Por dentro do Serpentine Pavilion 2026: conheça a história do evento e o projeto do Lanza Atelier

Serpentine Pavilion 2026 é marcado pelo uso de tijolos artesanais.


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Foto: Iwan Baan. Cortesia da galeria Serpentine.



No ano 2000, a então diretora da Serpentine, Julia Peyton-Jones, convidou a arquiteta Zaha Hadid para projetar um espaço destinado ao baile beneficente da galeria. A estrutura deveria existir por apenas uma noite, mas o público se apropriou do pavilhão como uma obra pública. Com isso, a edificação foi autorizada para que permanecesse nos Jardins de Kensington, em Londres, durante todo o verão, dando origem a um dos projetos de microarquitetura mais influentes e provocativos do mundo.

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Desde então, a Serpentine encomenda anualmente um pavilhão a um arquiteto ou artista internacional que ainda não tenha construído no Reino Unido. A festa de inauguração tornou-se tão tradicional no verão britânico quanto Glastonbury ou Wimbledon, mas o próprio pavilhão é profundamente democrático. Com acesso gratuito, funciona como uma espécie de “praça pública” e oferece uma forma imersiva de aproximar as pessoas da arquitetura.

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Foto: Iwan Baan. Cortesia da galeria Serpentine.

O Serpentine Pavilion 2026 foi projetado pelo Lanza Atelier. Fundado em 2015 por Isabel Abascal e Alessandro Arienzo, o estúdio de arquitetura sediado na Cidade do México desenvolve uma prática colaborativa enraizada no cotidiano. Intitulado “Serpentine”, o projeto foi inspirado em um elemento arquitetônico conhecido como crinkle-crankle wall — um tipo de muro de tijolos formado por curvas alternadas, que proporciona maior estabilidade com menos material do que uma parede reta. Os arquitetos escolheram um tijolo artesanal como material principal para criar uma conexão visual com a fachada de tijolos da galeria Serpentine South e, ao mesmo tempo, inserir a estrutura na tradição dos jardins ingleses.

Uma cobertura translúcida repousa sobre colunas de tijolos, evocando um bosque de árvores e desfazendo os limites entre o interior e a paisagem. O pavilhão do Lanza Atelier ficará aberto ao público na Serpentine South até 25 de outubro, com apoio do Goldman Sachs pelo 12º ano consecutivo.

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Foto: Iwan Baan. Cortesia da galeria Serpentine.

“Tudo começou com Zaha”, afirma o diretor artístico da Serpentine, Hans Ulrich Obrist, acrescentando: “o lema dela — ‘não deve haver limites para a experimentação’ — tornou-se o nosso lema”. O espírito questionador da arquiteta anglo-iraquiana esteve claramente presente no pavilhão de 2025, intitulado A Capsule in Time e projetado pela bengalesa Marina Tabassum e seu escritório, Marina Tabassum Architects (MTA).

A diretora-executiva da Serpentine, Bettina Korek, comenta: “Construído ao redor de uma árvore madura, o projeto de Tabassum traz o parque para dentro do pavilhão. Sua dimensão cinética também remete ao memorável elemento suspenso criado por Rem Koolhaas, Cecil Balmond e Arup para o pavilhão de 2006”.

Originalmente, o programa ofereceu a arquitetos consagrados como Zaha Hadid e Oscar Niemeyer a oportunidade de construir pela primeira vez no Reino Unido. Nos últimos dez anos, porém, a equipe da Serpentine passou a usar a plataforma para dar visibilidade a uma geração mais jovem. “Frida Escobedo ainda não havia construído uma grande estrutura fora do México”, lembra Obrist. “Ela projetou o pavilhão em 2018 e hoje está desenvolvendo a nova sede do Centro Pompidou e uma ala do Met, em Nova York.”

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Foto: Iwan Baan. Cortesia da galeria Serpentine.

