Os indicados a melhor figurino no Oscar 2026
Do vestido de noiva de “Frankenstein” aos trajes transpostos ao ambiente digital de "Avatar", conheça as as cinco produções que concorrem à estatueta.
Criar looks que ajudem na construção de personagens já é, por si só, um desafio. No caso de Avatar: Fogo e cinzas, a figurinista Deborah L. Scott, que chegou a afirmar que “nem sabia ligar um computador” quando embarcou na franquia, supervisionou de perto a transposição de peças físicas para o ambiente digital. Em Frankenstein, a fidelidade histórica ao século 19 abriu espaço para doses de fantasia para contar uma das mais célebres histórias de terror. Já em Hamlet, o objetivo não era a reprodução fiel da indumentária do século 16 da narrativa, mas revelar o interior dos personagens por meio do figurino. Em Marty Supreme, o foco recai sobre a Nova York de 1950 e sobre como o figurino do protagonista espelha sua ambição. Pecadores também faz um retrato fiel à sua época, a Mississipi dos anos 1930, e deu a Ruth E. Carter sua quinta nomeação ao Oscar, o que fez dela a mulher negra mais indicada ao Oscar, superando Viola Davis.
A seguir, conheça as histórias por trás dos indicados a melhor figurino no Oscar 2026:
Avatar: Fogo e cinzas
A figurinista:
Deborah L. Scott começou sua longa parceria com o diretor James Cameron com Titanic (1997), que lhe rendeu seu primeiro Oscar e se estendeu para os três filmes da saga Avatar até aqui. Nos anos 80, a estadunidense já deixava sua marca no cinema, assinando figurinos de blockbusters como E.T., o Extraterrestre (1982), De Volta para o futuro (1985) e Quem é essa garota? (1987).
O figurino:
A natureza digital do filme tornou o trabalho de Deborah ainda mais complexo. Foram necessários inúmeros testes de movimento, ajustes entre o figurino seco e molhado, além de adaptações. Além disso, a criação de figurinos físicos foi essencial para assegurar a autenticidade da vestimenta. Dessa forma, também foi possível que os atores ensaiassem com os protótipos, enquanto a equipe observava os figurinos em cena. Para certificar-se que as vestimentas seriam transportadas para o mundo digital da melhor maneira, a estilista trabalhou em dobro, acompanhando de perto a equipe de efeitos visuais, responsável por digitalizar cada item. No novo filme, a família de Jake e Neytiri encontra o Povo das Cinzas, enquanto enfrenta o luto. Para essa nova e agressiva tribo Na’vi, Deborah buscou referências no ambiente vulcânico onde vivem, usando materiais como argila, terra e pedras. O couro aparece em adornos, enquanto as pinturas corporais e piercings evocam tradições de povos indígenas reais. Para a tribo dos Mercadores do Vento, que habitam naves e voam entre as nuvens, a escolha dos tecidos foi apropriada para quem vive nas alturas, sob a ação contínua do vento.
Preste atenção…
… Na capa do Chefe Peylak, interpretado por David Thewlis, que reproduz o nascer ou o pôr do sol, dependendo do ângulo de observação.
Outras indicações:
Melhores efeitos visuais.
Onde assistir: em cartaz nos cinemas.
Frankenstein
A figurinista:
Indicada ao seu primeiro Oscar, Kate Hawley começou pintando cenários para óperas e produções teatrais. A neozelandesa fez parte da equipe da franquia de filmes sobre Hobbit (2012-14) e assinou os figurinos de Esquadrão suicida (2016), que rendeu uma fantasia hit entre as fãs da Arlequina, e da série O senhor dos anéis: Os anéis do poder (2022-). A parceria com Guilhermo Del Toro começou com Círculo de fogo (2013) e se estendeu para A colina escarlate (2015).
