter curiosidade sobre como esse conceito se relaciona e é assimilado atualmente.
É uma preocupação bem válida por parte de uma marca de luxo. Ainda mais em um momento de crescente aversão a algumas elites (sobretudo a financeira). Encontrar novas formas de expressar os sentimentos e valores que acompanham uma etiqueta como a Dior é essencial para a sobrevivência e evolução do negócio.

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images

Dior Men, inverno 2026. Foto: Getty Images
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Vem daí a imagem meio rockstar de alguns looks. É aquele hi-low conhecido: algo com aparência rica ou elaborada com uma peça cotidiana. No caso, um top bordado com um jeans lavado. Ou uma jaqueta Bar encurtada (mas encurtada mesmo, com barra acima da linha do quadril) com bermuda larga.
O tratamento que o estilista aplica à alfaiataria vai pelo mesmo caminho. A jaqueta de um fraque, por exemplo, vira um cardigan de tricô. Alguns blazers são encolhidos ao ponto de deixar parte da barriga de fora. E as calças não eram tão justas desde a época em que Hedi Slimane comandou a Dior Homme.
É uma reviravolta e tanto para uma marca que estava há anos assentada em imagens e estilos bastante seguros e comedidos. Ao mesmo tempo, não é uma proposta desconectada ou alheia aos princípios e à história da maison. Na verdade, é um movimento muito bem-vindo e promissor.
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