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"Perdido neste paraíso parece uma eternidade, mas tudo vai passar, porque nascemos para voar", é o que diz o refrão de Paradise, último single do artista coreano-americano Eric Nam. As semelhanças com o momento atual, devido à pandemia de COVID-19, não são mera coincidência. Nascido em Atlanta, nos Estados Unidos, o músico compôs The Other Side, quarto mini-álbum da carreira, durante a quarentena, e lançou a obra no final de julho. Nome conhecido entre os fãs de K-pop, ele descreve o novo projeto como otimista e preparado para trazer alegria e conforto durante esse período de distanciamento social.

Aos 31 anos, Eric também não segue à risca os protocolos da indústria coreana — e se preocupa ainda menos em enquadrar-se apenas na categoria "ídolo de K-pop". Em ascensão na cena desde sua estreia solo em 2013, o cantor e compositor escolheu fazer residência na Coreia do Sul para selar de vez sua paixão pela música — e também por acreditar que as grandes gravadoras norte-americanas não lhe dariam uma chance.

Acumulando muito repertório ao longo de todos esses anos, Eric conseguiu expandir seu talento ainda mais, o que inclui trabalhos como MC, host de seu próprio podcast, dono de um canal no YouTube com mais de 650 mil inscritos e apresentador com dezenas de entrevistas com celebridades internacionais, como Will Smith. Adicione nesta lista Lupita Nyong'o, Chadwick Boseman, Tom Holland, Emma Watson e Robert Downey Jr.

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Em entrevista exclusiva à ELLE Brasil, o astro compartilhou suas experiências mais recentes e revelou detalhes sobre The Other Side.

Como a quarentena afetou o processo de criação e produção do seu novo álbum?

Algumas das músicas que escrevi durante a quarentena eram sobre estar livre de toda essa loucura que o mundo está passando agora. Além disso, por estarmos em confinamento, muito do trabalho de escrever o disco aconteceu pelo aplicativo Zoom por meio de conversas em vídeo, o que foi um desafio, mas estou contente por termos sido capazes de passar por isso para compor The Other Side.

E quais foram suas inspirações para criar o conceito de The Other Side. Consegue eleger uma faixa favorita?

É sempre difícil escolher uma música favorita de um álbum, mas eu realmente amo o single Paradise. Eu acho que ele tem uma sonoridade nova e uma abordagem fresca para mim. A coreografia que o acompanha e a mensagem que eu queria retratar adicionam uma camada extra de profundidade e de detalhe que são a cereja do bolo. A inspiração por trás de The Other Side é basicamente eu colocando as melhores músicas que poderia conceber, então a música sempre tem que ser ótima. Eu sinto que a mensagem, no entanto, é que mesmo passando por um momento muito difícil e conflituoso como agora, quando nós chegarmos ao outro lado — para um tempo e um lugar melhor —, ficaremos bem. Esse é o discurso de The Other Side e Paradise. Nós chegaremos lá, cada um no seu próprio paraíso pessoal, qualquer que seja ele, mas percebendo também que o agora, o hoje, nossas realidades e desafios também podem ser uma espécie de paraíso. É tudo uma questão de perspectiva.

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Eric Nam lan\u00e7a The Other Side Divulgação

Esse já é o seu quarto mini-álbum de estúdio. O que você sente que mudou desde o começo da carreira? Acredita que a sua música se tornou globalizada junto com a expansão do K-pop?

Eu acho que, obviamente, amadureci como artista, músico e compositor. A música se tornou mais global e o apelo do K-pop cresceu exponencialmente em todo o mundo. Acho também que fui capaz de tomar mais o controle da minha música e do meu som para que eu possa perseguir aquilo que eu amo de verdade e pelo qual eu sou apaixonado.

Young K, da banda de rock coreana DAY6, ajudou você a compor algumas faixas. Como aconteceu essa parceria?

Young K é um músico e amigo incrivelmente talentoso. Nós definitivamente nos tornamos mais próximos durante esse processo colaborativo. Ele é aberto para ideias, muito ágil para se ajustar e fácil de trabalhar. Isso nem sempre é o caso quando falamos de colaborações, então a sua boa vontade para ouvir e trabalhar ao meu lado foi incrível e muito apreciada.

