5 marcas brasileiras para ficar de olho

De São Paulo ao Sertão Central do Ceará, mapeamos cinco marcas brasileiras de moda que estão despontando na cena nacional. Descubra quem são.


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Look da Inttuí. Divulgação / @kevinoux



A moda nacional está em constante movimento, com novas marcas brasileiras entrando na cena. Em Salvador, por exemplo, está a Inttuí, do estilista Washington Carvalho, focada na alfaiataria e tecidos naturais.

 

No Sertão Central do Ceará há a Caiio, de Caio Nascimento e Ketie Oliveira, voltada para o street e a técnica de Moulage. Em Minas Gerais, destaque para as criações de metal da Kietzo, fundada por Kiara Lacerda. A seguir, te contamos um pouco mais sobre essas e outras marcas brasileiras para colocar no radar.

 

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Inttuí
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@kevinnoux

Com passagens pela Dendezeiro e Ateliê Mão de Mãe, Washington Carvalho fundou a Inttuí em 2020. “A marca nasceu num momento de reclusão, onde tive a necessidade de rever meus processos e entender quem sou e o que tenho a deixar no mundo”, explica o estilista.

As matérias primas naturais, como o algodão e o linho, arrematam peças de alfaiataria com modelagens oversized, mesclando camadas de tecidos e bordados feitos a mão, que remetem aos vestidos de festa criados pela sua mãe. “Me inspiro no que está ao meu redor, como o vento que ecoa e balança, o movimento das ondas, a cultura, a religiosidade e a ancestralidade”, completa ele.

 

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Instagram @inttui__


Atualmente, a Inttuí trabalha com uma coleção anual desdobrada em drops diferentes ao longo do ano. “Nossa produção é slow fashion, com produção sob demanda, onde o cliente escolhe entre nossas medidas padronizadas ou desenvolvemos de acordo as suas medidas e necessidades”.

Caiio

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Instagram @caiio.brasil


Entre Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, e Fortaleza, está a Caiio, comandada por Caio Nascimento e Ketie Oliveira. “Nunca sonhei em trabalhar com moda, esse era um sonho da minha mãe”, conta Nascimento. “Em 2011, eu a perdi para um câncer. Antes de ela nos deixar, prometi que realizaria seu sonho. Hoje amo moda e sinto que é uma parte dela em mim”. 

A marca foi oficialmente fundada em maio, também com o objetivo de gerar renda para as artesãs da região. “Acreditamos em uma moda que comunica o trabalho artesanal e a brasilidade para as novas gerações, de uma maneira contemporânea”, define Caio.

 

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Divulgação / @davideinsteinrabelo e @retrate_cesarrabelo


As inspirações surgem do cotidiano e do entorno da dupla. “Sou apaixonado por embalagens de enlatados antigas, enquanto Ketie se inspira em nossa vegetação e paisagens locais”, explica. “Buscamos unir nossos mundos para criar algo que represente o Brasil, o Nordeste, o Ceará e o Sertão.”

Neste primeiro drop, a dupla trabalhou exclusivamente com algodão e a técnica de moulage, para criar peças masculinas e de vibe street. “Por enquanto, queremos seguir de forma livre, criando de maneira sustentável e viável para todos”, diz Caio.

 

“Contamos com mão de obra artesanal, que requer tempo e paciência na execução, além de um processo rigoroso na costura, priorizando a qualidade de cada produto”, completa Kiki. Serão lançadas duas coleções ao ano, em tamanho reduzido, com no máximo 15 a 20 looks.

 

Kietzo

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Divulgação / @rodolfomagalhaes


Kiara Lacerda cresceu em Belo Oriente, no interior de Minas Gerais, e encontrou na moda uma maneira de se comunicar com o mundo. “Aprendi principalmente com a minha mãe, que também é costureira e sempre me ajudou a desenvolver minhas ideias malucas”, conta ela. “Também fiz cursos livres e atualmente estou terminando a faculdade de moda à distância”. 

