Há muitos anos, Hannah, uma compositora de músicas new age amiga da escritora chilena Isabel Allende, respondeu a um anúncio dos classificados de um jornal para encontrar um parceiro, depois do terceiro divórcio e um período de celibato. O homem, com quem ficou armado um encontro às cegas – um jantar na casa dela –, ao telefone parecia perfeito: treinava cachorros para cegos e fora voluntário na construção de escolas na Guatemala, onde perdeu a orelha atingida por uma bala perdida.
A história de Hannah, que estava à espera de um Che Guevara e encontrou um Van Gogh, foi contada por Allende em Afrodite – Contos, receitas e outros afrodisíacos (Bertrand Brasil), livro que escreveu depois de um longo período depressivo, em que tentava exorcizar a tristeza da perda da filha Paula, morta aos 29 anos.
Diante daquele homenzinho que havia chegado a sua casa, pior que seus pesadelos solitários, Hannah fez uma manobra radical: apagou as velas e acendeu todas as luzes rapidamente; abortou os sambas lentos brasileiros e a taça de vinho das preliminares; e com gestos meio bruscos conduziu-o para a cozinha com planos de preparar depressa uma massinha besta e se despedir antes da sobremesa.
O homem a acompanhou e, conquistando o território, retirou suavemente o avental de suas mãos, como escreve Allende, amarrou-o na própria cintura e instalou-a em uma cadeira. Lidava com as panelas, com as facas e com os ingredientes que resgatou elegantemente da geladeira com intimidade – uma dança de verduras e mariscos; macarrão lançado à água fervente; e um molho translúcido de coentro e limão. Cozinhava com destreza, enquanto lhe contava sobre suas aventuras na América Central.
Tomo as palavras exatas de Allende emprestadas, ipsis litteris, para revelar o que aconteceu depois.
“Em poucos minutos, aquele homenzinho patético se transformou: sua cabeleira de palhaço adquiriu a força viril de uma juba de leão, e seu ar de náufrago converteu-se em serena concentração, mescla irresistível para uma mulher como Hannah. O aroma que surgia da frigideira e as borbulhas da panela começaram a produzir nela uma crescente excitação, sentiu que gotas de suor deslizavam pelas suas costas, empapando sua blusa, que suas coxas umedeciam-se e ficava com água na boca, enquanto descobria, surpresa, as mãos elegantes e as costas largas daquele homem.”
Surgia, assim, um voraz apetite amoroso.
Desejo sexual, o sexto sentido
Em A Fisiologia do Gosto (Companhia das Letras), publicado em 1825, o francês Jean Anthelme Brillat-Savarin estabelece uma relação fascinante entre o prazer de comer, o desejo sexual, a sedução e a sociabilidade. Para ele, a gastronomia não se limita à satisfação de uma necessidade fisiológica – comer é também uma atividade intelectual, sensorial e social, capaz de despertar outros prazeres.
Há uma ideia particularmente interessante expressa em sua obra: o prazer da mesa e o prazer amoroso são distintos, mas frequentemente se encontram. Uma refeição bem preparada, o vinho, a conversa e a atmosfera de intimidade podem favorecer a sedução.
O mais curioso é que Brillat-Savarin não se limita a reproduzir as crenças sobre alimentos afrodisíacos. Ele também se interessa pelas circunstâncias em que se come, pelo efeito da expectativa e pelo papel da imaginação no desejo.
Além dos cinco sentidos tradicionalmente reconhecidos, propõe a existência de um sexto, que chama de sens génésique, ou sentido genésico. Trata-se do sentido ligado ao amor físico e à atração sexual, cuja finalidade, segundo ele, é a reprodução da espécie.
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Na visão dele, o desejo sexual merece ser considerado um sentido autônomo, assim como o paladar, o olfato ou o tato. Essa ideia traz o prazer sexual ao mesmo universo de experiências sensoriais em que se encontra a gastronomia.
Savarin não chega a afirmar que comer e fazer sexo sejam manifestações de um mesmo impulso, mas sua classificação permite aproximar essas duas experiências como formas distintas de prazer corporal.
Observa, por exemplo, que a simples menção à trufa desperta simultaneamente associações eróticas e gastronômicas. O prestígio desse fungo, para ele, explica-se pelo sabor e pela crença de que estimula o desejo sexual. Essa propriedade seria real ou imaginária? Ao investigar, recolhe depoimentos, consulta conhecidos e relata episódios envolvendo o consumo de trufas. Sua conclusão é deliciosa: “A trufa não é um verdadeiro afrodisíaco, mas pode, em certas ocasiões, tornar as mulheres mais ternas e os homens mais amáveis”.
