Willy Chavarria, inverno 2026
Em seu terceiro desfile na semana de moda masculina de Paris, Willy Chavarria abre espaço para artistas latinos e apresenta sua coleção mais bem resolvida até aqui.
Willy Chavarria entregou uma de suas coleções mais bem resolvidas na tarde desta sexta-feira (23.01). Faz apenas um ano que o estilista estreou na semana de moda masculina de Paris, trazendo ao centro do debate uma maneira muito própria de fazer moda. A apresentação começou com um vídeo que simulava uma troca de mensagens no Grindr, aplicativo de encontros gay. Desde que começou a ganhar destaque em 2024, ainda na semana de moda de Nova York, o designer faz questão de lembrar quem é: um homem gay e latino – ou chicano, como prefere se definir.

Willy Chavarria, inverno 2026. Foto: Getty Images

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O show (e aqui essa palavra cai bem) contou com performances ao vivo da chilena Mon Laferte, do portoriquenho Lunay, do italiano Mahmood, do colombiano Feid, do rapper californiano Lil Mr E., do grupo mexicano Latin Mafia e da boy band latina Santos Bravos, com integrantes do Peru, Brasil, México e Porto Rico. Ufa! Se parece muito, é porque foi. E foi ótimo.
Aqui, a passarela se transforma em um espaço para vozes e gêneros que escapam do eixo tradicional da indústria musical. Com o alcance que a marca conquistou, seria simples optar por nomes óbvios – mas aí não seria a cara de Willy. O desfile foi bem teatral. O cenário reproduzia um cruzamento entre duas ruas. Nas laterais, havia uma cabine telefônica e dois quartos, mas com paredes e construções imaginárias, só objetos e mobiliário à vista. Mais ou menos no estilo dogma do cinema, como no filme Dogville (2003).

Willy Chavarria, inverno 2026. Foto: Getty Images

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O enredo é supermelodramático e conta com personagens típicos da cultura mexicana. Willy Chavarria assume esses clichês, reforçando estereótipos para expor – e confrontar – os preconceitos que costumam acompanhá-los. Apesar do tom performático da apresentação, há um certo realismo nas roupas. Essa é, sem dúvida, a coleção mais madura do designer, graças a uma construção mais cuidadosa e modelagens mais bem resolvidas. Ombreiras e golas de camisa antes bastante exageradas, agora aparecem mais controladas. As proporções, de um modo geral, diminuem.
Na linha feminina, saem os vestidos supervolumosos e entram saias de silhuetas A e lápis, blusas de gola alta, sobretudos que acompanham o desenho do corpo e camisas com estampa animal. No momento mais festa, a label mostra vestidos midi com caudas e casacos-casulo feitos de jacquard, num aceno a uma noção de elegância clássica, porém interpretado ao estilo chicano.
Willy Chavarria, inverno 2026. Foto: Getty Images

Willy Chavarria, inverno 2026. Foto: Getty Images

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Rebeca Mendoza, chefe de estilo da marca desde setembro de 2024, contou em entrevista ao Volume 21 da ELLE Brasil, publicado em setembro do ano passado, que a ideia não é separar as coleções por gênero, mas expandir, cada vez mais, o universo criativo de Willy Chavarria.
Esse parece ter sido o grande propósito desta estação, com extensão ao público. A plateia contou com cerca de 2 mil convidados – 400 deles vindos de uma parceria com a La Watch Party, evento comandado pelo criador de conteúdo francês Lyas. Geralmente, essas festas são reuniões de amantes de moda para acompanhar a transmissão ao vivo de desfiles durante a temporada. Aqui, porém, foi diferente: Willy chamou os interessados para dentro do seu show.

Willy Chavarria, inverno 2026. Foto: Getty Images

Willy Chavarria, inverno 2026. Foto: Getty Images

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O esforço de aproximação com seu cliente se repete na oferta de roupas, especialmente na inédita linha Big Willy, composta por básicos acessíveis – camisetas, calças chino e bonés – e que já estão disponíveis para compra. A colaboração contínua e bem-sucedida com a Adidas também foi desfilada, agora com peças criadas especialmente para a seleção do México na Copa do Mundo de Futebol, que acontece entre junho e julho deste ano.
Manter a comunidade por perto, abrir espaço, ampliar vozes: tudo isso conversa diretamente com o contexto político e social atual, especialmente nos Estados Unidos. Nos bastidores, o estilista afirma não conseguir ignorar o medo e a violência enfrentados por imigrantes, pessoas LGBTQIAPN+ e latinos no país onde nasceu. Por isso, Willy Chavarria faz questão de reiterar todos os aspectos que fazem ele ser quem é.

Willy Chavarria, inverno 2026. Foto: Getty Images

Willy Chavarria, inverno 2026. Foto: Getty Images

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