Foto: Divulgação
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De uma hora pra outra, por causa por causa da pandemia, Pitty teve que se acostumar com a vida longe dos palcos, que tem frequentado nos últimos 16 anos, especialmente nos fins de semana. "O primeiro sábado em casa eu não sabia nem o que fazer (risos). Aí comecei a botar minha energia criativa em outras coisas. Entendi que tinha que aceitar e ir adiante", conta a cantora.

Parte dessa energia foi canalizada na Twitch, onde Pitty criou um canal no ano passado, que recebeu quase 2 milhões de espectadores únicos. "Poderia ser um esquema de só abrir a câmera e fazer lives de conversa, mas resolvi experimentar a coisa em outro lugar: o de web TV", conta. Neste mês, ela renovou a programação do canal, que vai de domingo à sexta. São sete quadros, em que ela conversa com pessoas de diferentes áreas (já recebeu a ativista e influenciadora Alexandra Gurgel, do canal Alexandrismos, e o jornalista Zeca Camargo), cria música com convidados, toca lançamentos da semana ou faz as vezes de DJ.



Além da Twitch, ela também segue na bancada do Saia Justa, exibido pelo GNT. O canal exibiu em outubro passado Matriz.doc, documentário que traz os bastidoros do disco mais recente de Pitty, Matriz (2019), em que ela se reaproxima de sua Bahia natal e recebe convidados como BaianaSystem e Larissa Luz, além de repassar parte de sua trajetória. Conversamos Pitty sobre o trabalho na Twitch, a vida longe dos palcos e o documentário.

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Você sempre fez muitos shows. Como foi esse ano longe dos palcos e da estrada?
Foi esquisito. Fiquei bem perdida no começo e, sem saber quanto tempo duraria essa fase, tudo ficava mais nebuloso. Aí comecei a botar minha energia criativa em outras coisas, entendi que tinha que aceitar e ir adiante. Estar no palco tem sido minha rotina de todo fim de semana por mais ou menos 16 anos. Imagina! O primeiro sábado em casa eu não sabia nem o que fazer (risos).

O que tem sido mais interessante neste trabalho na Twitch? Paralelamente, você segue na bancada do Saia Justa. Você ainda se sente desafiada como apresentadora?
Súper, o tempo todo. Mas é justamente me impor desafios novos o que me faz crescer. Arriscar, aprender. A Twitch é um desses desafios. Poderia ser um esquema de só abrir câmera e fazer lives de conversa, mas resolvi experimentar a coisa em outro lugar: o de web TV. A complexidade dos programas que estamos produzindo, com convidados diversos, roteiro, produção, abertura, fechamento, é muito maior. Mas tem sido uma delícia e um aprendizado gigantesco!

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Como foi revistar sua própria trajetória com o documentário de Matriz? De alguma forma, o documentário fez você olhar de forma diferente para períodos passados?
Fez sim, até porque Matriz acabou sendo isso: é um disco e filme que junta meus tempos. Me lembra do passado para me entender no presente e projetar o futuro. Foi muito lindo ver o filme pronto, a montagem sensacional de Otavio Sousa (que dirigiu o filme e trabalha com Pitty há muitos anos), os encontros, os caminhos que me levaram de volta à minha terra natal.

O que te atrai na música hoje? E o que viu de mais interessante de iniciativa na música em meio à pandemia?
Muitas coisas diversas, mas acho que o que me chama atenção é o que tem verdade, originalidade, visceralidade. De diversos estilos e ritmos. Adoro uma boa letra, uma poesia interessante. Timbres novos, quando você vê que o artista saiu da mesmice, da produção massificada. Vi muitas coisas interessantes na pandemia e pude compartilhar muitas delas, inclusive, lá na Twitch (Pitty toca de Simonal a PJ Harvey, passando por Alípio Martins, e recebeu nomes como Josyara e Jaloo). Muita gente sentiu essa necessidade de desaguar a criatividade, foram muitos lançamentos.



A cantora, que comanda sua própria rádio nas madrugadas da quarentena, lança Mundo Novo esta semana e divide as músicas que escutou enquanto criava o álbum em uma playlist feita especialmente para ELLE.



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