Como a Le Soleil D’Été transformou um projeto familiar em marca de moda
Criada por Roberta Belotti ao lado das filhas, a Le Soleil d’Été cresce com uma produção autoral atrelada a colaborações com artesãs e um modelo de negócio gradual.
Nem toda marca de moda nasce com a ambição de crescer loucamente. Algumas surgem como resposta a ausências específicas, como a falta de roupas leves e modelagens simples no guarda-roupa. É o caso da paulistana Le Soleil D’Été , criada por Roberta Belotti ao lado das filhas, Flora e Isabela.
O projeto começou pequeno há cerca de uma década, quando Roberta tinha 47 anos. Naquele momento, ela decidiu desenvolver um trabalho autoral em paralelo à sua confecção que prestava serviços para outras etiquetas. Já Flora havia acabado de se formar em arquitetura, e Isabela, em administração de empresas. “Não havia uma intenção maior do que essa”, lembra a matriarca.

Look da coleção Alagoas, terra de Milagres, da Le Soleil D’Été. Divulgação
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Acostumada a lidar com fornecedores e tecidos, a estilista já tinha a estrutura necessária para viabilizar os primeiros looks, compostos de peças para o dia a dia, entre vestidos, camisas e outras bases versáteis. O formato do negócio também saiu fácil do papel. “Em 24 horas já tínhamos nome, logo, sacola, tudo”, recorda ela. A divisão estabelecida naquele início segue até hoje, com Isabela à frente da gestão, Flora responsável pela imagem e comunicação, e Roberta concentrada no desenvolvimento criativo.
Com o passar do tempo, a grife ganhou escala e passou a incorporar o trabalho de artesãs de diferentes regiões do Brasil. Essas colaborações se revelam por meio de técnicas manuais características de cada lugar, como bordados, macramê e franjas naturais. “Hoje, a gente já não consegue conceber nada sem pensar nelas. Virou um propósito da casa”, diz Roberta.

Divulgação
O repertório do território em que a parceria acontece vira o tema do lançamento. “Sempre fazemos uma estampa principal que traduz o nosso ponto de partida e Nos últimos anos, a marca já criou conexões com comunidades do Vale do Jequitinhonha, do Recôncavo Baiano e de outros destinos no Norte do país., a partir dela, desenvolvemos as manualidades”, explica.
Na coleção mais recente, Amazônia, imersão e escuta da floresta, a etiqueta viajou diversas vezes para o entorno do Rio Negro e se aproximou de associações formadas por povos originários e descendentes indígenas locais. O desdobramento da investigação cultural se dá em vestidos, blusas, calças e saias que recebem intervenções, como a aplicação de sementes em camisas e o uso de fibras de tucum para criar franjas em tops. Os tecidos são trabalhados com foco na materialidade e o aspecto de construção, como o devorê no veludo, o matelassê no algodão liberty e a renda. “A modelagem é simples para valorizar a manufatura, mostrando a história de cada peça.”

Roberta Belotti (centro), com as filhas Flora e Isabela. Divulgação
A maior parte da confecção acontece dentro da própria estrutura da empresa, em São Paulo, enquanto os itens manuais entram como camadas para ampliar o resultado final. “Não somos uma grife de artesanato”, pontua Roberta. “Agregamos essas técnicas para enriquecer o que fazemos.”
Hoje, a Le Soleil D’Été tem lojas próprias na Praça Panamericana e no Shopping Iguatemi, além de unidades no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, e no Quadrado, em Trancoso. A etiqueta também mantém um e-commerce próprio e presença em multimarcas pelo Brasil.

Look da coleção Amazônia, feito em collab com Alexia Hentsch e parceria dos grupos Artesanato Sateré Mawé e Associação dos Artesãos de Novo Airão Divulgação
Fora do circuito tradicional de desfiles, o trio prefere consolidar a rede de distribuição antes de investir em outros formatos de apresentação. “Preferimos crescer nossa presença com diferentes pontos e fortalecer o atacado”, diz Roberta. A expansão já ultrapassa as fronteiras nacionais e inclui vendas em uma varejista em Singapura. “Estamos avançando aos poucos, sem mudar o jeito de fazer.”
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