Dior, verão 2026 alta-costura

Jonathan Anderson estreia na alta-costura da Dior reposicionando o ofício dos ateliês e homenageando a história da casa.


Dior, verão 2026 alta-costura
Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images



A estreia de Jonathan Anderson na alta-costura da Dior fala sobre passado, presente e futuro. A busca quase obsessiva por referências históricas da marca, da mais remota à mais recente, já apareceu nas primeiras coleções femininas e masculinas do estilista à frente da casa, no inverno 2026 e no verão 2026Essa justaposição meio aleatória de épocas distintas pode até causar estranhamento à primeira vista, mas o resultado tem assinatura inconfundivelmente própria do estilista.

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Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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Tudo começou antes de seu debut feminino no verão 2026, em outubro do ano passado. Há alguns dias, o designer compartilhou em seu Instagram que convidou John Galliano ao escritório dias antes do começo daquele mês. Na ocasião, o estilista, que foi diretor criativo da maison de 1996 a 2011, levou um buquê de ciclames amarrados com fita preta e uma sacola do supermercado Tesco recheada de snacks para o time de alta-costura.

O presente foi simbólico – tanto pelas flores, que viraram o convite da apresentação de hoje, quanto pelo carinho de John com parte da equipe que o acompanhou por 15 anos. Os verdadeiros homenageados do desfile são eles. Alguns trabalham na maison desde os anos 1980. A valorização e a preservação do ofício dos ateliês se anunciavam já antes do primeiro look cruzar a passarela. No vídeo de abertura, depoimentos dos couturiers revelavam o trabalho minucioso que sustenta o savoir-faire da casa.

Dior, verão 2026 alta-costura

Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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Para Jonathan, no entanto, preservar os ateliês não significa repetir apenas o que já foi feito. Se limitar a looks de festa tradicionais não era suficiente. Por isso, ele amplia a oferta de produtos ao incorporar bolsas, joias e sapatos ao mix. Tecidos franceses do século 18 são revitalizados, bordados em bolsas e em saltos que remetem àqueles criados por Roger Vivier, sapateiro da Dior entre 1953 e 1963. Nos acessórios, meteoritos, pedras e fósseis encontrados em países como Etiópia, Brasil, Marrocos e Madagascar são usados em sua forma bruta para decorar pulseiras robustas.

Em outros momentos, as peças fogem do imaginário usual da couture: há blusas e vestidos de tricô, calças balão e regatas caneladas. Assim como sua antecessora, Maria Grazia Chiuri, Jonathan busca extrapolar o uso da alta-costura para além do excepcional e aproximá-la do cotidiano, mesmo que só na aparência. As homenagens à história da maison marcam todo o desfile, da concepção ao cenário. O teto do salão do Museu Rodin, em Paris, foi coberto pelas mesmas ciclames dadas por Galliano – uma referência direta à estreia de Raf Simons no inverno 2012. 

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Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

As flores, aliás, são um tema inerente à Dior. Christian Dior cresceu na Normandia, cercado por jardins, se inspirou nas rosas desde a primeira coleção da casa e carregava lírios-do-vale no bolso como amuleto. Para o fundador, elas simbolizavam feminilidade. Jonathan Anderson retoma essa influência botânica, mas a subverte. Orquídeas, lírios brancos e suculentas são transformados em adereços de ombro, brincos arredondados, franjas presas na cintura e bolsas compridas. 

As silhuetas esculturais vêm da obra da ceramista britânica Magdalene Odundo, conhecida por seu trabalho com vasos que emulam curvas femininas. Em alguns looks, os volumes ultrapassam bastante o desenho do corpo. Em outros, eles são mais contidos, concentrados na barriga ou no torso. A investigação de modelagens continua nas novas leituras da jaqueta Bar, agora reinterpretada como casacos longos ou blazers de construção mais solta, com lapelas torcidas. 

Dior, verão 2026 alta-costura

Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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Jonathan sabe que o trabalho dos ateliês de alta-costura não pode – e não deve – ser feito às pressas. As novas versões dos vestidos que abriram seu desfile de verão 2026 de prêt-à-porter partem de um redemoinho de tecido plissado, técnica impossível de ser desenvolvida em apenas um mês. Por isso, o designer revê o calendário e passa a reservar seis meses para a confecção de cada coleção couture. É uma mudança e tanto. 

No release enviado à imprensa, ele escreve: “quando você copia a natureza, você sempre aprende algo. Ela não oferece conclusões, apenas sistemas em movimento – evoluindo, se adaptando e resistindo”. O estilista aplica essa lógica à couture: sem tempo, evolução e valorização, o ofício não sobrevive. É uma forma especialmente bonita de inaugurar a nova era da alta-costura da Dior: projetando-a para o futuro e oferecendo novos caminhos, sem se limitar exclusivamente ao passado. 

Dior, verão 2026 alta-costura

Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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Dior, verão 2026 alta-costura. Foto: Getty Images

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