Por dentro do hotel de luxo que renovou o charme de Casablanca
Em um edifício restaurado da década de 1950, o Royal Mansour de Casablanca mistura art déco, alta gastronomia e a magia da maior cidade marroquina.
Sempre sonhei em um dia percorrer as ruas de Casablanca. Talvez embalada pelo imaginário do filme homônimo, feito em 1942, mas muito também por causa de uma pintura que existe na minha casa, de uma mulher vestida de branco, com um hijab, em um canto da medina, a parte antiga da cidade. Pois bem, fui convidada para conhecer o hotel Royal Mansour Casablanca e rapidamente me empolguei com a ideia de ver de perto a Cidade Branca, como assim é conhecida – ou, como eles falam lá, “Casa” ou “Casah”(com acento francês).

Casablanca vista de cima: o rooftop do Royal Mansour tem a vista inteira da cidade com a mesquita ao fundo Ana Garmendia
Originalmente inaugurado em 1953, como o primeiro cinco estrelas da cidade, o hotel foi reinaugurado em 2024, após quase oito anos de obras. Confesso que, quando cheguei ao endereço na avenue des Forces Armées Royales, 27, me surpreendi. Completamente diferente do Royal Mansour de Marraquexe, que é uma ode à arquitetura tradicional e ao artesanato marroquino, o hotel de Casablanca ocupa um prédio de 23 andares, com visual modernista, preservando a arquitetura da época de sua criação.

A fachada do hotel: arquitetura renovada e preservada. Foto: Divulgação
Estilos distintos, mas com a mesma sofisticação. Começando pelo lobby: impressiona, sobretudo, um mural em marchetaria feito pelo artista franco-libanês Charles Kalpakian. A obra é o mapa estilizado de Casablanca vista do alto, em vidro, espelho, latão e cobre – realmente lindo.

O suntuoso lobby do Royal Mansour Casablanca. Foto: Divulgação
A vestimenta dos funcionários remete ao filme estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, novamente ele. Mas vocês sabiam que nada foi filmado lá? O longa foi feito inteiramente na Califórnia. Em todo caso, existe um café chamado Rick’s Café, aberto em 2004 e inspirado na produção, que pode valer a visita para os fãs do filme.

Detalhes da medina, a parte antiga de Casablanca. Foto: Ana Garmendia
Eu diria, no entanto, que a magia da cidade está nas ruelas da medina, nos mercados e no olhar das pessoas, todas tão gentis. Andei e me perdi dentro dos souks, com toda a sua infinidade de produtos, como túnicas típicas, mules, incensos, óleos, especiarias. É tudo colorido, contrastando com uma melancolia típica de lugares que carregam muitas histórias.

No Marrocos, o uso do hijab é opcional. Foto: Ana Garmendia
O Marrocos é um país de maioria muçulmana, mas não radical. Parte das mulheres usam o véu, ou hijab. Também existem mulheres que não usam, ou seja, não é obrigatório. O atual rei, Mohammed VI, é tido pela população como um homem de cabeça mais aberta e, segundo a guia que nos levou até uma mesquita, a tolerância entre as crenças em seu reinado é algo que torna a vida de todos harmônica. Em Casablanca, por exemplo, pode-se ver igrejas católicas.

O grande salão da suíte imperial no Royal Mansour Casablanca Foto: Ana Garmendia
Mohammed VI é também um incentivador do turismo local. O Royal Mansour Casablanca é uma de suas propriedades e, durante nossa estadia, pudemos visitar a suíte real: um apartamento de mais de mil metros quadrados com vista incrível da cidade. Aliás, o projeto da reforma do edifício incluiu uma passarela de onde a gente também vê tudo. Feita de vidro, ela está no 23º – é um ótimo lugar para fotos e também um símbolo de encontro entre épocas e culturas.
Ao todo, são 149 quartos, suítes e apartamentos privados. Vale a pena pedir para conhecer algumas suítes. Uma delas, em especial, é toda decorada com peças compradas em antiquários de diversos países.