Com o tempo, se especializou na criação e desenvolvimento de malhas metálicas e passou a fornecer peças para marcas como Caos e Morena Rosa. Durante a pandemia, decidiu abrir sua marca própria, a Kietzo. “Não podia sair de casa e, olhando ao redor com a mente inquieta, passei a ver beleza nos lacres de latas que meu pai juntava”, diz. “Aí surgiu o primeiro top de lata, depois uma saia, um vestido, e não parei mais”.

 

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Divulgação


Com uma pegada sustentável, a Kietzo prioriza materiais alternativos, como os lacres de lata, acrílico, argolas de níquel e bitucas de cigarro. “Acabo reciclando esses materiais ao transformá-los em roupas ou acessórios”.

Paco Rabbane está entre suas maiores inspirações, assim como memórias afetivas resgatadas da infância. “A marca sempre foi um grito que saiu de mim. Ela é muito pessoal e tem um ritmo próprio, pois não quero produzir algo datado, mas que seja atemporal”.

Undelete Project

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Instagram @undeleteproject


De olho na sustentabilidade, William Andrade desponta no upcycling com a sua marca Undelete Project. Natural de Santa Isabel, em São Paulo, ele herdou o gosto pela moda do pai, um artista plástico e designer de estampas. “Ele trabalhou muitos anos na Santaconstancia, então sempre convivi com essa produção, vendo muitos tecidos, isso me gerou interesse na área”. 

Após fazer cursos de especialização em moda na Sigbol, Senac e Senai, começou a desenvolver a Undelete despretensiosamente. “Já customizava minhas próprias roupas, então a partir de 2017 passei a pensar nisso como um negócio e a estruturar um plano”, conta ele. No ano seguinte, decidiu se especializar em upcycling.

 

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Instagram @undeleteproject


Os garimpos são feitos em cidades no interior de São Paulo e na capital; e geralmente focados na alfaiataria e no denim vintage, especialmente dos anos 1970 e 1980. “Gosto da ideia de desengessar o terno, seja por meio de estampas ou modelagens”, explica. “Como tenho uma estética voltada ao punk, o jeans me favorece muito, principalmente com modelagens oversized que consigo manipular para atender a todos os corpos”.

Atualmente a marca lança drops pontuais, de 50 a 80 peças, a cada dois meses. William também tem um acervo de produção e locação, faz encomendas e customizações sob medida; além de colaborar com outras marcas.

 

Sua próxima parceria será no SPFW, durante o desfile de Juliana Gevaerd. “Fui convidado para customizar uma peça ao vivo, no espaço de ativação do Pullman”. Também há uma colaboração com a D-aura durante a semana de moda paulistana, entre outros planos. “Pretendo abrir um ateliê em São Paulo, na primeira quinzena de 2024, lançar outras collabs e realizar um desfile”, antecipa.

 

Pjamas

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Instagram @pjmas.co


A paulistana Mariana Scavazzini criou a Pjamas a partir de uma necessidade particular. “Não encontrava marcas brasileiras de pijamas com tecidos naturais, cores neutras, boas modelagens e que não fossem infantilizados ou hiper sensuais”, afirma. Após um tempo roubando as camisas do pai, sentiu que era o momento de criar sua própria marca.

Enquanto Mariana se dedica a criação e branding, sua mãe se envolve na parte de produção, logística e administrativa. “Criei a Pjamas porque queria usar camisas com shape masculino e oversized dentro de casa, mas que tivessem boa qualidade”. O algodão, a seda e o linho são os materiais mais utilizados em peças que hoje vão além dos momentos de intimidade.

 

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Instagram @pjmas.co


As estampas são pontuais e entram para dar um toque de diversão aos looks, mas o protagonismo fica nas listras, xadrez, cores neutras e tons pastel. A Pjamas também não segue o calendário tradicional, preferindo lançar pequenos drops ao longo do ano. “Nossa prioridade é a qualidade dos produtos, por isso o processo de criação é mais lento”.

Entre as novidades que estão por vir, há um drop especial de Natal para o shopping Cidade Jardim e uma edição assinada pela irmã, a artista Paula Scavazzini, prevista para dezembro. “Tivemos um lote com pequenas manchas e, para diminuir desperdícios, abraçamos o upcycling com uma intervenção artística em peças únicas pintadas à mão”.

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