17 destinos de inverno para curtir o frio no Brasil
Do sul do país à Bahia, confira uma seleção de destinos de inverno que provam que dá para trocar as malas de praia por cachecol, vinho e lareira sem sair do mapa nacional.
Quem disse que é preciso sair do país para curtir o frio? Os destinos de inverno brasileiros vêm ganhando cada vez mais fãs, e o motivo vai muito além das baixas temperaturas. Enquanto cidades serranas atraem visitantes em busca de um friozinho, vinho e boa gastronomia, outras regiões do Brasil revelam seu melhor cenário justamente nesta época do ano, com clima seco, trilhas mais agradáveis e paisagens naturais de cair o queixo.
Os destinos de inverno também refletem uma mudança no comportamento dos viajantes, que têm priorizado experiências capazes de conectar cultura, natureza e sabores locais. De acordo com Marina Lourenço, fundadora da agência de viagens Viva Pauá Turismo, especializada em criar roteiros de viagem personalizados, esse movimento acompanha o fortalecimento do turismo doméstico e a busca por vivências mais autênticas.
Já a criadora de conteúdo e viajante Marina Guaragna observa que o inverno convida a desacelerar e aproveitar a viagem de outra forma, com hospedagens acolhedoras, refeições sem pressa e roteiros que valorizam o entorno.
A seguir, reunimos dicas para você se programar e 17 destinos para aproveitar o melhor da estação, do frio intenso das serras aos lugares em que o inverno é a época ideal para viajar.
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Como escolher um destino de inverno?
Antes de reservar a viagem, vale olhar além da previsão do tempo. Segundo Marina Lourenço, a infraestrutura faz toda a diferença para aproveitar o frio com conforto. Em cidades serranas, por exemplo, é importante verificar se a hospedagem oferece aquecimento, bom isolamento térmico e acesso facilitado em dias de neblina ou geada.
Outro ponto que merece atenção é o calendário de eventos. Muitas cidades concentram festivais gastronômicos, feiras de produtores locais e atrações culturais durante os meses mais frios, tornando a experiência ainda mais completa.
Marina Guaragna também recomenda pesquisar a estrutura da hospedagem antes de fechar a reserva. “Passar frio dentro do quarto ou do hotel estraga qualquer viagem. O frio é delicioso para aproveitar na rua, mas é fundamental ter a sensação de acolhimento quando se volta para um ambiente interno”, afirma. Para ela, lareira, calefação e bons sistemas de aquecimento fazem toda a diferença na experiência.
Quanto custa viajar para os principais destinos de inverno?
Os preços variam bastante conforme o destino e o período escolhido. De acordo com Marina Lourenço, cidades já consolidadas, como Gramado, Campos do Jordão e Monte Verde, costumam registrar diárias entre R$ 600 e R$ 1.500 para duas pessoas durante a alta temporada.
Já destinos menos conhecidos, como Cambará do Sul, Bom Jardim da Serra, Urupema e Gonçalves, oferecem hospedagens de qualidade por valores entre R$ 250 e R$ 700 a diária. Segundo a especialista, uma viagem de três dias para um casal pode custar entre R$ 2 mil e R$ 4,5 mil nesses destinos, enquanto nos polos mais tradicionais o investimento costuma ultrapassar R$ 5 mil, especialmente durante julho.
Como economizar na viagem
Quem quer aproveitar o inverno sem comprometer o orçamento pode recorrer a algumas estratégias simples. A principal delas, segundo as especialistas, é fugir da alta temporada. “Se puder, opte por viajar no final de junho ou em meados de agosto, quando as temperaturas continuam baixas, mas os preços de hotéis e serviços tendem a cair”, aconselha Marina Guaragna.
Reservar voos e hospedagens com antecedência também ajuda a encontrar tarifas melhores. Outra dica é comparar preços em diferentes plataformas de reserva, já que um mesmo hotel pode apresentar valores e condições de pagamento diferentes dependendo do site.
Marina Lourenço acrescenta que vale considerar cidades vizinhas aos destinos mais disputados. “Em vez de se hospedar em Gramado, por exemplo, é possível ficar em Bento Gonçalves, Caxias do Sul ou Nova Petrópolis e fazer passeios de bate e volta”, orienta. Priorizar atrações gratuitas, como trilhas, mirantes e centros históricos, e viajar durante a semana também são estratégias que ajudam a reduzir os custos da viagem.
Destinos de inverno
Serra Gaúcha