O figurino:
Para construir o universo de Frankenstein, Kate estudou a arte, a literatura e o contexto geográfico do século 19, período em que a narrativa se ambienta. Apesar da fidelidade histórica, ela teve uma dose de liberdade criativa. “No fim das contas, estávamos trabalhando com uma fantasia, então, pudemos fazer concessões”, disse à ELLE. Em parceria com a diretora de arte Tamara Deverell e o diretor de fotografia Dan Laustsen (ambos indicados ao Oscar), ela desenvolveu a paleta de cores que integra figurinos e cenários, equilibrando tons claros e intensos. Os looks de Elizabeth (Mia Goth) traduzem o fascínio pela natureza da personagem, com estampas inspiradas na anatomia de insetos e estruturas celulares. “Tudo lembra insetos, mas de acordo com a época”, diz Kate. A Tiffany abriu seus arquivos para a figurinista e Elizabeth exibe joias marcantes em cena. Já Victor (Oscar Isaac), cientista que dá vida à Criatura (Jacob Elordi), combina a moda histórica do século 19 com influências do rock e do cinema gótico – Prince, David Bowie e principalmente o bailarino Rudolf Nureyev foram referências. À medida que sua obsessão e ego crescem, seu figurino se torna mais extravagante, incluindo blusas esvoaçantes, coletes, robes coloridos e chapéus estilizados.
Preste atenção…
… No vestido de noiva de Elizabeth, que evoca a estrutura óssea e a pele da Criatura. O look, com mangas ricamente detalhadas, ainda dialoga com o vestido de A noiva de Frankenstein (1935).
Outras indicações:
São nove nomeações, incluindo melhor filme, melhor ator coadjuvante (Elordi), melhor roteiro adaptado e diversas categorias técnicas.
Onde assistir: Netflix.
LEIA MAIS: Mia Goth fala sobre o figurino de “Frankenstein”, da Netflix
Hamnet
A figurinista:
É a primeira indicação de Malgosia Turzanska nesta categoria, que trabalhou na primeira temporada de Stranger things (2016) e Train Dreams (2025) – o longa concorre em outras categorias no Oscar 2026. A polonesa também assinou os figurinos de X: A marca da morte (2022) e Pearl (2022), cuja os looks da protagonista Maxine (Mia Goth) inspirou fantasias no Halloween e viralizaram no TikTok.
O figurino:
Apesar de a precisão histórica não ter sido o foco absoluto no figurino deste filme que dramatiza um período da vida de William Shakespeare, Malgosia embarcou em longas pesquisas sobre o período entre 1580–1590, com leituras como How to be a Tudor: A dawn-to-dusk guide to everyday life (2015), de Ruth Goodman, e livros de ilustrações como Citizen portrait, de Tarnya Cooper (2012), que reúne retratos de pessoas comuns e nobres da época. Ela visitou museus e analisou diversas pinturas. As cores tiveram papel central na produção, representando a luta interna dos protagonistas, que enfrentam o luto de um dos seus filhos. Agnes (Jessie Bucley, um dos nomes mais premiados da temporada) é marcada pelo vermelho. “Ela é como um vulcão de energia e poder feminino e o vermelho, como sangue fresco pulsando”, contou Malgosia ao The Set. As nuances do tom se alteram ao longo do filme, acompanhando seu estado mental. Seu visual é simples, composto por linho, lã e couro. Já Will (Paul Mescal) adota paletas mais sóbrias, como cinza escuro, preto e tons terrosos.
Preste atenção em…
… Como a equipe conseguiu recriar a tinta ferrogálica que Shakespeare utilizava. O resultado é a tonalidade cinza-escura, quase preta, incorporada ao figurino de Will.
Outras indicações:
São oito, incluindo melhor filme, melhor direção (Chloé Zhao) e melhor atriz (Buckley) e diversas categorias técnicas.
Onde assistir: em cartaz nos cinemas.
LEIA MAIS: Hamnet aborda o luto em atuações viscerais
Marty Supreme
A figurinista:
Miyako Bellizzi iniciou sua carreira como stylist. A estadunidense com raízes japonesas e italianas cria figurinos que facilmente poderiam ser transportados para as ruas da vida real. Ela revela ter passado longos períodos nos bairros onde seus filmes eram ambientados, a fim de mergulhar completamente naquele mundo. Esta é sua primeira indicação ao Oscar. Anteriormente, trabalhou em Bom comportamento (2017) e Joias brutas (2019), ambos dirigidos pelos irmãos Safdie – Marty Supreme é o primeiro projeto solo de Josh Safdie.
