Luigi Bosca: 125 anos em sete rótulos
Para celebrar mais um marco na história da vinícola argentina, Alberto Arizu revisita a trajetória de sua família em sete rótulos emblemáticos.
CONTEÚDO APRESENTADO POR LUIGI BOSCA
Não é fácil explicar 125 anos de história em apenas um encontro. Mas Alberto Arizu (filho) encarou o desafio de resumir essa trajetória da melhor forma possível: apresentando vinhos emblemáticos da Luigi Bosca, que demonstram na prática a busca pela excelência que norteia essa vinícola desde o seu início.
Na segunda semana de março, o representante da quarta geração de vitivinicultores da vinícola argentina esteve no Brasil e conduziu uma degustação com sete rótulos para jornalistas e enófilos na Enoteca Decanter, no Jardim Paulista, em São Paulo.
Entre vinhos assinatura, como o Insignia Malbec, e adições mais recentes ao portfólio, como o Filos Chardonnay e o Leon Cabernet Sauvignon, a sequência de garrafas mostrou como a Luigi Bosca consegue unir tradição e inovação, de maneira a acompanhar as mudanças e demandas do mercado, sem perder sua essência e sempre com os olhos voltados para o amanhã. Não à toa, ela foi eleita a melhor vinícola do Novo Mundo pela revista estadunidense Wine Enthusiast. “Buscamos evoluir continuamente, apoiados sobretudo na técnica, no conhecimento e na experiência, mas sempre com o objetivo de criar vinhos de futuro, capazes de expressar toda a nossa arte”, diz Alberto.
Fundada em 1901, em Mendoza, a Luigi Bosca tem sua saga entrelaçada com a própria história da indústria vinícola na Argentina. Seu fundador, Leoncio Arizu, foi um dos primeiros a acreditar e a apostar no cultivo da Cabernet Sauvignon naquelas terras. Com estudos, observação da natureza e persistência, o produtor provou que a variedade francesa poderia não apenas se firmar no sul do continente americano, mas também originar vinhos elegantes, com expressão própria e alta capacidade de guarda.

Alberto Arizu pai e Alberto Arizu filho. Foto: Divulgação
Da mesma forma, o empenho da família Arizu foi crucial para o reconhecimento mundial do Malbec argentino e para a criação da Denominação de Origem Controlada de Luján de Cuyo, em 1989. Dois anos depois, em 1991, foi lançado o primeiro rótulo do país com a certificação, o Luigi Bosca Malbec D.O.C, que se tornou uma referência entre os varietais dessa uva.
Mas não são apenas os tintos que se destacam na produção da vinícola. O evento na Enoteca Decanter começou, justamente, com dois brancos. A seguir, saiba mais sobre os sete rótulos provados na degustação guiada por Alberto Arizu.
Luigi Bosca De Sangre – White Blend (2024)

Foto: Divulgação
Com quase 60% de Chardonnay, fermentado em barricas de carvalho, 25% de Semillon e 15% de Sauvignon Blanc, com fermentação em tanques de inox, esse branco tem acidez e frescor marcantes, ao mesmo tempo em que apresenta uma cremosidade, graças à passagem pela madeira. “É um vinho agradável em boca, elegante e suave. Tem um paladar bastante amanteigado, cremoso, mas sem perder as colunas de acidez que o sustentam, que, por sua vez, convidam a uma nova taça e o tornam muito suculento”, descreve Alberto.
Filos Chardonnay | Valle de Uco (2023)

Foto: Divulgação
No Guia Descorchados de 2025, o Filos Chardonnay atingiu a marca de nada menos do que 98 pontos. Com 100% de Chardonnay, esse rótulo tem a particularidade de ter a colheita feita em duas etapas, para obter um equilíbrio entre o frescor e a acidez das primeiras uvas colhidas e a maturação perfeita da segunda fase. “Este é um vinho que, de fato, representa um marco para a Luigi Bosca – uma mudança radical na forma de elaborar vinhos brancos, pela extrema ‘filosidade’ que apresenta. É nisso que se baseia seu nome, Filos: um vinho extremamente afiado, direto, vertical, bastante profundo, com uma nota levemente herbal, além de maçãs verdes, flores brancas e frutas brancas”, fala Alberto. Uma joia com produção limitada a 3.600 garrafas por ano.
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Luigi Bosca Insignia Malbec (2024)

Foto: Divulgação
Produzido há mais de 100 anos, este é o rótulo que ajudou a apresentar o Malbec argentino para o mundo, no início dos anos 1990. “Ele se tornou um verdadeiro emblema da Luigi Bosca, presente em praticamente todos os mercados onde a marca atua.” Dessa maneira, o objetivo maior do rótulo é manter sua consistência ao longo do tempo, para que o consumidor reconheça facilmente a marca e o estilo. Com bastante fruta, corpo médio, e taninos aveludados, é fresco e muito agradável de beber.
Luigi Bosca De Sangre Malbec D.O.C. (2023)

Foto: Divulgação
Feito 100% com uvas de três distritos de Luján de Cuyo (Vistalba, Agrelo e Las Compuertas), este foi o vinho que fez história na Argentina ao se tornar o primeiro rótulo certificado com uma Denominação de Origem, em 1991. Como lembra Alberto, o Malbec é uma das variedades que mais reflete as características do local onde é produzido. No caso de Luján de Cuyo, essas características se traduzem na forte presença de frutas vermelhas, na sedosidade e na elegância na taça. Envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho francês, é um vinho extremamente aromático, de taninos muito suaves na boca.
Los Nobles Vistalba Malbec (2021)

Foto: Divulgação
Proveniente do histórico vinhedo Los Nobles, em Vistalba, este vinho possui uma nota fresca e mentolada no retrogosto graças à co-fermentação com cerca de 6% de vinhas de Petit Verdot misturadas na mesma plantação. “Como o Petit Verdot geralmente entra um pouco mais verde em relação à maturação do Malbec, ele contribui com essa nota fresca de menta ou mentol, bastante característica desse vinho e que lhe confere um toque bastante único”, explica o produtor.
Leon Cabernet Sauvignon (2022)

Foto: Divulgação
Leoncio Arizu foi um dos precursores do cultivo da Cabernet Sauvignon na Argentina. Nada mais justo, portanto, que tivesse um vinho dessa cepa batizado em sua homenagem. A primeira safra, de 2022, destaca-se pela elegância, com a presença de taninos sempre amáveis. O vinho carrega ainda uma textura mineral característica dos solos calcários de Mendoza. “Para mim, esse vinho representa claramente nossa visão de futuro: vinhos com mais profundidade, precisão – sobretudo precisão –, que é o estilo que queremos afirmar nos próximos anos.”
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Paraiso (2021)

Foto: Divulgação
Idealizado por Alberto Arizu em parceria com Pablo Cúneo, enólogo chefe da Luigi Bosca, esse rótulo traz cerca de 70% de Malbec (de Vistalba, Altamira e Los Árboles) e 30% de Cabernet Sauvignon (de Gualtallary). Profundo e complexo na boca, tem taninos muito presentes, com elegância e sem asperezas, e um final longo e persistente. “Buscamos que cada taça seja uma verdadeira experiência, sem distorções – em que o nariz e o paladar estejam em harmonia. Equilíbrio, delicadeza e elegância são, para nós, uma assinatura”, finaliza Alberto.
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