Estúdio Rain mira em nova fase com mostras em São Paulo e em Paris

Comandado por Mariana Ramos e Ricardo Innecco, Estúdio Rain expande atuação no exterior, assina vitrines da Hermès e renova showroom na capital paulista, onde planeja exposições trimestrais.


Estúdio Rain
Na foto, Mariana Ramos e Ricardo Innecco, do Estúdio Rain. Foto: Rayssa Lima



Há pouco mais de dez anos, a designer Mariana Ramos e o arquiteto Ricardo Innecco fundaram o Estúdio Rain. Brasilienses, se aproximaram após passarem por uma residência artística na França. “Nosso primeiro projeto foi uma instalação”, relembra Ricardo, enquanto mostra uma foto de uma ampla mesa de jantar partida ao meio e caída sobre um gramado em Lessac. Era algo meio design, meio arte.

A parceria deu certo e os dois começaram a trabalhar com cenografia e intervenções espaciais. Depois, como um aceno para o mercado de design, projetaram uma de suas peças mais famosas, a mesa Piscina, feita de aço-carbono e vidro, de contorno orgânico e com uma pequena escadinha em sua lateral, que lhe conferia um toque lúdico.

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Nova arandela da série Chroma, feita com resina vegetal e cores variadas. Foto: Divulgação

“Queríamos nos viabilizar enquanto estúdio e trabalhar apenas com isso. Foi um momento em que entramos no mercado de lojistas e começamos a ter acesso a arquitetos”, conta a designer.

Além da coleção Piscinas, desenharam as esculturas de parede Corrente, objetos e diferentes tipos de móveis de madeira e pedra. “O estúdio cresceu no último ano. Temos atuado no Brasil e na França”, diz Ricardo. Ele cita ainda as colaborações, nos últimos anos, com a grife francesa Hermès, no desenvolvimento de vitrines no Brasil e no exterior.

“Hoje em dia, no nosso portfólio, o que mais cresce é o campo da iluminação. É uma experimentação que já dominamos e gostamos muito de fazer, tanto a luz quanto a maneira como os materiais se comportam sob ela”, pontua Mariana.

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Em mostra, dupla apresentou novas formas de luminárias da série Rícino 2. Foto: Divulgação

Atualmente, é possível ver os modelos mais recentes de luminárias do Estúdio Rain em exposições em Paris e em São Paulo. Na coletiva Campo Comum, realizada no próprio ateliê da dupla na Barra Funda, na capital paulista, eles exibem as séries Orbe, Chroma e Rícino II. Com modelos pendentes e arandelas em alumínio, Orbe remete ao modelo homônimo, lançado em 2019. “Replicamos as cúpulas e fizemos luminárias mais complexas”, explica Ricardo.

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Luminárias Orbe, do Estúdio Rain. Foto: Divulgação

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Detalhes de arandela Orbe, do Estúdio Rain. Foto: Divulgação

Em Rícino II – série marcada pela cor âmbar e pelo uso de resina vegetal à base de óleo de mamona –, eles apresentam três novas formas. O material biodegradável, inclusive, virou uma das assinaturas do Estúdio Rain e transformou o espaço de trabalho em um tipo de laboratório, onde eles testam as diversas possibilidades com o polímero.

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Ricardo diz que é um dos grandes orgulhos da dupla ter colocado esse biomaterial no mercado de colecionismo. Ele também aparece na série Chroma, mas com cores inéditas. “Pigmentamos a resina de forma diferente. É um blend. São todas meio furta-cor”, diz.

A exposição, que pode ser vista até sábado (07.11), mediante agendamento, também reúne criações do designer Humberto da Mata, que trabalha no mesmo endereço e cuja atual produção envolve esculturas orgânicas de papel machê. A mostra tem a proposta justamente de mesclar os traços autorais dos dois estúdios de design.

Segundo Ricardo, a exibição na Barra Funda marca uma nova fase para o Estúdio Rain, em que eles buscam mais contato com o público. Após reforma recente, eles querem abri-lo esporadicamente para receber visitantes com novas exposições, pelo menos a cada três meses. Outra oportunidade de ver as peças da dupla será na sexta edição do Design Barra Funda, que ocorrerá entre os dias 27 e 29 de novembro, e envolve diversos ateliês de design da região.

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Modelo une práticas do Estúdio Rain e da artista Célyha Mathieu. Foto: Divulgação

Já em Traversées, em cartaz até 28 de novembro na galeria Brazil Modernist, em Paris, as novas luminárias também levam a assinatura da artista Célyha Mathieu e unem a prática da franco-caribenha com a marchetaria de palha e o design do Estúdio Rain. “Temos explorado muitas técnicas, estamos interessados nisso. Eu descreveria nosso momento atual pela pesquisa de materiais e de técnicas mais tradicionais”, conclui Mariana.

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Em Paris, luminária do Estúdio Rain e da artista Célyha Mathieu. Foto: Divulgação


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