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Ilustração: Marcela Scheid
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1.
Juliane Koepcke tinha 17 anos quando o avião em que viajava foi fulminado por raios e entrou em colapso. O banco de Juliana partiu arrancado céu abaixo, e enquanto ela caía o vento sussurrava em seu ouvido: você não vai morrer hoje. Juliane acordou viva no meio da selva amazônica depois de cruzar três mil metros em queda livre, o que equivale à metade do recorde de um falcão. Como seus pais estudavam plantas e bichos, Juliane soube se virar no mato por 11 dias. Comeu restos de doces do avião mas também flores e raízes. Tempos depois do resgate, contou que passou fome, e que a floresta vista de cima parecia brócolis. Foi resgatada por um barco enquanto margeava o rio, tinha feridas bravas na pele e uma fratura na clavícula. A mãe de Juliane também estava no avião e, como todos os outros exceto sua filha, morreu no desastre. Era 24 de dezembro, e ela se chamava Maria. Quando da explosão algumas pessoas que olham pro céu pensaram ter visto a estrela de Belém.

2.
Do caderno de memórias de Psiquê após ter cumprido as tarefas de Afrodite, página um:
Quem ama cultiva um terror querubim.

3.
Que julgamento final
Evitaria uma ida à casa do amor?
Qual depois valeria
Um fio de cabelo do mundo?
O que de nós é irredutível
Só aceita contra todo nome
A montanha-russa aberta
Desse trem fantasma
Isso não sentencia
Nem deseja pra si
Joelhinhos rosados plantados
Cansados de tanto esperar
A hora certa
Que se não vamos
Não há

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xxx

Um beijo,

V.

Vivian Whiteman, jornalista e psicanalista, é editora especial da ELLE e escreve sobre moda, sociedade e comportamento.




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