PUBLICIDADE

Cinemas fechados e estreias adiadas à parte, 2020 foi um bom ano para as mulheres na indústria cinematográfica.

Um estudo da Universidade Estadual de San Diego, na Califórnia, apontou que 16 dos 100 filmes de maior bilheteria do ano passado foram dirigidos por mulheres, um recorde comparado aos anos anteriores — 12% em 2019 e alarmantes 4% em 2018.

O número de mulheres em outras funções, como roteiristas, produtoras e editoras, também bateu a marca de 21%.

Entre as estreias de 2020 encabeçadas por mulheres estão Aves da Rapina, dirigida por Cathy Yan, Mulher-Maravilha 1984, de Patty Jenkins, e Mulan, de Niki Caro. O fechamento das salas de cinema por causa da pandemia de coronavírus, que adiou a estreia de muitos filmes para 2021, abriu espaço para que produções menores como Emma, de Autumn de Wilde, e Retrato de uma Dama em Fogo, de Céline Sciamm, entrassem para o ranking das 100 maiores bilheterias do ano.

Por outro lado, as medidas de isolamento social adiaram a produção e estreia de outros filmes dirigidos por mulheres que, em outros tempos, levariam multidões aos cinemas, como Viúva Negra, de Cate Shortland, e Os Eternos, novo filão de super-heróis da Marvel, de Chloé Zhao — que não ficou fora da lista, já que dirige Nomadland, um dos preferidos ao Oscar.

PUBLICIDADE

Embora o aumento na presença de mulheres na indústria cinematográfica seja expressivo, os números ainda apontam uma grande desigualdade de gênero no setor. Dados adicionais revelam que 67% dos filmes de 2020 empregavam de zero a quatro mulheres em papéis importantes nos bastidores, enquanto 71% empregavam dez ou mais homens.

Martha Lauzen, diretora executiva do Centro para o Estudo de Mulheres na Televisão e no Cinema da Universidade Estadual de San Diego, pontuou que o desequilíbrio é "impressionante".

"A boa notícia é que presenciamos dois anos de crescimento consecutivo no número de mulheres na direção de filmes", acrescentou Lauzen, em comunicado divulgado junto ao estudo. "Isso quebra um padrão histórico recente no qual os números tendem a subir um ano e cair no outro. A má notícia é que 80% dos melhores filmes ainda não têm uma mulher no comando ".



Tenha acesso a conteúdos exclusivos
ASSINE A ELLE