Bom dia em versão carioca. Muito atrasadamente, escrevo esta newsletter na noite de segunda-feira (01.06), de frente para a praia do Leblon (com chuva). A viagem foi a convite da Osklen, mas o motivo ainda não dá para dizer aqui – vai dar já já no site da ELLE Brasil, e tem a ver com um ciclo de renovação e continuidade interessante na história da marca. Por ora, os assuntos da semana são:

O novo shopping CJ no interior de São Paulo

RE-SEE: Shopping CJ Boa Vista Village.

Shopping CJ Boa Vista Village. Foto: Divulgação

No sábado (30.05), o grupo JHSF abriu um shopping a céu aberto no complexo residencial Boas Vista Village, em Porto Feliz, no interior de São Paulo (chama CJ Boa Vista Village). São cerca de 100 operações de varejo, arte, lazer, serviços e gastronomia. Entre as grifes internacionais, estão lá Chloé, Pucci, Brunello Cucinelli, Aquazzura, Gianvito Rossi, James Perse, Fusalp, Louis Vuitton (com uma loja pop-up temática) e, em breve, Rolex, Dolce & Gabbana e Celine.

A inauguração representa bem o cenário paradoxal dos shopping centers no Brasil. Entre 2019 e 2025, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) registrou queda de 6,2% nas visitas mensais (a média de visitantes por mês no ano passado foi de 471 milhões). Nesse mesmo período, contudo, o número de empreendimentos no país cresceu 14% para 658 unidades, às quais se somarão outras 11 até o fim de 2026. Enquanto parte do setor – com apelo popular –, corre para se adaptar às mudanças nos hábitos dos consumidores (mais interessados em serviços e experiências do que em consumo), outra, focada nas classes A e B, bate recordes de receitas.

A situação é mais ou menos parecida no mundo todo. Aqui, porém, esse tipo de estabelecimento apresenta algumas particularidades. A jornalista Milene Chaves fala sobre elas – e sobre a importância dos shoppings no desenvolvimento do mercado de moda nacional – em uma reportagem publicada na ELLE View, área de conteúdos especiais e exclusivos para assinantes do nosso site.

O melhor de três da Mondepars

Mondepars inverno 2026

Mondepars, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite/Zé Takahashi

Na décima edição do RE-SEE, enviada no dia 17 de junho de 2025, escrevi que o segundo desfile da Mondepars não deixava claro qual era a identidade da marca. Os produtos tinham boas qualidades, estavam alinhados às tendências do momento, mas careciam de uma cara própria. E essa cara começou a se materializar na última quarta-feira (27.05), na terceira apresentação da grife de Sasha Meneghel. Ela está nas proporções, na silhueta, na cartela de cores e na recorrência de alguns detalhes.

A coleção atual (inverno 2026) é bem similar à de inverno de 2025. Precisa de um pouco de atenção para notar as diferenças. Podia ter mais novidades, podia. Mas ok, vamos com calma. E a semelhança, apesar de tudo, também ajuda no entendimento da construção estética em andamento. Agora, há uma sensação de leveza e fluidez mais natural. As formas estão mais equilibradas, principalmente nos ombros e em algumas experimentações com volumes e formas estruturadas.

Está cada vez mais evidente que a intenção da Mondepars não é ser uma etiqueta de invencionices ou criações mirabolantes, mas uma de produtos de qualidade elevada, tratamento de luxo e visual (quase) clássico. É uma estratégia e posicionamento inteligentes e possivelmente mal explorado no mercado nacional, especialmente para o público com o qual a marca fala.

Luigi Torre

Luigi Torre é diretor de reportagem de moda da ELLE Brasil.
Texto originalmente publicado na newsletter RE-SEE, enviada às terças-feiras.