O figurino:
Para a criação do figurino do longa ambientado no Lower East Side, em Nova York, Miyako analisou imagens de 1955 do bairro, registradas pelo cineasta Ken Jacobs (1933-2025), e de fotógrafos como Ruth Orkin (1921-1985) e Robert Frank (1924-2019). O figurino do mesatenista Marty (Timothée Chalamet), protagonista do longa, traduz sua ambição. “Suas roupas são grandes demais, com pernas largas e ombros exagerados – quase como uma criança se vestindo com roupas de homem”, disse a figurinista à Vanity Fair. Ele usa ternos zoot de corte quadrado, calças amplas plissadas e ternos listrados com ombros estruturados. Polos de tricô e coletes de malha também compõem o guarda-roupa do personagem. Seu estilo não vem da elite, mas do imaginário mafioso do Lower East Side. Miyako entrou em contato com diversos colecionadores dos anos 1950 em busca de polos, regatas e camisetas típicas da década. Inclusive, o moletom com “Team USA” estampado usado por Marty é original, assim como as regatas.
Preste atenção em…
… Nos unifomes, uma paixão da figurinista, presente em grande parte do filme. Para uma das cenas das partidas de tênis de mesa, Miyako desenvolveu 16 modelos distintos, criando polos para diferentes países com base nos designs dos anos 1950 e nos uniformes de cada país. Segundo a figurinista, os originais eram, em sua maioria, pretos. Para criar pontos de diferenciação, ela introduziu variações sutis por meio de detalhes como botões, modelagem, tecido e cor, garantindo que as distinções fossem perceptíveis – ainda que sutis.
Outras indicações:
São nove, incluindo melhor filme, melhor direção (Safdie), melhor ator (Timothée Chalamet) e melhor roteiro original (Safdie e Ronald Bronstein).
Onde assistir: em cartaz nos cinemas.
Pecadores
A figurinista:
Ruth E. Carter é uma velha conhecida do Oscar. Indicada à categoria pela primeira vez com Malcolm X (1992), a estadunidense voltou a concorrer com o drama Amistad (1997) e conquistou a estatueta duas vezes com Pantera Negra (2018) e Pantera Negra: Wakanda para sempre (2022), tornando-se a primeira – e até hoje única – mulher negra a ser indicada e a vencer na categoria de melhor figurino.
O figurino:
Para mergulhar no universo do filme, ambientado no Mississippi de 1932, Ruth e sua equipe analisaram livros como The story of the blues (1969), de Paul Oliver, uma coletânea de fotografias de Eudora Welty (1909-2001) – que viajou pelo Sul dos Estados Unidos capturando imagens de pessoas negras em seu cotidiano –, além de diversas pinturas, principalmente de Norman Rockwell (1894-1978). A figurinista ainda mergulhou em acervos raros e coleções vintage preservadas por décadas. No figurino do protagonista Fuligem (Michael B. Jordan), a alfaiataria é alinhada e sob medida, com presilhas aplicadas ao colarinho e à gravata, além de botões de punho. Já Fumaça, seu irmão gêmeo e coprotagonista (também interpretado por B. Jordan) apresenta uma silhueta mais relaxada: seus ternos são mais largos e de corte quadrado. Algumas peças foram reaproveitadas de produções anteriores, entre elas saias de Um príncipe em Nova York (1988), feitas em ankara (tecido africano).
Preste atenção em…
… Sammie, em sua versão mais velha – interpretado por ninguém menos que o guitarrista Buddy Guy –, usa uma gravata de bolinhas na cena após os créditos do filme. O músico contou à Ruth que havia prometido à mãe que lhe compraria um vestido com o mesmo padrão, mas ela faleceu antes que ele pudesse presenteá-la. A gravata surge, assim, como uma homenagem.
Outras indicações:
São 16 – a produção mais indicada da história do Oscar –, incluindo melhor filme, melhor direção (Ryan Coogler), melhor ator (B. Jordan), melhor ator coadjuvante (Delroy Lindo), melhor atriz coadjuvante (Wunmi Mosaku), melhor roteiro original (Coogler) e melhor trilha sonora original (Ludwig Göransson).
Onde assistir: HBO Max
LEIA MAIS: O agente secreto, Peaky Blinders, BTS e mais destaques do streaming em março
Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.



