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"Agon", palavra de origem grega que significa luta ou disputa, dá nome ao novo curta-metragem do diretor e fotógrafo Manuel Nogueira. O filme é a primeira atração do ELLE Stories: vídeos com um olhar muito particular sobre temas diversos, que vão estrear aqui, no nosso site. Em Agon, 18 artistas do Balé da Cidade de São Paulo alternam-se na tela durante cerca de 3 minutos e meio, dançando cada um no confinamento de sua casa.

"A inspiração surgiu a partir de um texto do filósofo italiano Emanuele Coccia falando sobre a ilusão do ser humano de se sentir protagonista em relação à existência, e de achar que tudo no mundo é feito para ele", relata Nogueira, que faz parte do time de diretores da produtora Delicatessen Filmes. "Essas questões me levaram a pensar nas pessoas dentro de casa, vivendo essa espécie de embate contra uma força ainda muito desconhecida, que é a própria natureza."

Assim como em alguns de seus trabalhos anteriores, ele recorreu aos artistas da dança para explorar a temática do ser humano lutando e negociando pelo seu protagonismo no mundo. "Imaginei que o corpo seria uma ferramenta potente para expressar essas sensações que, de alguma forma, estamos experimentando neste momento", diz. Apresentou, então, a ideia e suas inspirações aos bailarinos, que toparam se filmar na quarentena – sozinhos ou com a ajuda de seus pares. Nogueira passou a eles referências de figurino, enquadramento e iluminação.

O bailarino Marcel Anselmé, que também dança no curta, criou uma base coreográfica para todos os participantes. "Idealizei uma sequência de movimentos, mas deixei todo mundo livre para inverter a ordem deles, para embarcarem em seus próprios ritmos e intensidades. Era importante para a direção que houvesse espaço para os bailarinos expressarem seus próprios sentimentos", conta Anselmé. "Para nós, é muito difícil ficar em casa sem criar algo ligado à nossa arte e essa foi uma ótima oportunidade."

Elemento fundamental do filme, a música está presente durante toda a narrativa e acentua a sensação de angústia e tensão transmitida pelos movimentos dos bailarinos. Trata-se da composição "Jongo", do carioca Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), interpretada pelo pianista gaúcho Miguel Proença, de 81 anos. A escolha veio de memórias do diretor, que mergulhou em suas histórias e lembranças neste período de isolamento social: "Minha irmã, Isabel Nogueira, tocava essa música ao piano quando todos nós morávamos juntos, e seguia a interpretação do Proença, que foi seu professor", relembra ele. "Quando comecei a formatar esse filme já sabia que ia usar essa trilha. Combinava com a atmosfera de agonia que queria trazer para esse trabalho." Tanto o pianista quanto a família do compositor se encantaram com a iniciativa e cederam os direitos para que a obra fosse usada.

Os bailarinos tiveram pouco mais de uma semana para pensar em sua partitura corporal e realizar a gravação. Com esse material em mãos, o diretor fez a montagem: trabalhando com cores, texturas e contrastes, conseguiu tecer uma narrativa em que a interpretação de um dançarino complementa a do outro, num fluxo contínuo, mesmo com as coreografias tendo sido executadas separadamente, em momentos e situações completamente diferentes. "Por mais que estejamos impossibilitados de sair à rua para trabalhar, é realmente importante continuar trocando uns com os outros e criando mesmo com diversas limitações. É uma tentativa de resposta positiva diante desses dias tão difíceis", resume Nogueira.



Impossível prever como a pandemia e o isolamento forçado vão influenciar a produção artística nos próximos anos. Mas vale olhar para trás e ver como episódios dramáticos inspiraram obras e movimentos em diversos períodos.


Reunimos 22 fotógrafos e 22 marcas de moda brasileiras em uma série de ensaios sobre isolamento, criatividade, afeto e desejo de novas realidades

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