Gramado, na Serra Gaúcha. Foto: Pexels
Não é surpresa para ninguém que o Sul do país lidera a lista de destinos de inverno mais procurados. A região reúne cidades como Gramado, Canela, Garibaldi, Pinto Bandeira e Bento Gonçalves, que combinam baixas temperaturas, boa infraestrutura turística e uma agenda que gira em torno da gastronomia e do enoturismo.
Gramado e Canela atraem visitantes pelo clima serrano, pelas ruas arborizadas e pela variedade de restaurantes, cafeterias e chocolaterias. Para a criadora de conteúdo Marina Guaragna, que é natural de Porto Alegre, o destino continua sendo um dos mais completos para a estação. “O clima por lá é sempre gostoso e o inverno traz aquele frio clássico acompanhado do típico céu azul gaúcho”, afirma. Segundo ela, a gastronomia é um dos grandes atrativos da região, com vinhos locais, queijos, galeterias e o tradicional fondue, que faz parte do roteiro de muitos turistas.
Já para quem deseja explorar a cultura do vinho, vale incluir Bento Gonçalves no itinerário. A cidade, ao lado de Garibaldi e Pinto Bandeira, concentra algumas das vinícolas mais importantes do país e oferece experiências que vão de degustações harmonizadas a passeios pelos vinhedos. Segundo Marina Lourenço, a região se consolidou como um dos principais polos de enoturismo do Brasil, reunindo rótulos reconhecidos internacionalmente e uma programação que vai além das taças, com piqueniques, visitas guiadas e experiências gastronômicas ligadas à herança da imigração italiana.
Além da comida e do vinho, a Serra Gaúcha também reserva opções para quem gosta de natureza. Trilhas, parques e mirantes ajudam a equilibrar os dias entre passeios ao ar livre e momentos de descanso, fazendo da região uma escolha certeira para quem procura um dos mais tradicionais destinos de inverno do país.
Serra Catarinense

Urubici, na Serra Catarinense. Foto: Pexels
Se a Serra Gaúcha é a porta de entrada para muitos viajantes, a Serra Catarinense vem conquistando espaço entre quem procura temperaturas ainda mais baixas e um contato mais intenso com a natureza. Cidades como Urubici, São Joaquim, Urupema e Bom Jardim da Serra reúnem montanhas, mirantes, cânions e vinícolas que fazem da região um dos principais destinos de inverno do Brasil.
“São Joaquim é reconhecida pela produção de vinhos de altitude, um segmento que ganhou destaque pela qualidade dos rótulos nacionais”, conta Lourenço. Já Urubici concentra alguns dos cartões-postais mais conhecidos da região, como a Serra do Corvo Branco e o Morro da Igreja, onde costumam ser registradas algumas das menores temperaturas do país durante o inverno.
Para quem prefere fugir dos destinos mais movimentados, Urupema e Bom Jardim da Serra são boas alternativas. Segundo Marina Lourenço, ambas surpreendem pelo frio intenso e pelo cenário montanhoso, mas ainda recebem um fluxo menor de turistas do que cidades tradicionais como Gramado e Campos do Jordão. “Bom Jardim da Serra, por exemplo, abriga o famoso mirante da Serra do Rio do Rastro, um dos percursos mais cênicos do Sul do Brasil, enquanto Urupema frequentemente aparece entre os municípios mais frios do país”, aponta ela.
Além das baixas temperaturas, a região acompanha uma tendência apontada pelas especialistas: a busca por experiências mais intimistas. “Hospedagens em cabanas, chalés e acomodações integradas à natureza ganharam força nos últimos anos, assim como roteiros que valorizam produtores locais, gastronomia regional e vinícolas familiares”, conta Marina Guaragna.
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Cambará do Sul (RS)

Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul. Foto: Pexels
Para quem prefere trocar o movimento das cidades turísticas por cenários naturais, Cambará do Sul é uma das melhores escolhas no inverno. Localizado nos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, o município abriga alguns dos cânions mais impressionantes do Brasil, como o Fortaleza e o Itaimbezinho, que revelam paisagens ainda mais bonitas nas manhãs frias e de céu limpo.
Marina Lourenço explica que, apesar da fama entre praticantes de ecoturismo, Cambará do Sul ainda recebe um fluxo menor de visitantes do que destinos consolidados, como Gramado e Canela. Isso faz da cidade uma boa opção para quem busca uma experiência mais tranquila, sem abrir mão das baixas temperaturas. Além das trilhas e dos mirantes, a região conta com pousadas, cabanas e hotéis-fazenda integrados à natureza, perfil de hospedagem que vem ganhando cada vez mais espaço entre os viajantes.
Campos do Jordão (SP)

Campos do Jordão, em São Paulo. Foto: Getty Images
Voltando para a região Sudeste do país, Campos do Jordão, ou “Suíça brasileira”, segue entre os destinos de inverno mais procurados durante a estação. Localizada na Serra da Mantiqueira, a cidade combina arquitetura de inspiração europeia, temperaturas amenas e uma programação que se intensifica entre junho e julho, quando recebe visitantes de diferentes partes do país.
Um dos destaques da temporada é o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, considerado um dos maiores eventos de música clássica da América Latina e responsável por movimentar a agenda cultural da cidade. Além dos concertos, o destino reúne restaurantes de culinária variada, cervejarias artesanais, cafeterias e lojas especializadas em chocolates e produtos locais, tornando a gastronomia parte importante da experiência.
Segundo Marina Lourenço, a infraestrutura turística é um dos diferenciais de Campos do Jordão. A cidade oferece opções de hospedagem para diferentes perfis de viajantes, de hotéis de charme a pousadas mais intimistas, além de atrações que agradam tanto casais quanto famílias com crianças.
Monte Verde, Gonçalves e São Thomé das Letras (MG)