Recentemente, você se divertiu nas redes sociais compartilhando seu número de telefone pessoal com os fãs. Continua recebendo mensagens?

É interessante! Gostaria de dizer que os fãs ainda podem me mandar mensagens de texto e eu vou respondê-las. Claro que eu não vou conseguir responder todas, mas eu vou tentar responder o máximo que eu puder, quando eu puder.

Como é ser um artista tão plural e cheio de projetos paralelos? Você teve a chance de entrevistar diversos artistas do K-pop e estrelas de Hollywood. Qual foi a experiência mais interessante até hoje?

Eu acho que hoje como artista você precisa fazer de tudo um pouco. Toda plataforma requer atenção e não se trata só de fazer boa música, mas também de fazê-la ser ouvida e de que ela atraia o maior número de pessoas possível. Às vezes, pode ser exaustivo tocar tantos projetos ao mesmo tempo, mas eu percebo também que eu estou numa posição rara e sou incrivelmente grato por ter essas oportunidades. É difícil dizer qual foi a melhor entrevista até hoje, mas acredito que conversar com Will Smith foi uma experiência recente realmente divertida.

Você sente que as barreiras entre o K-pop e a música pop internacional estão finalmente se rompendo? Veremos cada vez mais artistas asiáticos ganhando espaço na mídia ocidental?

Eu realmente tenho esperança de que sim. É claro que ainda temos muito trabalho a fazer na luta por representação na mídia. Sim, a gente vê uma pessoa aqui ou ali, mas não deveria parecer uma raridade. Espero que o pop internacional e a mídia possam se abrir ainda mais para artistas asiáticos.

E você acredita que por meio da popularização do K-pop o racismo na indústria também pode diminuir?

Eu sinto que há uma falta enorme de representatividade na música pop. Ter alguns atos representando todo um gênero massivo para o mundo não é o suficiente. Ao mesmo tempo que eu quero pensar que o racismo diminuiu, eu não acho que diminuiu de verdade, especialmente agora com os efeitos da COVID-19 no mundo. No que se refere à música, há tantas barreiras que ainda precisam ser derrubadas... Eu não quero ser taxado apenas como um artista de K-pop.

Eric Nam lan\u00e7a The Other Side Divulgação

Em março deste ano, sua primeira turnê internacional passaria pela América Latina, incluindo o Brasil. Como você pretende retomar as atividades e quais são suas expectativas para conhecer os fãs brasileiros num futuro seguro onde isso se torne possível?

Infelizmente ainda é muito cedo para fazer predições sobre como as atividades vão ser retomadas. Dada a natureza do coronavírus, eu acho que a prioridade agora é de que todos fiquem saudáveis e seguros, para que possamos passar por esses tempos difíceis juntos. Assim que pudermos tocar as coisas de forma saudável, eu tenho esperança de que eu poderei me juntar a vocês todos no Brasil. Eu mal posso esperar até que esse dia finalmente chegue!

O que você aprendeu durante a quarentena e gostaria de compartilhar conosco?

Eu acho que a vida vai mudar para sempre. Viagens, festas, eventos, a vida como a conhecemos vai ser alterada em maneiras que nós ainda não sabemos. Nós vamos ter que esperar e ver como tudo isso se desenrola. Obviamente, acho que as coisas online e pela internet vão continuar crescendo em impacto e importância, e nós vamos ver novas tecnologias e plataformas emergirem nessa nova realidade. Mas o mais importante para nós é estarmos saudáveis e seguros, e ficarmos próximos daqueles que amamos e mais nos importamos. Converse com as pessoas que você ama, diga que as ama, e seja consciente das pessoas que estão à sua volta. Nós vivemos neste mundo juntos e só vamos sair dessa juntos. Seja gentil, fique feliz e se mantenha saudável.

Ouça The Other Side aqui:


Gustavo Balducci é designer, pesquisador e colunista de K-pop. Multifandom declarado, passa o tempo compartilhando memes e vídeos de idols na internet.


Elas colecionam capas de revista, campanhas para marcas de luxo, turnês internacionais e singles no YouTube. Conheça as avatares virtuais que conquistaram fama e acumulam polêmicas nas redes sociais.


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