Verão na Suíça: 9 motivos para você conhecer o país alpino

Dos banhos no Lago de Zurique às taças de vinho branco no cantão italiano, não faltam atrações nos meses ensolarados da Suíça.


verão na suíça
Barco cruza o Rio Limmat, em Zurique. Foto: Switzerland Tourism / Andre Meier



Mergulhos no lago, passeios de barco, almoços e jantares ao ar livre com vistas para a paisagem verdejante ao redor: que destino tão solar seria esse? Pode acreditar: a primavera e o verão na Suíça reservam atrações surpreendentes para os visitantes.

Com os Alpes dominando a paisagem a leste e ao sul, e as montanhas do Jura no noroeste, a Suíça é frequentemente lembrada como um destino de inverno, com seus picos nevados que fazem a alegria dos esquiadores. Mas, entre março e agosto, há todo um outro lado desse país a ser explorado com roupas levinhas e disposição para caminhar.

Na Europa Central, fazendo divisa com a França a oeste, a Alemanha ao norte, a Áustria e Liechtenstein a leste e a Itália ao sul, a Suíça inegavelmente tem uma forte influência de seus vizinhos. A começar pelas línguas oficiais, que são quatro: alemão, francês, italiano e romanche. Isso não quer dizer, nem de longe, que o país não tenha uma personalidade muito própria – na verdade, mais de uma. Com uma área de 41.285 km², a Suíça é dividida em 26 cantões (o equivalente aos nossos estados), cada um com seu encanto. 

Em comum, essas regiões compartilham uma qualidade de vida invejável (é duro, mas a palavra é essa mesmo: é de dar inveja) e o mais bem estabelecido sistema de democracia semidireta do mundo. Por meio de iniciativas populares e referendos, os cidadãos decidem ativamente os rumos do Estado. 

Um dos mais importantes referendos da história recente do país foi realizado em junho, quando os suíços rejeitaram a proposta de restringir a imigração para evitar que a marca de 10 milhões de habitantes seja ultrapassada até 2050. Atualmente, a população gira em torno de 9 milhões de pessoas, com 25% desse total formado por estrangeiros.

Na última primavera, a reportagem da ELLE foi conhecer Zurique, a maior cidade do país; Lugano, na Suíça italiana; Engelberg, tradicional destino de inverno, mas que tem atrações o ano inteiro; e Lucerna, que é todinha um cenário de cartão-postal. A seguir, você confere alguns dos motivos que fazem o verão na Suíça merecer entrar para o seu roteiro de viagens.

A praia de Zurique

A Suíça não tem saída para o mar. Em compensação, o país conta com mais de 1.500 lagos espalhados pelo seu território. Na primavera e no verão em Zurique, moradores e visitantes se esbaldam nos badis, como são chamadas as áreas de banho instaladas em diversos pontos da cidade. Jovens audaciosos pulam de pontes direto para as águas cristalinas, e os mais sossegados se espicham em decks flutuantes, curtindo o sol na pele.

reserveIMG 3828 1

Vista do restaurante La Muña para o Lago de Zurique. Foto: Patricia Oyama

Um dos badis mais animados fica bem em frente ao hotel La Réserve Eden au Lac Zurich. A histórica construção às margens do Lago de Zurique foi reformada recentemente, com um projeto de Philippe Starck, que se inspirou em um iate clube para redesenhar os quartos e áreas comuns, que ganharam uma elegância moderna e convidativa.

La Reserve Eden au

Fachada do La Réserve Eden au Lac Zurich. Foto: Divulgação

O hotel conta com um excelente restaurante detentor de uma estrela Michelin, comandado pelo chef Marco Ortolani, e oferece uma das melhores vistas da cidade: a dica é pegar uma mesa no La Muña, restaurante de cozinha nipo-peruana, que fica no rooftop do La Réserve, onde você pode conferir o fervo nas águas logo abaixo, enquanto curte um “apéro”, ou seja, toma bons drinks no fim do dia.

La Réserve Eden au Lac Zurich / La Muña: Utoquai, 45, Zurique.

O chocolate que conquistou o mundo

Foi o suíço Daniel Peter que teve a brilhante ideia de acrescentar leite à barra de chocolate. O leite em questão era em pó, uma invenção do alemão naturalizado suíço Henri Nestlé. E um terceiro suíço desenvolveu a conchagem, uma técnica de misturar o chocolate que garante a sua cremosidade. Ou seja, quando se trata de chocolate, os suíços sabem do que estão falando.