A ressalva é fundamental. Savarin não afirma que a trufa produz necessariamente uma reação fisiológica sexual. Ele reconhece que o ingrediente pode favorecer a disposição amorosa em determinadas circunstâncias. É uma distinção moderna a ideia de que o desejo também depende da expectativa, do ambiente e das relações entre as pessoas.
A trufa não precisa demonstrar cientificamente coisa alguma para continuar desfrutando de uma reputação erótica. Seu aroma profundo, a dificuldade de encontrá-la, o preço e o gesto de raspá-la sobre um prato parecem conspirar a seu favor – com a ressalva de que, se custasse o mesmo que uma batata, dificilmente teria conquistado tantos admiradores interessados em suas supostas virtudes amorosas.
A ideia de que certos alimentos podem despertar o desejo é antiga, mas a maneira como essa crença foi organizada pela medicina mudou bastante ao longo dos séculos. Li uma investigação fascinante sobre o assunto, Aphrodisiacs in the Global History of Medical Thought (Afrodisíacos na história global do pensamento médico, em tradução livre), das historiadoras Alison M. Downham Moore e Rashmi Pithavadian.
As autoras mostram que a categoria dos afrodisíacos, entendida como um conjunto específico de substâncias destinadas a estimular a sexualidade, ganhou forma na medicina europeia sobretudo a partir do século 17. Antes disso, porém, o mundo islâmico medieval já possuía uma tradição muito mais ampla de estudos médicos sobre sexo.
Entre os séculos 9 e 15, tratados discutiam maneiras de aumentar o prazer, favorecer ereções, estimular ou impedir a concepção e até modificar a aparência dos órgãos genitais. A sexualidade era examinada em suas muitas manifestações, e não apenas como um problema de reprodução ou desempenho masculino.
É curioso imaginar médicos ocupados em descobrir como proporcionar prazer, enquanto outros, em diferentes contextos, se dedicavam a encontrar meios de reprimi-lo. O corpo humano parece ter passado boa parte de sua história submetido a essas duas ambições contraditórias.
Potência imaginária
A circulação de conhecimentos entre o mundo islâmico e a Europa ajudou a formar a medicina sexual ocidental. Com a expansão do comércio colonial, ingredientes vindos de regiões distantes passaram a alimentar um mercado de promessas amorosas.
As autoras mostram como a origem exótica de certas substâncias contribuiu para sua reputação. Quanto mais remoto o lugar de procedência, mais extraordinárias pareciam suas virtudes. A distância geográfica acrescentava uma potência imaginária aos produtos. Vendiam-se ingredientes – e fantasias sobre a sexualidade de povos desconhecidos.
É tentador pensar que, diante de tantas incertezas amorosas, os seres humanos sempre preferiram acreditar na existência de uma solução material para o desejo. Algo que pudesse ser comprado, preparado e ingerido. Uma maneira de reduzir a imprevisibilidade da atração a uma receita.
A história da alimentação, entretanto, revela uma obsessão igualmente persistente – a de controlar o desejo sexual por meio daquilo que se come.
Conheci algumas das passagens mais curiosas dessa história pela leitura de Henrique Soares Carneiro, um historiador brasileiro que admiro e acompanho, autor de livros como Comida e Sociedade (Campus) e Amores e sonhos da flora: afrodisíacos e alucinógenos na botânica e na farmácia (Xamã). Ele escreveu uma resenha de Eating Right in the Renaissance (A arte de comer bem no Renascimento, em tradução livre), de Ken Albala, que investiga os tratados de dietética europeus entre os séculos 15 e 17, período em que alimentação, medicina e moralidade estavam profundamente entrelaçadas.
Carneiro recupera uma época em que os alimentos eram classificados segundo qualidades quentes, frias, secas ou úmidas, de acordo com a antiga teoria dos humores. O objetivo era equilibrar o organismo, corrigindo os efeitos de um ingrediente com outro.
É daí que vêm explicações médicas para combinações culinárias que sobrevivem ao tempo. O melão, considerado excessivamente frio e úmido, deveria ser acompanhado de presunto cru. O peixe, tido como viscoso, precisava da acidez do limão. Tratava-se de harmonizar sabores, mas também de evitar perigos imaginados para o corpo. O que mais me interessa, porém, é que essa medicina alimentar também pretendia regular a vida sexual.
O historiador mostra como, a partir do século 16, os tratados se tornaram progressivamente mais moralistas. O prazer de comer passou a ser encarado com desconfiança, e certos ingredientes foram acusados de estimular perigosamente a libido. Alho, aspargos, salsinha, anis e menta estavam entre os suspeitos de provocar excitação sexual.
A gula e a luxúria, dois dos sete pecados capitais, encontravam-se assim no mesmo território de vigilância. Comer demais poderia despertar apetites que a moral religiosa preferia manter adormecidos. Uma frase recuperada por Carneiro, a partir da pesquisa de Albala, resume a lógica dessa repressão: “A fome é o melhor remédio para a luxúria”.