Detalhes da suíte fashion no Royal Mansour Divulgação
A decoração do hotel traz um art déco revisitado, com muita madeira, mármore e latão e várias obras de arte espalhadas pelos ambientes – são cerca de 600, assinadas por artistas do mundo todo. Por sinal, uma coisa que eu não sabia é que Casablanca tem uma cena cultural forte, com foco no street art (e também é ponto de surfe, centro de negócios e reino das festas. Não fui a nenhuma delas, mas para quem gosta, vale investigar).
A infraestrutura do hotel inclui um centro de conferências e até um salão de baile, mas o destaque fica para o spa de 2.500 m 2 distribuídos em dois andares – homens e mulheres ficam separados.

O spa premiado do hotel. Foto: Divulgação
No ano passado, o local foi eleito pelo World Spa Awards como o Melhor Novo Spa de Hotel do Mundo, além de conquistar também o prêmio de Melhor Spa de Hotel da África 2025. Ali, a gente pode fazer massagens maravilhosas com os óleos marroquinos, como o de amêndoas, e também receber uma esfoliação caprichada, que é algo que as mulheres locais fazem regularmente e ganha ar de luxo no Spa do Royal Mansour.
Leia também:
Por dentro do hamman de um dos melhores spas do mundo
O complexo do spa engloba também sauna, salas de relaxamento, salão de cabeleireiro e boutique. Já a academia, que eu não vivo sem, funciona 24 horas, tem equipamentos de cardio e de musculação e um estúdio de pilates e ioga, além de boxe, alongamento Proverb e treino personalizado. E, para os homens, há ainda no 20º andar o famoso Salon Barbier, comandado pela famosa Sarah Hamizi, barbeira e cabeleireira do La Barbière de Paris.
Por último, mas importantíssima, temos a comida do hotel! As atrações já começam no café da manhã, que oferece desde iguarias locais, incluindo pão de sêmola, um mel dos deuses e tâmaras, até preparos mais ocidentais. Tudo é perfeito – sem falar que o salão fica no alto do prédio e a gente toma café já vendo o espetáculo da Cidade Branca acordando.

Le Rooftop. Foto: Divulgação
O Royal Mansour tem quatro restaurantes maravilhosos. Experimentei todos. Confira:
La Grande Table Marocaine
No dia em que jantei no La Grande Table Marocaine, de Karim Ben Baba, fui na degustação com tagines, saladas marroquinas, pastillas e harira e amei o Pallet de morango, sobremesa-assinatura.

Dos sabores às cores, tudo é delicioso. Foto: Ana Garmendia
La Brasserie

Pavlova perfeita. Foto: Ana Garmendia
Eric Frechon é o chef francês que assina esse restaurante, levando clássicos da brasserie francesa para lá. Fui de steak com batatas fritas e também pavlova! Tudo é muito bom.
Le Sushi Bar
Assinado por Keiji Matoba, o restaurante é intimista, com terraço privativo para o pátio, uma parede de máscaras de teatro vintage e um lustre gigante sob vidro, referência ao ohanami, a famosa tradição de ver as cerejeiras em flor. Provei o nigiri,o sashimi e o tempura. Tudo perfeito.
Le Rooftop/The Bar

Detalhes do nosso café da manhã: a versão marroquina do pudim de pão! Simplesmente maravilhoso. Foto: Ana Garmendia
Essa é uma homenagem às tradições dos bares americanos. Ali a gente toma o café da manhã e à noite pode escolher as opções do cardápio do chef Frechon, que traz comidinhas internacionais e também um mix de pratos famosos marroquinos. Foi meu preferido.
Royal Mansour Casablanca: 27 avenue des Forces Armées Royales, Casablanca, Marrocos.
A jornalista Ana Garmendia viajou a Casablanca a convite do Royal Mansour.
Leia também:
Royal Mansour Tamuda Bay: o paraíso do rei
Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.
Veja mais

Clientes Nubank Ultravioleta têm acesso a benefícios especiais em museus brasileiros

Como fazer coleslaw, a salada de repolho que refresca qualquer prato

Giácomo Tomazzi revisita sua trajetória no design e abre galeria em São Paulo
