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Com seu jazz pop suave, embalado por arranjos elegantes e voz aveludada, a música de Norah Jones soa como um presente coringa para o amigo secreto do Natal em família. Por isso, parece até estranho que só agora, depois de quase duas décadas de carreira solo, a cantora de hits como “Don’t know why” e “Come away with me” esteja lançando seu primeiro disco de canções natalinas, I dream of Christmas.

O timbre-cafuné desta nova-iorquina de 42 anos criada no Texas passeia aqui por clássicos do repertório americano, como “White Christmas”, “Christmas don’t be late” (também conhecida como “The chipmunk song”) e “What are you doing new year’s eve?”, mas também por composições próprias que espelham aquela avalanche de sentimentos típica de fim de ano: desejo de renovação, nostalgia e (auto)indulgência açucarada.

A vontade de botar no mundo esse oitavo álbum de estúdio veio durante a quarentena compulsória ligada à pandemia do coronavírus. Aos domingos, ela ouvia com os filhos de 7 e 5 anos, frutos do relacionamento com o tecladista Pete Remm, gravações de standards natalinos de James Brown e Elvis Presley.

“Eles me trouxeram conforto”, diz, em entrevista por vídeo à ELLE. Jones rechaça gentilmente a sugestão de que gostaria de transmitir o mesmo sentimento a quem venha a escutar o disco (“Nunca apresento um trabalho acompanhado de uma cartilha sobre como espero que se sintam”), mas diz ter saído das gravações “reanimada”, porque I dream... deu a ela “algo alegre e estimulante pra fazer neste ano”.

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Foto: Divulgação


Filha do citarista e compositor indiano Ravi Shankar (1920-2012), que ganhou projeção por suas colaborações pop a partir do fim dos anos 1960 (sobretudo com o beatle George Harrison), Jones passou pelo tradicional circuito de coro escolar e apresentações na igreja que a família frequentava antes de trocar o Texas, onde cresceu, por Manhattan, sua terra natal, para tentar a sorte como artista. Ali, apresentou-se com algumas bandas antes de ser descoberta pelo influente selo de jazz Blue Note.

A estreia solo aconteceu em 2002. Come away with me foi um arrasa-quarteirão: vendeu quase 30 milhões de cópias no mundo todo, catapultou a tímida Jones ao estrelato com apenas 23 anos e lhe rendeu a santíssima trindade do Grammy, maior prêmio da indústria fonográfica estadunidense: álbum, música e gravação do ano (os dois últimos gramofones foram para “Don’t know why”, principal single).

“Feels like home” (2004) a encontrou mais country (não se cresce no Texas impunemente, afinal), e os trabalhos subsequentes foram expandindo o horizonte de sua música para latitudes ora mais pop, ora mais sombrias – mas quase sempre mais autorais, já que ela ganhou segurança para interpretar o que escrevia.

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Em paralelo à carreira solo, Jones passeou acompanhada pelo country alternativo (com os Little Willies) e por sua variante mais pop (com o trio feminino Puss n Boots), além de empunhar peruca loira e assumir o pseudônimo de Maddie para a incursão roqueira com El Madmo. Sua lista de duetos e colaborações é caudalosa: vai de Ray Charles a Foo Fighters, passando por Dolly Parton, Outkast e Billie Joe Armstrong (Green Day).

O sucesso comercial de Come away with me nunca se repetiu com a mesma intensidade (I Dream... está na 122ª posição na lista dos mais vendidos da Billboard), mas Jones preza a paz de espírito trazida pelos holofotes menos resplandecentes sobre si. Na entrevista a seguir, ela fala sobre o disco novo, como vem atravessando a pandemia e o gosto pela música brasileira, que descobriu pelas mãos da mãe, Sue Jones, produtora de shows que morou no Brasil no fim dos anos 1960.

Foto: Divulgação

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O que você estava fazendo quando a pandemia foi decretada, em março de 2020, e tudo fechou?
Eu ia começar uma turnê dali a pouco e também tinha acabado de gravar um disco, que foi lançado em junho do ano passado. Depois (já em 2021), fiz um álbum compilando gravações ao vivo do passado, porque gostava da energia delas. Tive que ouvir algumas para participar de um programa de rádio e curti tanto que resolvi reuni-las em um só trabalho. E precisava de um projeto, de alguma coisa pela qual eu pudesse ansiar. Daí é que veio o disco de Natal (sorri).

