Conheça a casa no interior de Pernambuco vencedora de prêmio internacional
Assinada pelo escritório Studio Zé, do arquiteto Zé Vagner, a reforma nessa casa no interior de Pernambuco melhorou a circulação de ar e refrescou os ambientes.
De tanto ouvir as reclamações da mãe, o arquiteto pernambucano Zé Vagner assumiu a reforma do imóvel originalmente erguido nos anos 1980, em Feira Nova, cidade a cerca de 235 quilômetros do Recife. A casa no interior de Pernambuco de 165 m² tinha pouca circulação de vento e iluminação, além de um pé direito de 2,4 metros. “Tudo muito baixo, quente, escuro e, ao meio-dia, precisava ligar a luz”, conta.
LEIA TAMBÉM: GUIA DE SOBREVIVÊNCIA AO VERÃO: COMO DEIXAR A CASA FRESCA E CONFORTÁVEL NOS DIAS DE CALOR EXTREMO

Foto: Helder Santana / @hd.santana

Foto: Helder Santana / @hd.santana
A obra, iniciada na Quarta-Feira de Cinzas de 2025, como ele relata, buscou solucionar esses problemas nas áreas sociais e na fachada, e recentemente venceu a premiação internacional ArchDaily Building of the Year 2026, na categoria Casas.
“Eu segui uma premissa muito básica da arquitetura, que é resolver o problema de alguém. Acredito que a arquitetura não parte do princípio da estética, como as pessoas pensam, que o arquiteto é quem embeleza o lugar. Não, o arquiteto resolve o problema do lugar”, diz. “Se está quente, se venta muito, a gente pega os espaços que atrapalham a vida de alguém e transforma em espaços que ajudam a vida daquela pessoa fluir.”
Foto: Helder Santana / @hd.santana
Foto: Helder Santana / @hd.santana


O projeto criou aberturas na sala de estar, para melhorar a saída de ar, e instalou cobogós. Por fora, também inseriu brises de concreto para proteção. Na fachada, criou um tipo de trama de tijolos, para manter a permeabilidade, e ainda modelou assentos em áreas de descanso. “Eu me utilizei desses artifícios de luz e ventilação para transformar (a casa) em um ambiente salubre”, disse. “Isso é ser eficiente energeticamente também.”
LEIA TAMBÉM: ARTISTA PARANAENSE VIVI ROSA FICA ENTRE FINALISTAS DO CRAFT PRIZE DA LOEWE

Foto: Helder Santana / @hd.santana

Foto: Helder Santana / @hd.santana
Vagner avalia que a reforma da casa colaborou na saúde da sua mãe. “Esse cadeirão de coisas, da gente ser premiado, é uma voz dizendo que a arquitetura não é somente o que se tem de tendência. A arquitetura é o que resolve também a vida da pessoa, daquela que precisa”, disse.

Foto: Helder Santana / @hd.santana

Foto: Helder Santana / @hd.santana
E, como o projeto foi feito especificamente para a sua mãe, ele teve que acatar algumas decisões da “cliente”. A matriarca escolheu, para a sala de estar, o piso de porcelanato polido – modelo que tende a ser mais escorregadio. “Isso aí foi a minha mãe aprontando, porque eu acho muito perigoso para idoso”, diz. “Ela não vai ficar mais nova do que ela está, vai ficar mais idosa, mais debilitada. E acessibilidade é importante.”
“Eu acho que para a arquitetura ser boa ela precisa atender a demanda de uma pessoa, que é única no mundo, que tem uma rotina diferente, um gosto estético, uma necessidade específica”, conclui.

Foto: Divulgação.
Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.



