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Que adulto já não se sentiu como um adolescente ao se apaixonar? Que avó já não rejuvenesceu brincando com seus netos? E que criança não se achou gente grande quando dormiu sozinha pela primeira vez fora de casa? Pois é. Idade não deveria ser sobre quantos anos temos e, sim, sobre como nos sentimos. Mas, infelizmente, para muitas mulheres esse é um assunto delicado e complexo. E não é para menos. Em uma sociedade machista como a nossa, que associa beleza a juventude, muitas de nós entram em pânico ao ouvir que estão "entregando a idade". Isso porque, diariamente, e muitas vezes mesmo sem perceber, somos obrigadas a lutar contra o processo mais natural que existe: o de envelhecer.


Basta olhar os números. Segundo o portal de estatística alemão Statista, em 2019, o mercado de produtos para a pele fechou em US$ 141 bilhões e, em 2025, deve chegar perto de US$ 190 bilhões. Outro dado interessante: de acordo com a Forbes, em 2018, as vendas de produtos para a pele cresceram 13% nos EUA enquanto as de maquiagem tradicional cresceram apenas 1%. Prateleiras do mundo exibem um verdadeiro arsenal bélico anti-idade, anti-rugas e anti-sinais que acabam ocupando um lugar enorme em nossas vidas (e bolsos!) e deixando pouco espaço para o que realmente importa.

O dado é da revista Forbes

ELLE Brasil

Claro que queremos envelhecer bem, mas ficar feliz porque ouvimos "nossa, você não aparenta a idade que tem" não deveria ser o ponto alto no dia de ninguém. Você já parou para pensar o que isso significa e quanto sofrimento traz? Em alguns países é proibido perguntar a idade de um candidato em uma entrevista de trabalho porque pode representar discriminação e, em lugares como o Japão, mulheres mais velhas falam com orgulho que tem 70 ou 80 anos porque lá a sabedoria é valorizada, mas aqui no Brasil a realidade sempre foi muito diferente. Precisamos aparentar menos para poder estar no jogo e não perdermos o emprego, o marido e, muitas vezes, até nossa própria autoestima.

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Mas se por um lado não podemos ganhar a luta contra o tempo, por outro lado fomos ganhando sabedoria e podemos usá-la para ressignificá-lo, olhando para o processo de envelhecer de um novo jeito. Recusar as regras e convenções sobre como temos que nos sentir, pensar ou nos comportar só porque chegamos a uma determinada idade já é um primeiro e importante passo.

Ouvir "você não aparenta a idade que tem" não deveria ser o ponto alto no dia de ninguém

Então, que tal ser mais gentil com você mesma, fazer as pazes com o envelhecer, começar a ver beleza onde não víamos antes e entender e aceitar que padrões são criados — e não simplesmente verdades absolutas? Assim, com informação e autonomia teremos liberdade de ditar nossas próprias regras para sermos felizes e, ainda, abrir caminho para as próximas gerações entenderem que não importa quantos anos uma pessoa tem, mas sim quantos anos ela sente que tem. Sem crítica, nem julgamentos. Afinal, nós não temos só uma idade. Somos a soma de muitas. Cada dia uma. E cada uma muito mais profunda do que qualquer ruga.

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