São Thomé das Letras, em Minas Gerais. Foto: Pexels
Na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, Monte Verde, Gonçalves e São Thomé das Letras conquistaram espaço entre os viajantes que procuram uma experiência mais tranquila durante o inverno. Cercadas por montanhas, as duas cidades combinam clima serrano, hospedagens aconchegantes e uma gastronomia que valoriza ingredientes e produtores locais.
“Monte Verde reúne pousadas com lareira, restaurantes de culinária mineira e trilhas para quem deseja alternar momentos de descanso com atividades ao ar livre”, destaca Marina Lourenço. Já Gonçalves desponta como uma alternativa menos movimentada, ideal para quem busca um ambiente mais intimista sem abrir mão da boa mesa e das paisagens naturais.
Além das baixas temperaturas, a região se sobressai pela produção artesanal de queijos, cafés especiais, azeites e outros produtos típicos de Minas Gerais, que aparecem tanto nos restaurantes quanto em pequenos produtores abertos à visitação. Essa valorização da cultura local acompanha uma tendência observada pela especialista: “cada vez mais, os viajantes procuram experiências que os aproximem da história e da gastronomia local”, diz Lourenço.
Para casais, o roteiro costuma incluir chalés em meio à natureza, jantares e passeios pelas montanhas. Mas as cidades também agradam quem viaja em busca de descanso, longe do movimento das grandes estâncias de inverno, mostrando que nem sempre é preciso escolher os destinos de inverno mais famosos para aproveitar a estação.
A fundadora da Viva Pauá Turismo destaca que esse é um exemplo de como uma boa viagem de inverno não está necessariamente ligada ao frio, mas ao momento ideal para conhecer determinado destino. “Nos últimos anos, esse tipo de roteiro tem atraído viajantes interessados em ecoturismo e experiências ao ar livre, reforçando a tendência de escolher a estação mais adequada para aproveitar cada região do país”, conta.
Pico da Bandeira (MG/ES)

Pico da Bandeira, na divisa de Minas Gerais e Espírito Santo. Foto: Getty Images
Para os viajantes que gostam de aventura, Marina Lourenço também sugere o Pico da Bandeira, um dos lugares onde o inverno brasileiro mostra a sua face mais gelada. Localizado no Parque Nacional do Caparaó, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, o destino costuma registrar temperaturas negativas durante a madrugada, atraindo montanhistas em busca de um dos nasceres do sol mais famosos do país.
A combinação entre frio intenso, céu limpo e altitude faz do inverno a melhor época para encarar a trilha até o cume. A caminhada começa ainda de madrugada para que os visitantes cheguem ao topo antes do amanhecer, quando é possível observar o sol surgir acima das nuvens. É um espetáculo que transformou o local em referência para quem busca experiências ao ar livre.
Embora exija preparo físico e planejamento, o roteiro recompensa com paisagens que contrastam com a imagem mais tradicional dos destinos de inverno brasileiros, mostrando que a estação também pode ser sinônimo de aventura.
Chapada Diamantina (BA)

Chapada Diamantina, na Bahia. Foto: Pexels
Já pensou em ir para o Nordeste durante o inverno? Nem todo destino de inverno precisa ter temperaturas baixíssimas. Em alguns lugares, a estação é justamente o período mais indicado para viajar por causa do clima seco e das condições mais favoráveis para atividades ao ar livre. É o caso da Chapada Diamantina, na Bahia.
“O inverno reúne temperaturas agradáveis e menor incidência de chuva, tornando trilhas, cachoeiras e travessias mais seguras e confortáveis”, explica Marina Lourenço. A combinação também favorece quem pretende explorar atrações como o Morro do Pai Inácio, a Cachoeira da Fumaça e o Poço Azul, sem enfrentar o calor intenso característico de outras épocas do ano.
Pantanal (MT e MS)
O Pantanal pode não ser o primeiro lugar que vem à mente quando o assunto é inverno, mas a estação marca o melhor período para explorar o bioma. “Durante a seca, o nível das águas diminui e a vegetação fica menos densa, facilitando as atividades ao ar livre e a observação da fauna”, afirma Lourenço.
A especialista conta que essa é a época ideal para avistar onças-pintadas, araras, capivaras e outras espécies que habitam a região. Além dos tradicionais safáris fotográficos, o clima favorece passeios de barco, caminhadas e expedições por áreas que, em outros períodos do ano, ficam alagadas. “O inverno brasileiro coincide com o período ideal para visitar diversos destinos de natureza”, explica.
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