É uma declaração de guerra ao corpo. Para controlar um desejo, recomendava-se suprimir outro. A privação alimentar aparecia como instrumento de castidade, como se o prazer sexual pudesse ser disciplinado pelo estômago.
Há algo de profundamente revelador nessa associação. Comer e fazer sexo são atividades indispensáveis à continuidade da vida, mas talvez por poderem ser prazerosas tenham despertado tanto empenho em sua regulamentação. Ninguém costuma se sentir culpado por respirar. Já a fome e o desejo sexual carregam uma história interminável de proibições, penitências e tentativas de controle.
Pecados capitais
Séculos depois, João Ubaldo Ribeiro resolveu tratar um desses pecados com muito menos reverência. Em A Casa dos Budas Ditosos (Objetiva), romance escrito para a coleção Plenos Pecados, dedicada aos sete pecados capitais, o escritor baiano escolheu a luxúria.
Encontrou uma maneira engenhosa de escapar à responsabilidade por tamanha devassidão – apresentou o livro como as memórias de uma mulher de 68 anos que teria confiado a ele o relato de sua vida sexual. A personagem não demonstra grande disposição para o arrependimento. Pelo contrário, recorda suas aventuras com uma liberdade que faria corar os médicos renascentistas empenhados em combater os apetites do corpo.
Na mesma coleção, Luis Fernando Verissimo ficou encarregado da gula, em O Clube dos Anjos (Objetiva). Os dois pecados que durante séculos dividiram o banco dos réus ganharam, assim, romances próprios. Não sei o que pensariam os antigos moralistas diante de uma senhora que faz da luxúria matéria de suas memórias, mas imagino que recomendariam uma dieta rigorosa. João Ubaldo, felizmente, preferiu a literatura – e não existe provocação maior à velha moral dos apetites do que uma mulher que chega aos 68 anos sem pudores para contar suas histórias íntimas.
O historiador estadunidense Steven Shapin também se debruçou sobre o livro de Albala, numa resenha publicada no The Guardian, que li para escrever este ensaio. Seu texto recupera um episódio extravagante que parece piada.
Segundo Shapin, Antonio Gazzo, autor de um antigo tratado médico, recomendava o consumo de feijão como estimulante sexual. A explicação era que os gases produzidos durante a digestão se espalhariam pelo corpo, dilatariam os vasos sanguíneos e ajudariam a manter a ereção. É difícil imaginar uma teoria menos compatível com o repertório contemporâneo dos jantares românticos.
O episódio é pitoresco, mas revela uma questão séria. Durante séculos, as explicações sobre os efeitos dos alimentos na sexualidade estiveram apoiadas em analogias, sistemas filosóficos e observações que pouco tinham a ver com aquilo que hoje entendemos como demonstração científica.
Shapin observa que, nos primeiros tratados renascentistas, havia alguma tolerância em relação aos hábitos e preferências individuais. Aos poucos, porém, a medicina alimentar se tornou mais severa. O prazer passou a despertar suspeitas, como se aquilo que agrada ao paladar fosse necessariamente perigoso para o organismo.
Essa desconfiança não desapareceu inteiramente. Ainda hoje, o prazer de comer costuma vir acompanhado de justificativas, compensações e pequenos rituais de culpa. Mudaram as teorias médicas, mas permanece a tentação de transformar o alimento em instrumento de disciplina do corpo.
Orgia
Se os médicos renascentistas pudessem assistir ao filme A Comilança, talvez saíssem do cinema convencidos de que suas advertências contra a gula e a luxúria eram insuficientemente severas. No filme de 1973, o cineasta italiano Marco Ferreri reúne quatro amigos, interpretados por Marcello Mastroianni, Ugo Tognazzi, Michel Piccoli e Philippe Noiret, numa mansão francesa para um seminário gastronômico secreto. O programa é simples e aterrador: comer indefinidamente, até morrer.
A empreitada começa com a chegada de um caminhão frigorífico, carregado de uma quantidade obscena de provisões. Há javalis ferozes, cuja carne estaria pronta para as marinadas mais sutis; cervos de olhos macios, com o perfume das florestas; galinhas de Bresse, galos das Ardenas, cordeiros criados nos pântanos salgados do Monte Saint-Michel.
Esse inventário tão minucioso parece saído de um tratado gastronômico. Os quatro epicuristas, nessa mansão meio macabra, com uma vitrine de animais empalhados ao centro da sala, dedicam-se a cozinhar e devorar seus manjares com uma disciplina religiosa. Perus são recheados com chocolate, nozes e conhaque às seis e meia da manhã; leitões recebem trufas, castanhas e bacon defumado; codornas inteiras são comidas com as mãos.