IMG 3902

Processo de conchagem na chocolateria Laflor. Foto: Patricia Oyama

O museu Lindt Home of Chocolate é um dos pontos turísticos mais visitados nos arredores de Zurique, mas há outros fabricantes que os chocólatras podem gostar de conhecer. Uma delas é a Laflor, fabricante de chocolates artesanais que leva a sério o compromisso com a sustentabilidade. Além de priorizar ingredientes orgânicos, a empresa recorre ao transporte marítimo da matéria-prima para amenizar a pegada de carbono. Uma das barras, inclusive, é produzida com cacau da Colômbia que viaja de navio a vela até a Suíça. A loja de fábrica da Laflor, onde são realizados workshops sobre chocolate, fica no SBB Werkstadt, um antigo complexo ferroviário que foi transformado num polo de empreendedores suíços de diferentes áreas.

Lindt Home of Chocolate: Schokoladenplatz 1, Kilchberg.
Laflor: SBB Werkstadt, Hohlstrasse, 418. Acesse o site para saber horários de funcionamento e workshops programados.

Leia também:
10 receitas muito fáceis com chocolate

Uma cozinha que respeita a natureza

Com sotaque alemão, francês ou italiano, a depender da região visitada, a gastronomia suíça se destaca, principalmente, pela qualidade dos seus ingredientes. O cuidado na produção passa também pelo bem-estar animal: o país tem uma das mais rígidas legislações de proteção aos animais do mundo. A sazonalidade é outro ponto importante para os cozinheiros – na primavera e no verão, prepare-se para se esbaldar com aspargos, frutas vermelhas, ruibarbo e outros ingredientes frescos. 

IMG 4088 copy

Vitela com molho cremoso e aspargos, do Drei Stuben. Foto: Patricia Oyama

Essa preocupação com a sustentabilidade e a origem dos produtos se reflete na excelência dos cardápios. A Suíça conta com 133 restaurantes com estrelas Michelin e os novos chefs estão cada vez mais focados nos produtos locais. Entre eles, está Corin Schmid, do simpático Drei Stuben, restaurante que prioriza ingredientes suíços e sazonais. Nesta temporada de aspargos, por exemplo, o menu incluiu uma versão do tradicional Zürcher Geschnetzeltes, fatias de vitela com molho cremoso de cogumelos. Servidas normalmente com batatas rösti, elas ganharam aspargos verdes como acompanhamento no menu de primavera.

Drei Stuben: Beckenhofstrasse, 5, Zurique.

Leia também:
As melhores receitas de fondue para fazer em casa

O incrível Kunsthaus Zürich

Da Idade Média aos destaques da arte contemporânea, o Kunsthaus Zürich abriga uma das coleções de arte mais importantes da Europa, incluindo o maior acervo de obras de Alberto Giacometti e uma seleção extraordinária de pintores impressionistas. Em 2021, o museu ganhou um novo edifício projetado pelo arquiteto britânico David Chipperfield, conectado à edificação histórica por uma passagem subterrânea de 70 metros.

IMG 4165

Tela de Francis Bacon e escultura de Alberto Giacometti, no Kunsthaus Zürich. Foto: Patricia Oyama

Além das coleções permanentes (e de longa duração), o maior museu de arte da Suíça também tem uma programação de exposições temporárias de tirar o chapéu. Não importa em que período do ano você vá, sempre haverá uma mostra imperdível a ser visitada.

Kunsthaus Zürich: Heimplatz, Zurique.

O Lago Lugano

Na divisa entre a Suíça e a Itália, o Lago Lugano, no cantão de Ticino, é lindo de ser ver – seja do alto do Monte San Salvatore (conhecido como o Pão de Açúcar da Suíça), seja a partir de Gandria, uma encantadora vila de pescadores aos pés do Monte Brè. É uma das grandes atrações da Suíça italiana, um ponto em que a paisagem alpina começa a se misturar com um mood mediterrâneo.

No topo do San Salvatore, você chega de funicular. Já para Gandria o transporte são barcos com partidas frequentes de diferentes pontos, integrados ao Swiss Travel Pass, o prático bilhete para visitantes estrangeiros válido para ônibus, trens e barcos.

Inaugurado recentemente, o Swiss Diamond Boutique Hotel, na comuna de Melide, tem como grande atrativo a localização à beira do Lago Lugano – um café da manhã olhando para as águas límpidas, emolduradas por montanhas, é uma bela maneira de começar o dia. Certifique-se apenas de reservar um quarto também com vista para o lago, bem mais atraente do que as sacadas voltadas para a linha férrea.

IMG 4488

Café da manhã com vista para o Lago Lugano no Swiss Diamond Boutique Hotel. Foto: Patricia Oyama

A poucos metros do hotel, vale visitar outra atração muito particular de Melide: a Swissminiatur, um parque fundado em 1959, que, como o nome diz, apresenta uma Suíça em miniatura.

IMG 4439

Swissminiatur: réplicas perfeitas de construções históricas. Foto: Patricia Oyama

Com 14.000 metros quadrados, o local reúne cerca de 130 modelos de edifícios históricos e outros marcos suíços reproduzidos em seus mínimos detalhes, em um meticuloso trabalho artesanal – a proposta é conhecer toda a Suíça em apenas uma hora!

