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Oano de 2021 é de Amanda Gorman. Depois de roubar a cena na posse do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, quando se tornou a pessoa mais jovem convidada a ler um poema na cerimônia, ela faz história novamente. Amanda será a primeira poeta a se apresentar no Super Bowl, a final que define o vencedor da liga de futebol americano, a NFL. A mesma liga milionária que há pouco tempo puniu o jogador Colin Kaepernick por protestar contra a violência policial, ao se ajoelhar durante o hino dos EUA, abre agora espaço para a poesia da estadunidense de 22 anos.

Na decisão que acontece neste domingo (7 de fevereiro) na cidade de Tampa, Flórida, e que terá The Weeknd como atração musical no show do intervalo, Amanda terá a maior audiência de sua vida. Mais de 100 milhões de pessoas nos EUA, além de outros milhões de espectadores ao redor do mundo, vão acompanhar ao vivo a transmissão do evento. Ela vai ler um poema original que escreveu sobre três pessoas homenageadas pela NFL e que prestaram assistência à população durante a pandemia. O trio é formado por um educador, uma enfermeira de UTI e um veterano da Marinha. A seguir, contamos tudo sobre a poeta, que não descarta se candidatar à presidência dos EUA no futuro:

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Quem é Amanda Gorman


A estadunidense nasceu e cresceu em Los Angeles. Estudou Sociologia em Harvard e, quando ainda estava na universidade, tornou-se a mais jovem poeta laureada estadunidense. O título é um reconhecimento feito a partir de um programa, apoiado por instituições como a Biblioteca do Congresso e a Sociedade dos Poetas Americanos, que visa identificar jovens poetas com talentos excepcionais. A poesia de Amanda trata de questões sociais como justiça, igualdade de gênero, islamofobia e mudanças climáticas. Mas, sobretudo, reflete a sua história de vida. Ela se define como uma garota magrela negra, descendente de escravos e criada por mãe solteira. Costuma dizer que foi a mãe quem a ensinou a se preocupar com as causas humanitárias.

O fenômeno

No dia da posse, a jovem poeta rapidamente chamou atenção, vestindo um casaco amarelo e usando uma tiara vermelha que lembrava uma coroa na cabeça. Em seu perfil no Instagram, em menos de 48 horas, ela passou de 50 mil para quase 3 milhões de seguidores. As buscas na internet pelas palavras "casaco amarelo" cresceram 1.328% do dia para a noite. Logo depois de brilhar em Washington, Amanda foi contratada pela IMG Models, uma das maiores agências de modelo do mundo e que representa, entre outras estrelas da moda, Kate Moss e Gisele Bündchen. Mais: Amanda está na capa de uma edição especial da Time, lançada nesta semana, com o tema O renascimento negro, em que conversa com Michelle Obama.

Amanda Gorman e a moda


A relação entre a poeta e a Prada não é nova. Antes de ler, na posse de Joe Biden, o poema "The hill we climb" (A montanha que escalamos) vestindo a grife italiana da cabeça aos pés, Amanda já tinha se aproximado da label. Em 2019, ela foi convidada da Prada para seu desfile, em Milão, e também a fazer um discurso na conferência Shaping a sustainable future society (Moldando uma sociedade futura sustentável). O evento é organizado pela grife italiana e aborda temas como criação e sustentabilidade. A jovem poeta, aliás, representa bem o espírito dos novos tempos, vestindo marcas comprometidas com sustentabilidade e meio ambiente. Em um de seus poemas, Earthrise (nascer da terra), de 2018, Amanda fala da urgência em agir diante das mudanças climáticas, da mesma maneira arrebatadora como fez no dia da posse de Biden.

Adversidade

Quem acompanha Amanda na leitura de seus poemas, falando com tanta força e personalidade, não imagina que, durante a maior parte da vida, ela lutou para superar um problema na fala. Mesmo antes de se formar em Harvard, ela tinha dificuldade em pronunciar alguns sons, especialmente o da letra R. Uma das suas estratégias para superar o problema era ouvir e repetir em voz alta a canção "Aaron Burr, Sir", do musical Hamilton. Ela escolheu essa música porque a canção é cheia de letras R. Se conseguisse pronunciar corretamente o R enquanto cantava, por que não iria fazer o mesmo na hora de falar? A estratégia deu certo.

Inspirações

A ativista Malala Yousafzai e a escritora Toni Morrison são duas fontes de inspiração para Amanda. Vencedora do Prêmio Nobel da Paz e uma das principais vozes pelo direito à educação, depois de sofrer um atentado à bala ao sair da escola, no Paquistão, Malala foi influência decisiva para que a poeta se tornasse uma ativista quando, aos 16 anos, tornou-se uma delegada das Nações Unidas. Já Toni, primeira escritora negra a vencer o Nobel de Literatura, foi quem fomentou em Amanda o desejo de nunca mais parar de escrever. Ela conta que depois de ler o livro O olho mais azul, de Toni, um novo mundo se abriu. Ficou fascinada pela habilidade da autora em construir personagens. Os livros de Toni também mostraram a Amanda que na literatura também existiam heroínas negras e de cabelos crespos – e não apenas de pele clara.

A família de Amanda Gorman


A poeta tem uma irmã gêmea, Gabrielle, e um irmão mais velho, Spencer. Os três foram criados pela mãe, Joan Wicks, uma professora de inglês que não deixava os filhos assistirem a televisão na infância. Em vez disso, estimulava Amanda e os irmãos a brincarem. As crianças montavam peças de teatro, ensaiavam musicais e foi assim que a poeta, desde muito cedo, tomou contato com a escrita. O trabalho da mãe, que ensinava crianças de 11 a 13 anos, também mostrou a Amanda como a literatura poderia influenciar os alunos mais novos. Tanto a poeta quanto a irmã Gabrielle, que é cineasta, são só elogios à mãe. Amanda diz que Joan foi uma luz na vida dela, a pessoa que ajudou a definir quem ela é hoje em dia.

Os livros de Amanda Gorman

Setembro será especial para a poeta. É o mês em que ela lançará dois livros, editados pelas Penguin Random House. Change sings é um livro infantil com desenhos de Loren Long, que está entre os ilustradores mais vendidos na lista de The New York Times. O livro lembra às crianças que elas têm o poder de mudar o mundo com suas ações e vozes. O outro lançamento é The hill we climb and other poems. O poema que dá título ao livro e que foi lido por ela na posse de Joe Biden terminou de ser escrito logo depois que o Capitólio foi invadido, em 6 de janeiro. No livro, Amanda volta a temas como esperança, união e cura para uma nação dividida politicamente. Em 2015, ela lançou de forma independente The one for whom food is not enough.

Os poemas de Amanda Gorman:
The miracle of morning
Chorus of the captains
Watch us Rise
(poema manifesto para a Nike)
Earthrise
The hill we climb

Nova série documental da Netflix, Faz de conta que NY é uma cidade, joga luz sobre a escritora, uma das mais sarcásticas observadoras de Nova York.




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