Especialistas comentam erros para evitar ao fazer móveis planejados

Está pensando em encomendar móveis planejados para a sua casa? Confira dicas de arquitetas e designer para evitar problemas.


Especialistas comentam erros para evitar ao fazer móveis planejados
Projeto assinado pela arquiteta Natalia Coelho. Foto: Divulgação



Investir em móveis planejados costuma ser uma das etapas mais importantes de uma reforma. Afinal, eles ajudam a otimizar espaços, organizar a rotina e aproveitar melhor cada ambiente da casa. Mas, para que o resultado funcione no dia a dia, alguns cuidados precisam vir antes da estética. 

Excesso de armários, circulação apertada, ferragens de baixa qualidade e medidas incompatíveis com a rotina estão entre os erros mais comuns. Para evitar equívocos ao fazer móveis planejados, a designer de interiores Shirlei Proença e as arquitetas Natalia Coelho e Juliana Faria explicam o que é preciso observar antes de fechar um projeto de marcenaria. 

Exagerar na quantidade de armários pode pesar o ambiente

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Neste projeto, assinado pela arquiteta Rosangela Pena, a sala de estar conta com armários planejados na lateral, que facilitam o armazenamento. Foto: Sidney Doll

Para aproveitar cada centímetro da casa, muitos exageram na marcenaria. Armários, painéis, nichos, cabeceiras e bancadas em excesso podem deixar os ambientes visualmente carregados e até comprometer a circulação. “Fazer a casa inteira planejada faz com que você perca a chance de mesclar móveis com diferentes texturas, cores e formas”, aponta Shirlei Proença.

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Em apartamentos pequenos, esse cuidado é ainda mais importante. De acordo com Juliana Faria, existe uma tendência maior de ocupar  todos os espaços disponíveis com armários, mas isso pode causar efeito contrário do esperado. “A marcenaria precisa funcionar como aliada da circulação, e não como um obstáculo”.

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No projeto acima, a arquiteta Juliana Faria apostou em uma estante sob medida para acomodar itens decorativos. Foto: Monica Assam

Dessa forma, o recomendado é integrar diferentes funções em um único móvel, evitando o excesso de nichos, recortes e detalhes decorativos. Em vez de vários móveis pequenos espalhados pelo ambiente, soluções contínuas ajudam na organização e amplitude. 

Medidas erradas comprometem a funcionalidade

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Nesta cozinha, projetada pela designer de interiores Shirlei Proença, os móveis planejados não comprometem a dinâmica do dia a dia. Foto: Renato Navarro

Além da estética, as medidas precisam funcionar na prática. Profundidade de armários, altura de bancadas e espaço para abrir portas e gavetas estão entre os detalhes que fazem grande diferença no uso cotidiano. Na cozinha, por exemplo, armários rasos podem dificultar o armazenamento. “Eles devem ter pelo menos 40 centímetros de profundidade. Menos do que isso pode dificultar na hora de acomodar pratos maiores”, explica Shirlei. 

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Neste quarto, projetado pela arquiteta Daniela Funari, o closet sob medida distribui prateleiras, gavetas, cabideiros e sapateiras de forma eficiente. Foto: Julia Novoa

Nos guarda-roupas, a lógica é parecida. Armários com profundidade inferior a 65 centímetros podem amassar roupas penduradas, especialmente casacos e ternos. Já nos modelos com portas de correr, o cuidado deve ser ainda maior, já que os trilhos reduzem o espaço interno.

A arquiteta Natalia Coelho também chama atenção para as limitações das ferragens. Segundo ela, criar móveis fora das medidas recomendadas costuma gerar problemas frequentes de manutenção. “Portas de giro com mais de 60 cm de largura ou portas de correr muito leves podem causar problemas no uso diário e até sair do trilho”.

Outro detalhe frequentemente esquecido envolve armários altos com portas basculantes. Para Natalia, o recurso pode acabar se tornando pouco funcional. “Muitas vezes é necessário usar um banco para conseguir baixar a báscula”, comenta. Quando existe uma demanda estética para esse tipo de solução, ela sugere modelos automatizados.

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Economizar em ferragens e materiais pode reduzir a vida útil dos móveis planejados

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Nesta cozinha, assinada pelo Flat27 Arquitetura, os móveis planejados ocupam todo o espaço de forma inteligente e prática. Foto: Estúdio NY

Na hora de reduzir custos, muita gente concentra os cortes justamente em pontos que impactam diretamente a durabilidade dos móveis planejados.  “Dobradiças, corrediças e sistemas de abertura fazem toda diferença na vida útil do móvel”, afirma Shirlei. 

A diferença de orçamento entre empresas costuma estar justamente na qualidade dessas ferragens. Já em áreas molhadas, como cozinhas e banheiros, ela também recomenda atenção ao tipo de MDF utilizado. Nesses casos, o ideal é optar pelo material náutico, mais resistente à umidade. 

Além da estrutura, acabamentos e puxadores também merecem atenção. Superfícies muito brilhantes, materiais que riscam facilmente e puxadores difíceis de manusear podem se tornar um problema na rotina. A designer de interiores ainda alerta para o excesso de iluminação embutida na marcenaria. “É preferível  apostar em luminárias, arandelas e abajures em vez de muitos perfis de LED”, diz.

Pensar apenas no presente pode gerar arrependimentos

Outro ponto importante é considerar que a rotina da casa muda ao longo do tempo. Segundo Juliana Faria, muitos projetos são desenvolvidos apenas para atender às necessidades imediatas dos moradores, sem pensar em adaptações futuras. “A forma de usar os ambientes evolui, as necessidades da família mudam e os móveis precisam acompanhar essas transformações”, explica.

Ela cita o quarto infantil como um exemplo comum. Muitas vezes, o ambiente é pensado exclusivamente para um bebê e acaba exigindo uma reforma completa poucos anos depois. Para evitar esse tipo de situação, a arquiteta recomenda criar uma base mais atemporal e flexível, deixando mudanças mais pontuais para elementos fáceis de substituir.

Antes de aprovar o projeto de arquitetura e interiores, as especialistas também recomendam analisar cuidadosamente o modelo em 3D, observando não apenas a estética, mas questões como circulação, ergonomia, profundidade e proporções. “Muitas vezes o ambiente parece bonito no render, mas não funciona na prática”, reforça Shirlei.

Tendências em excesso podem deixar o projeto datado

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Assinada pela arquiteta Natalia Coelho, esta cozinha aposta em móveis planejados atemporais. Foto: Divulgação

Quando o assunto é acabamento, evite exageros. Padrões de madeira muito artificiais, excesso de texturas e misturas de materiais podem deixar o ambiente visualmente carregado e fazer com que o projeto pareça datado. “Projetos mais atemporais costumam apostar em bases neutras e inserir personalidade em elementos que podem ser trocados com mais facilidade”, explica Juliana. 

Projetos que reflitam o estilo de vida e a essência dos moradores, com linhas mais discretas, puxadores minimalistas, acabamentos equilibrados e menos interferências visuais ajudam a criar ambientes mais leves e funcionais. 

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