Valentino, inverno 2026

Em Roma, a Valentino aposta na combinação de opostos, com uma boa pitada de anos 1980.


Valentino, inverno 2026.
Valentino, inverno 2026. Foto: Divulgação



De forma resumida, o inverno 2026 da Valentino é sobre contrastes e tensões. A explicação do diretor criativo Alessandro Michele é um tanto mais complexa: vai da filosofia de Nietzsche sobre impulsos emocionais e racionais à dialética da imagem segundo Walter Benjamin (de quem o estilista é fã confesso), até a arquitetura do Palazzo Barberini, em Roma, onde aconteceu o desfile.

Construído no século 17, o palácio romano tem estrutura e fachadas clássicas, pautadas pelo rigor geométrico. Já no interior, a decoração é rebuscada, sem muito compromisso com a simetria. De acordo com Michele, trata-se de um exemplo de como forças opostas podem não só coexistir, mas produzir resultados mais ricos quando combinadas. A teoria é interessante e 100% relacionável ao método de criação do designer.

Valentino, inverno 2026.

Valentino, inverno 2026. Foto: Divulgação

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Valentino, inverno 2026. Foto: Divulgação

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Não é de hoje que Alessandro Michele é conhecido por misturar referências de estilos e períodos históricos variados. Tensão e contraste estão na base de seu processo criativo – decorativismo e pureza, leve e pesado, transparente e opaco, sexy e romântico, moderno e tradicional, novo e antigo, masculino e feminino, passado e futuro, dia e noite, digital e manual.

Nesta coleção, essas dicotomias aparecem em looks compostos de peças ornamentadas (com plissados, babados, bordados e acessórios expressivos) e de outras mais contidas (uma calça de alfaiataria, um blazer de três botões ou um vestido de recortes geométricos). 

Valentino, inverno 2026.

Valentino, inverno 2026. Foto: Divulgação

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Valentino, inverno 2026. Foto: Divulgação

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Valentino, inverno 2026. Foto: Divulgação

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Há também um deslocamento funcional, em que a função original de um item (proteger o corpo, proporcionar praticidade para determinada atividade) é subvertida por puro prazer estético – essa é uma das distinções entre moda e vestimenta. A ala masculina representa esse viés com bastante sucesso. É aqui, aliás, que as propostas se alinham melhor com o que temos visto de mais relevante no momento, com ofertas mais abrangentes e possibilidades de combinações além daquelas sugeridas na passarela.

No feminino, os ombros são definidos, a cintura ajustada e o caimento fluido, com drapeados e plissados. Desde que assumiu a Valentino em 2024, o estilista tem limitado suas referências históricas majoritariamente a estilos dos anos 1970 e 1980, décadas áureas da maison. No inverno 2026, a toada segue a mesma, embora menos literal e mais harmônica entre o legado da casa e as vontades de seu atual criador.



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