Swiss Diamond Boutique Hotel: Via Cantonale, 1, Melide.
Swissminiatur: Via Cantonale, 13, Melide.

 

O vinho suíço

Há um bom motivo para você provar o vinho produzido na Suíça: você terá poucas chances de experimentar esses rótulos fora do país alpino. O caso é que a produção de vinho é consumida quase totalmente pelo mercado interno. De acordo com o departamento federal de agricultura da Suíça, apenas 1% das garrafas de vinho produzidas no país são exportadas.
Além dos vinhos Chasselas e Pinot Noir, as cepas mais cultivadas localmente, o país também se destaca pelo curioso Merlot branco. A uva é a mesma conhecida no resto do mundo, mas vinícolas suíças produzem rótulos em que as bagas são prensadas suavemente, para evitar a extração da cor.

Credit Tobias Tumac Photography Drohne5 1

Foto: Tobias Tumac A Tenuta Castello di Morcote.

Uma dessas vinícolas é a Tenuta Castello di Morcote, localizada no pitoresco vilarejo de Vico Morcote, próximo da cidade de Lugano. A propriedade também abriga o charmoso hotel Relais Castello di Morcote e o restaurante La Sorgente, onde você pode provar rótulos como o Castello di Morcote Bianco (85% de uvas Merlot e 15% de Chardonnay), com uma linda vista para o Lago Lugano.

Tenuta Castello di Morcote: Str. al Castel, 27, Vico Morcote.

 

O Monte Titlis

Em Engelberg, no cantão de Obwalden, o Monte Titlis proporciona uma experiência climática interessante: lá no topo, a mais de 3 mil metros de altura, o cenário é de frio e neve, com direito a um túnel escavado no gelo, mesmo durante o verão na Suíça. Em junho, esse ponto turístico ganhou uma nova atração: a Titlis Tower, um complexo que agrega um mirante, o restaurante Joseph’s e uma loja da Rolex.

TITLIS Tower Josephs Restaurant The View 1

Joseph's Restaurante, na Titlis Tower. Foto: Divulgação

Com 76 metros de altura, a torre foi projetada pelo escritório de arquitetura Herzog & de Meuron, que aproveitou a estrutura de uma antiga antena de TV dos anos 1980. Em dias de céu claro, a vista dos alpes é impressionante e se estende até a fronteira dos países vizinhos.

A cozinha do chef André Kneubühler, que comanda o Joseph’s, é uma ótima amostra da gastronomia suíça contemporânea, que privilegia ingredientes locais e sazonais. Ceviche de perca alpina, tartar de Wagyu suíço e pratos com vegetais da estação e queijos nacionais eram algumas das atrações do cardápio no dia da visita da reportagem.

Administrada pela Titlis Cableways, a torre é parte de um projeto que engloba a reestruturação e modernização do complexo da estação de esqui do Monte Titlis, reforçando o lugar como um destino turístico para o ano inteiro.

 

O charme da Belle Époque no Kempinski Palace Engelberg

Inaugurado no final do século 19 como uma luxuosa estação termal, o Kempinski Palace Engelberg é um marco local. A fachada e áreas como o Palace Bar e o Jardim de Inverno preservam todo o glamour da Belle Époque, enquanto os quartos esbanjam conforto contemporâneo.

IMG 4817 1

Palace Bar, no Kempinski Palace Engelberg. Foto: Patricia Oyama

Destaque ainda para o spa, emoldurado pelas montanhas alpinas, e o restaurante Cattani, em que o conceito farm to table (da fazenda à mesa) é seguido com primor pelo chef executivo Stefanos Ioannidis.

IMG 4813 1

Solarium no spa do hotel. Foto: Patricia Oyama

Kempinski Palace Engelberg: Dorfstrasse 40, Engelberg.

 

O Lago de Lucerna

A concorrência é acirrada, mas há quem diga que o Lago de Lucerna é o mais bonito da Suíça. Para comprovar se é verdade, nada melhor do que fazer um passeio de barco por lá. Além do cantão (e cidade) que lhe dá nome, esse lago margeia outros três cantões: Uri, Schwyz e Nidwalden. A Lake Lucerne Navigation Company (SGV) oferece diversas opções de passeios, desde trajetos de uma hora até viagens que combinam trajetos de trem e barco, além de experiências gastronômicas a bordo.

Motorschiff Titlis

Navio no Lago de Lucerna: várias opções de passeio. Foto: Divulgação

Em sintonia com as metas sustentáveis que norteiam o país, a companhia começou a adotar em alguns navios o combustível solar da Synhelion, um combustível sintético produzido usando energia renovável, especialmente calor concentrado do sol.

 Patricia Oyama viajou à Suíça a convite do Turismo da Suíça.

Leia também:
On no Brasil: marca esportiva suíça finalmente chega ao país

Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.