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A mais recente semana de moda masculina de Milão terminou na última terça-feira (19.01), meio sem ninguém perceber. Devido aos aumentos de infecções por COVID-19 e às novas medidas de restrição e isolamento, o evento, planejado para combinar apresentações presenciais com virtuais, aconteceu todo via internet – e num momento bastante conturbado no mundo todo. A mudança de planos fez muita marca (das poucas confirmadas) desistir de participar e as restantes tiveram de se adaptar de última hora.

Foi o caso da Fendi e da Etro. Ambas pretendiam fazer desfiles com convidados, porém, acabaram por filmar o vai e vem da passarela, sem plateia, para transmissão via redes sociais e sites próprios. Outras, como Tod's e Ermenegildo Zegna, decidiram focar 100% no digital. Criaram pequenas narrativas em vídeo para mostrar suas propostas para o inverno de 2021 de maneira mais contextualizada. Destaque mesmo, só a Prada, e mais pelo fator novidadeiro do que pela grandiosidade do espetáculo ou da coleção – no caso, a primeira masculina com codireção de Raf Simons.

Ainda assim, existem alguns temas que valem ser observados com mais atenção.


Roupa ficar, mas com cara de ir

Tod's.


Diferente da temporada passada, cujas roupas começaram a ser pensadas em um mundo pré-pandemia, esta já nasceu em meio ao caos. Foram desenhadas, pilotadas e produzidas entre quarentenas e momentos de relaxamento no distanciamento social. Mais ainda, foram criadas com base em demandas e desejos de consumo 100% impactados pela realidade atual.

O resultado são coleções que combinam a roupa de ficar em casa com a de trabalhar, dançar, se divertir ou fazer qualquer coisa fora de pijamas e moletons. Acontece que ainda não dá para sair, então fica tudo meio em cima do muro. Uma saída é apostar nos clássicos, como fez a Tod's. Outra é tentar misturar elementos desses dois mundos, como fez Silvia Venturi Fendi nas peças peças confortáveis, em tecidos aconchegantes, porém com shapes sofisticados, tipo camisaria e alfaiataria – o terno preto acetinado, meio pijama chic, é o melhor exemplo.

Desconstruir ou tornar a alfaiataria mais confortável e conectada aos nossos tempos é algo que Alessandro Sartori já se dedica há algum tempo, desde que assumiu a direção criativa da Ermenegildo Zegna. Nesta coleção, a abordagem fica ainda mais evidente pelo uso de tecidos como cashmere e pelas formas extremamente soltas e relaxadas não só dos ternos, mas de quase todos os ítens da coleção.

Memórias táteis

Fendi.


Quem aqui nunca precisou encostar em algo ou alguém para sentir de verdade, para entender, conhecer. Pois bem, o ato não é mais recomendável, daí que qualquer coisa que simule ou lembre essa sensação é muito bem-vinda. O inverno 2021 masculino da Prada é quase todo sobre isso, mas outras marcas também buscaram abordar a tatilidade por meio de tecidos como cashmeres, veludos e pelúcias. O tricô também ganha destaque aqui, principalmente em suéteres oversized, cardigans volumosos e casacos que parecem abraçar o corpo. Por enquanto, es lo que hay.

Pantone intenso

Prada.


Já faz um tempo que as cores vêm dando as caras nas passarelas. O verão 2021 foi repleto delas e, antes mesmo, já havia bastante gente investindo em produções 100% coloridas. Aí veio a pandemia e a teoria das cores nunca fez tanto sentido. Não são poucos os estudos que apontam como elas atuam em nossa mente, afetando humores e tudo mais. Natural, então, que nesta temporada combinações e tonalidades inusitadas sigam dando as caras, vide Prada, Fendi e MSGM.




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