Os móveis “marshmallow” são a tendência de decoração que merece sua atenção
Com formas arredondadas, volumes generosos e uma aparência aconchegante, os móveis “marshmallow” estão de volta.
Durante muito tempo, o minimalismo de linhas retas dominou os projetos de interiores. Superfícies lisas, formas enxutas e poucos ornamentos davam o tom de uma estética pautada pela sobriedade, na qual a aparência muitas vezes parecia se sobrepor ao conforto. Mas esse cenário vem mudando: cada vez mais, os ambientes ganham contornos esculturais, volumes generosos e peças de formas arredondadas. É nesse movimento que os móveis “marshmallow” voltam a conquistar espaço.
Como acontece com boa parte das tendências de design, a popularidade recente desse estilo tem raízes na Itália. Na década de 1970, nomes como Mario Bellini, Tobia Scarpa, Gianfranco Frattini e Alessandro Becchi chamaram a atenção do mundo com poltronas e sofás volumosos, que transitavam entre a elegância do modernismo de meados do século 20 e a exuberância do movimento Memphis Milano. Na França, um pouco antes, Jean Royère também explorava formas infladas e orgânicas. Entre os destaques dessa estética está o icônico sofá modular Camaleonda, de Bellini, reconhecido por seus módulos arredondados, que lembram marshmallows, e pelo estofamento profundamente capitonê.

Sofá modular Camaleonda, de Bellini. Foto: Divulgação
Depois de um período fora dos holofotes, o estilo voltou a circular com força entre criativos e nomes influentes, como Kelly Wearstler, Chrissy Teigen, Athena Calderone e Daniel Arsham. O interesse foi tamanho que, em 2020, a italiana B&B Italia retomou a produção do Camaleonda, mais de quatro décadas depois de seu lançamento original.
LEIA MAIS: Como escolher o sofá para a varanda: tecidos, cores e outros aspectos para levar em consideração
Uma das designers que se renderam a essa estética foi Noha Hassan, baseada em Nova York. Para ela, as curvas têm uma relação direta com a sensação de acolhimento. “Instintivamente, elas transmitem conforto e são naturalmente mais convidativas”, explica. “Também existe uma sensualidade nas formas curvas: elas parecem fluidas e espontâneas, acrescentando calor e uma sensação sutil de movimento ao ambiente, sem sobrecarregá-lo.”
Em seus projetos, Hassan aposta em móveis de contornos suaves para equilibrar as linhas retas que costumam predominar na arquitetura dos interiores. A combinação cria ambientes mais dinâmicos e cheios de camadas, com uma atmosfera orgânica e leve. “Estamos em um momento em que as pessoas buscam conforto, experiências táteis e aconchego emocional dentro de casa”, afirma.

Foto: Pexels
E não são apenas sofás e poltronas que entram nessa equação. A designer também gosta de incorporar luminárias de formas orgânicas e mesas com linhas fluidas e esculturais aos projetos. “Existe um desejo crescente por espaços que acolham, mas que também tenham sofisticação. Os móveis curvos respondem muito bem a essa necessidade: trazem suavidade e leveza sem abrir mão de uma estética atemporal e bem pensada”, diz.
A tendência também encontra eco no trabalho da designer de interiores Francesca Grace, de Los Angeles, que já assinou projetos para nomes como Sabrina Carpenter, Alicia Keys e Justin Bieber. Segundo ela, depois de anos de interiores extremamente limpos e minimalistas, o público voltou a desejar ambientes com mais calor e textura.
Não é por acaso que esses móveis “marshmallow” fazem sucesso tanto nas redes sociais quanto na vida real. Como observa Grace, os móveis arredondados e estofados volumosos suavizam os espaços não apenas visualmente, mas também na experiência de uso. “Eles ficam lindos nas fotografias, mas, acima de tudo, correspondem à maneira como queremos viver: com mais relaxamento, convivência e conexão.”
LEIA MAIS: Do design ao conforto: veja dicas essenciais para escolher o sofá ideal
Para a designer, há ainda uma dimensão emocional nessas formas orgânicas. Em um mundo cada vez mais acelerado, talvez exista um desejo de transformar a casa em um refúgio, livre de quinas pontiagudas e superfícies rígidas – quase como uma espécie de proteção para adultos.
“Linhas retas podem transmitir formalidade e rigidez arquitetônica, enquanto silhuetas curvas parecem mais humanas e acessíveis”, explica. “Elas convidam a sentar, relaxar e permanecer por mais tempo. Principalmente nas áreas de convivência, essa sensação de conforto ajuda a criar ambientes mais íntimos e agradáveis de viver.”

Foto: Pexels
Até mesmo os clientes de Grace que têm preferência por antiguidades europeias e arquiteturas tradicionais têm recebido bem essa estética. Para ela, não se trata de uma tendência passageira, mas de parte de uma transformação mais ampla na maneira como pensamos a casa. “Não vejo isso como uma moda efêmera, mas como parte de um movimento em direção a lares com mais personalidade e significado. Nesse sentido, a suavidade não está apenas nas formas, mas também na maneira como um espaço nos faz sentir.”
LEIA MAIS: Como criar uma decoração de sala simples e elegante em poucos passos
*Matéria originalmente publicada na ELLE Decor US.
Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.