Esse álbum tem seis composições inéditas de sua autoria e sete gravações de standards natalinos, como “White Christmas” (Irving Berlin) e “Christmas time is here” (Lee Mendelson/Vince Guaraldi). Que toque quis dar aos clássicos?
Pois é, queria fazer algo que me parecesse apropriado. O clima geral foi definido pelas canções inéditas, e as clássicas eu escolhi pensando naquilo em que eu poderia imprimir a minha marca. A nostalgia é algo muito importante quando se trata de Natal. A gente nem ia fazer alguns “standards”, como “White Christmas”, mas acabamos incluindo e acho que funcionou. Eu amo música, e de todos os tipos: jazz, country, blues, R&B. E muitas canções de Natal percorrem essa variedade de estilos estadunidenses. Estava contente em poder voltar a tocar e acho que, no fim das contas, a gente fez um disco muito inspirado, que, só por acaso, vem a ser um álbum natalino.

Parece que você ouviu bastante durante a quarentena os discos de Natal de James Brown (lançados no fim dos anos 1960 e na virada para a década seguinte) e de Elvis Presley (que saíram originalmente em 1957 e 1971). Em que medida eles lhe inspiraram?
Sim, eles me trouxeram conforto. Ouvíamos esses álbuns aos domingos em casa, no começo do isolamento, e isso fazia com que nos sentíssemos bem. Era algo legal pelo que esperar a cada semana. Então foi aí que começou a surgir a ideia de fazer esse disco. Nunca apresento um trabalho aos meus fãs acompanhado de uma cartilha sobre como espero que se sintam escutando-o. Mas acho que consigo transmitir como me sinto. E aqui, me senti reconfortada, reanimada, porque o disco me deu algo alegre e estimulante pra fazer neste ano.

Desde que o mundo parou, você escreveu e gravou material inédito para I dream..., além de preparar o álbum ao vivo de que já falamos. Parece ter trabalhado bastante. Houve algum momento em que sentiu o bloqueio criativo que muitos artistas dizem ter experimentado durante a pandemia?
Até que não. Tenho filhos pequenos, então não posso dizer que atravessei o período de isolamento concentrada, compondo todo dia. Neste ano (2021), senti que a criatividade voltou com mais força. E acho que o disco de Natal foi um jeito ótimo de canalizar isso, porque sabia que ainda não haveria turnê e, ao mesmo tempo, não queria fazer outro disco triste como o anterior. Na minha opinião, dá pra ver o espírito de Natal que eu queria transmitir: estar junto da família, mas também sentir falta dos amigos, talvez até ficar tristonho uma horinha – e tudo bem também, às vezes a gente não tem mesmo Natais perfeitos de cinema, se sente sozinho e quer lutar contra isso, se conectar com alguém.

Em 2019, você lançou duas músicas com Rodrigo Amarante, “Falling” e “I forgot”. Como essa parceria aconteceu? Há outros artistas brasileiros no seu radar?
Cresci amando a música do Brasil, porque minha mãe morou aí no fim dos anos 1960 e tinha muitos discos daí na coleção dela. Amo Caetano Veloso, amo Elis Regina, muita coisa, Jorge Ben. No caso do Rodrigo, sempre fui fã dele, porque adoro o trabalho que fez na banda Little Joy (com a vocalista Binki Shapiro e o baterista Fabrizio Moretti, dos Strokes). Não conhecia muito bem seu grupo brasileiro (Los Hermanos). Estava gravando vários singles e quis fazer colaborações com artistas que eu curtia, mas que normalmente não cruzariam meu caminho. Então, convidei-o, e ele foi muito receptivo à ideia. Fui a Los Angeles para gravarmos juntos. Foi muito divertido. Viramos amigos.

Em 2007, você atuou ao lado de Jude Law no drama romântico Um beijo roubado, do diretor chinês Wong Kar-wai, que foi o filme de abertura do Festival de Cannes daquele ano. Voltaria a se aventurar como atriz, seja no cinema, seja na TV?
(Faz o gesto de “quem sabe?” com os braços erguidos e as mãos espalmadas) Não tenho essa ambição, mas se alguma coisa cair no meu colo, posso considerar, sim. (Risos)

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