Cultura

Flip online tem mesa com Paul B Preciado e Caetano Veloso

A edição virtual e gratuita do evento literário, que começa nesta quinta-feira (3.12), traz ainda Bernardine Evaristo, Pilar Quintana e Jonathan Safran Foer entre os convidados.

Foto: Marie Rouge
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Como a esmagadora maioria dos eventos de 2020, a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) – que acontece tradicionalmente em julho, na cidade fluminense – migrou para o formato virtual, em meio à pandemia. A 18ª edição começa nesta quinta-feira (3) e segue até o próximo domingo (6), com transmissão gratuita no site e nos canais do evento.

Essa é a primeira edição da Flip que não conta com um curador nem com um homenageado. Fernanda Diamant pediu demissão do posto em agosto – em sua carta de desligamento, sugeriu que o evento deveria ser reinventado em um mundo pós-pandemia por uma curadora negra. No mesmo mês, houve o recuo da Flip em homenagear a poeta americana Elizabeth Bishop, após críticas ao fato de a homenageada ser uma estrangeira e por ela ter sido simpática ao Golpe Militar de 64. Após as mudanças, o principal festival de literatura do país chega mais enxuto, com diversos debates em torno de questões raciais e de gênero.

A mesa Diásporas abre os trabalhos às 18h, com um encontro da anglo-americana Bernardine Evaristo – primeira autora negra a receber o Booker Prize, em 2019, por Garota, mulher, outras – com Stephanie Borges, autora de Talvez precisemos de um nome para isso e tradutora de nomes como Audre Lorde, Bell Hooks e Margaret Atwood.

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Uma das mesas mais aguardadas reúne Caetano Veloso e Paul B Preciado (na foto que abre esta reportagem) em torno do tema Transições, no sábado (5), às 20h30. "Não sou um homem. Não sou uma mulher. Não sou heterossexual. Não sou homossexual. Tampouco sou bissexual. Sou um dissidente do sistema sexo-gênero", escreveu Preciado. O escritor espanhol, nascido Beatriz, é autor de Manifesto contrassexual (2002) e tem gênero como um dos temas centrais de sua obra.

O evento também contará com Itamar Vieira Junior (Torto arado, vencedor do prêmio Jabuti neste ano), Jeferson Tenório (O avesso da pele), Marcia Kambeba (Saberes da floresta), a colombiana Pilar Quintana (A dachorra), os estadunidenses Eileen Myles (Chelsea girls), Jonathan Safran Foer (Comer animais), entre outros. E se a Flip não vai a Paraty, conta com Fernando e Marcello Alcantara, músicos da cidade que resgatam a cultura caiçara, na mesa Cirandas (quinta, 3, às 20h30). Um bom motivo para seguir em casa.

Relançada pela editora Zahar, a obra de uma das mais importantes figuras do feminismo e do movimento negro brasileiro é fundamental para compreender o momento atual – e saber agir politicamente nesse contexto.

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Indignado com a onda de governos autoritários e com a disseminação de preconceitos, o escritor português marca seu posicionamento, condena a covardia e mantém a esperança em dias melhores.

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