A gula não tarda a convocar sua companheira de pecado. Mulheres são convidadas para a orgia, ostras são devoradas diante de fotografias de mulheres nuas projetadas na parede, e o sexo se mistura à comida numa sucessão de cenas absurdas.
Há alusões religiosas, uma Pietà de Michelangelo, blasfêmias, gases, excrementos e uma quantidade de comida colossal. O erotismo, inicialmente prometido como outro prazer a ser consumido, acaba submetido à mesma lógica da voracidade.
O filme provocou um escândalo em Cannes. Li uma crítica publicada no Le Monde à época em que o filme foi lançado. O autor reconheceu a intenção satírica de Ferreri, mas considerou que o diretor havia levado longe demais sua obsessão pela escatologia.
Ferreri não parece interessado em celebrar os prazeres da mesa, mas em levá-los a um ponto em que deixem de produzir prazer. O banquete se transforma em suplício; a abundância, em náusea; o desejo, em esgotamento.
É uma inversão perturbadora. Durante séculos, os moralistas advertiram que os apetites descontrolados conduziriam à ruína. Ferreri parece dar-lhes razão, mas o faz com tamanho deboche que termina por ridicularizar também a própria ideia de uma lição moral. Seus personagens não morrem porque desconhecem os limites do corpo. Morrem porque resolveram ignorá-los deliberadamente. Naquele seminário gastronômico, a comida já não alimenta e o sexo não seduz. O prazer é levado à exaustão e virado de ponta-cabeça.
Observemos momentos em que a gastronomia se aproximou da liberdade sexual. A historiadora Rachel Hope Cleves investiga essa relação em Lustful Appetites: An Intimate History of Good Food and Wicked Sex (Apetites luxuriosos: uma história íntima da boa comida e do sexo pecaminoso, em tradução livre). Li uns trechos de seu livro que achei na internet para compreender que a obra parte de uma pergunta aparentemente simples: por que associamos tão naturalmente a boa comida ao erotismo?
Morangos cobertos de chocolate, ostras, champanhe, jantares à luz de velas. Esses elementos parecem fazer parte de um repertório amoroso universal, mas Cleves mostra que a ligação entre gastronomia e sexualidade também foi construída historicamente.
A autora acompanha a transformação dos restaurantes parisienses em espaços de encontros entre homens, prostitutas e amantes e investiga como pessoas que desafiavam as convenções sexuais contribuíram para formar uma cultura gastronômica epicurista na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.
Boêmios, mulheres que reivindicavam maior autonomia e pessoas cujas relações amorosas contrariavam as normas estabelecidas participaram dessa história. Para elas, comer bem podia ser mais do que um prazer gastronômico; era parte de uma maneira de viver, escolher parceiros e ocupar espaços de sociabilidade.
Acho essa tensão contraditória especialmente interessante. Durante séculos, a medicina e a moral tentaram controlar simultaneamente o que as pessoas comiam e o que faziam na cama. Em outros momentos, a mesa tornou-se um lugar onde essas regras foram desafiadas.
O restaurante oferecia algo que a casa familiar nem sempre permitia – a possibilidade de um encontro longe dos olhos de quem vigiava. Comer fora podia significar também amar fora das convenções.
A ligação entre gastronomia e sexo, portanto, não se explica apenas por substâncias supostamente capazes de provocar excitação. Também foi construída por pessoas que fizeram da boa mesa um espaço de liberdade, intimidade e transgressão.
Volto a Hannah, a personagem de Isabel Allende.
(Parênteses para contar que a autora, depois de anos de luto pela morte da filha, repentinamente, começou a sonhar com comida. Uma noite, em um episódio onírico surrealista, devorou uma tortilla mexicana recheada com o ator Antonio Banderas, misturado a um tanto de abacate e molho picante. Alguma luz emergia do túnel do luto. Surgiu então a ideia de escrever Afrodite, sobre comida e erotismo, que navega entre a gula e a luxúria, únicos pecados capitais em que cabe certo estilo, ela diz, com receitas e crônicas que despertam os sentidos adormecidos.)
Hannah havia preparado uma noite de sedução para um homem que ainda não conhecia. Escolhera a música, as velas, o vinho. Tudo estava organizado para que o encontro amoroso acontecesse. Bastou abrir a porta para que o plano desmoronasse – temporariamente.
Não houve poção, ingrediente raro ou substância milagrosa. Houve um homem cozinhando, sensualmente. A história contraria a promessa de todos os afrodisíacos. Depois de séculos procurando alimentos capazes de despertar o desejo, a história de Hannah, metonimicamente, demonstra que ele pode nascer de algo menos previsível.
Essa é a parte mais interessante da relação entre comida e sexo: não aquilo que conseguimos provocar, mas aquilo que, apesar de todos os preparativos, continua fora de nosso controle.
Luiza Fecarotta é jornalista de gastronomia, pesquisadora da cozinha brasileira e professora de escrita.