Chip da beleza: o que é e quais são seus riscos?

Com a promessa de um corpo magro e definido rapidamente, o implante subdérmico hormonal virou hit entre celebridades. Aqui, conversamos com médicos para entender a fundo o que se esconde por trás do "chip da beleza".


chip da beleza



O novo método “milagroso” para emagrecer e ganhar massa magra ficou conhecido por um nome bastante atrativo: chip da beleza. Entretanto, ao contrário do que supõem-se pelo seu apelido, ele tem causado uma série de efeitos adversos no corpo de quem usa – de perda de cabelo a casos severos de acne.

O assunto viralizou nas redes sociais na última semana após a cantora Flay compartilhar imagens do efeito do implante na sua pele, que estava tomada por espinhas.

chip da beleza flay

Publicação feita pela cantora Flay revelando os efeitos colaterais do chip da beleza Reprodução: Instagram @flay

O que tem feito, então, as pessoas ainda buscarem o tal do chip da beleza? O que de mais grave pode acontecer ao colocá-lo? Nós investigamos a polêmica e convidamos especialistas para destrinchar o assunto.

O que é o chip de beleza?

É um implante subdérmico hormonal. “Ele pode conter diferentes tipos de hormônios, mas o mais comum é a gestrinona, um tipo de progesterona sintética, que possui uma ação muito similar ao da testosterona”, comenta o dermatologista Daniel Dziabas que já falou sobre o assunto em suas redes sociais.

De acordo com Elaine Dias JK, PhD em endocrinologia, ele foi criado para aliviar os efeitos da menopausa, da endometriose e da adenomiose, especificamente daquelas pessoas que não obtiveram bons resultados através de medicamentos mais conservadores. “Nesses casos, a dose do hormônio é muito bem calculada, e geralmente é pequena, para evitar qualquer efeito colateral”, completa a médica.

Por que o chip da beleza ficou tão popular?

“A ação do hormônio pode melhorar a disposição, o desempenho na prática de exercícios físicos, o ganho de massa muscular e a perda de gordura“, explica Daniel. Por isso, foi apelidado de “chip da beleza” e se tornou comum, principalmente, no consultório de nutrólogos e médicos do esporte.

Porém, por mais tentadores que estes efeitos pareçam, os resultados do uso do chip são completamente imprevisíveis. “Diferentes mulheres usando exatamente o mesmo implante, com dosagens iguais de hormônio, podem ter respostas completamente opostas“, adiciona o médico. Ainda, Elaine alerta que o implante hormonal usado para fins estéticos é contraindicado pela Federação Brasileira de Medicina.

Quais os efeitos colaterais do chip da beleza?

Como no caso da Flay, eles podem causar problemas graves na pele. “Os receptores de testosterona, quando estimulados na derme, podem causar afinamento ou queda dos fios de cabelo, caspa, dermatite seborreica e acne“, explica Daniel.

Mas os efeitos não param por aí. “Ele aumenta muito a coagulação do sangue, fazendo com que as chances de desenvolver trombose e tromboembolismo pulmonar também aumentem. Também pode causar hepatite medicamentosa, aumento do clitóris, edemas, alteração da voz e do ciclo menstrual“, alerta Elaine.

“Ele aumenta muito a coagulação do sangue, fazendo com que as chances de desenvolver trombose e tromboembolismo pulmonar também aumentem. Também pode causar hepatite medicamentosa, aumento do clitóris, edemas, alteração da voz e do ciclo menstrual”, Elaine Dias JK, PhD em endocrinologia.

Para piorar a situação, a maioria dessas questões não é fácil de ser solucionada, já que o chip age de seis meses a um ano no corpo. “Mesmo que ele seja removido, pode ser que seus efeitos já tenham se instalado no organismo. Nesses casos, a remoção não resolve o problema“, diz Daniel. Segundo o médico, pode haver a necessidade de usar outros medicamentos e fazer tratamentos mais específicos para cada situação, como o roacutan para acne.

Será que, então, vale mesmo a pena colocar o corpo em risco pela possibilidade de perder alguns quilos? Para os especialistas, a resposta é simples: não. “Quando muita gente tem problemas graves como estes, é sinal de que talvez o método não deva mais ser utilizado – mesmo que outras pessoas tenham tido resultados positivos”, opina Daniel.

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