Os pavilhões mais bem-sucedidos costumam ter escala e espírito humanos. Um exemplo é Francis Kéré, cujo dossel de madeira de 2017 fazia referência a uma árvore em Burkina Faso, que serve simultaneamente como escola, hospital e ponto de encontro dos anciãos. Já o projeto de Lina Ghotmeh, em 2023, foi inspirado por uma mesa de jantar, com sua sofisticada estrutura de madeira evocando convivência e encantamento.

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Cada designer traz ao projeto algo de sua própria tradição construtiva. No ano passado, Minsuk Cho, do escritório Mass Studies, colocou uma versão do madang coreano — o pátio de uma casa tradicional — no centro de sua proposta. Frida Escobedo utilizou simples telhas para criar uma parede vazada que remetia às casas da Cidade do México. Da mesma forma, o projeto de Tabassum em 2025, composto por quatro cápsulas de madeira com fachada translúcida, foi parcialmente inspirado nas tendas Shamiyana, estruturas de tecido e bambu utilizadas em casamentos bengaleses.

O cenário do histórico parque real também produz contrastes interessantes. Em 2012, Ai Weiwei e Herzog & de Meuron escavaram o local onde os pavilhões anteriores haviam sido instalados, enterrando parcialmente sua estrutura como uma escavação arqueológica que revelava histórias em cada camada. Paredes permeáveis permitiram que o vento atravessasse diversos projetos, como o de Bjarke Ingels em 2016, que separou blocos extrudados de fibra de vidro para criar uma falésia ondulante de um lado e um cânion semelhante a uma caverna do outro. Em 2011, Peter Zumthor trouxe a natureza para dentro ao colocar um jardim projetado por Piet Oudolf no coração de seu espaço. Em alguns casos, sequer existiam paredes: o pavilhão do SANAA, em 2009, parecia flutuar sobre esbeltos pilares de aço, tão exposto aos elementos quanto o próprio parque.

Muitos projetos também fazem referências bem-humoradas à cidade. O pavilhão de Lina Ghotmeh, em 2023, com sua abertura em forma de guarda-chuva, fazia uma alusão irônica ao clima britânico. Já a marcante estrutura escarlate de Jean Nouvel, em 2010, inspirou-se nos ônibus londrinos, nas cabines telefônicas vermelhas e na rosa inglesa. Em 2019, Junya Ishigami projetou uma colina de ardósia semelhante a uma pena, que descreveu como “um melro voando em um céu chuvoso de Londres”.

Nos últimos anos, objetivos sociais e ambientais passaram a ganhar importância — valores que caracterizam Marina Tabassum e seu premiado escritório sediado em Daca. Conhecido por seu foco nas mudanças climáticas e nas condições de vida de populações marginalizadas, o MTA recebeu reconhecimento por suas Khudi Baris (“pequenas casas”), estruturas modulares que podem ser facilmente desmontadas e transferidas quando necessário.

“No delta de Bengala, a arquitetura é efêmera, pois as moradias mudam de lugar à medida que os rios alteram seus cursos”, explica Tabassum. “A natureza transitória desta comissão nos parece uma cápsula de memória e de tempo.”

Pavilhões anteriores da Serpentine encontraram destinos permanentes em locais tão diversos quanto o centro de Vancouver (Bjarke Ingels, 2016), a Hauser & Wirth em Somerset (Smiljan Radić, 2014) e Tirana, capital da Albânia (Sou Fujimoto, 2013). Muitas vezes, “eles não desaparecem, eles reaparecem”, observa Obrist, que acredita que a força duradoura dessas estruturas está justamente em sua versatilidade. “É um café, recebe palestras, exibições de filmes… e temos as Park Nights, quando artistas ocupam o pavilhão.”

O retorno anual do pavilhão consolidou sua presença no imaginário coletivo da cidade. “É como um ritual; as pessoas o esperam”, reflete Obrist, que considera o programa tão relevante e necessário hoje quanto sempre foi. “Conhecemos tantas pessoas com quem gostaríamos de trabalhar que é fácil imaginar os próximos 25 anos.”

A reportagem foi publicada originalmente na Elle Decoration UK

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