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Fotos: Divulgação
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Antes de chegar à sala de desfile, os convidados da Chanel passavam por uma espécie de exposição com fotos e vídeos assinados pela dupla Inez & Vinoodh. Em uma das imagens, a modelo Vivienne Rohner encara um dos fotógrafos com uma câmera em mãos. É um gesto emblemático e que, de certa forma, está bem embrenhado no imaginário da cultura pop.

Dá para lembrar de registros clássicos de Richard Avedon, Helmut Lang ou Robert Mapplethorpe. Tem também os filmes Blow Up e Prêt-à-Porter. Este último, lançado em 1994 e dirigido por Robert Altman, traz imagens de desfiles não muito diferentes das vistas na manhã desta terça-feira, 05.10, na apresentação de verão 2022 da maison francesa.

É um cenário um tanto diferente do que estamos acostumados: uma passarela elevada, rodeada por fotógrafos, que não se limitam ao pit. Em cima delas, modelos caminham quase que desordenadamente, meio juntos, com direitos a pivôs no meio do caminho (de ida e de volta), além de poses cheias de atitude e bom humor – algo bastante raro nesta temporada.

"Amava o som dos flashes disparando nos desfiles dos anos 1980, quando as modelos andavam em passarelas elevadas. Queria recapturar essa emoção", diz a diretora de criação Virginie Viard, em comunicado à imprensa. Para quem estava com saudades de espetáculos na passarela não tem o que reclamar. Numa temporada algo apática, a encenação salta aos olhos.

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As roupas também lembram tempos que já foram e alguns dos momentos mais célebres de Lagerfeld no comando da Chanel. Os looks de underwear que abrem os desfiles, por exemplo, são referência à coleção de verão 1993, a primeira em que a etiqueta apresentou roupas debaixo. A moda praia gráfica, que marcou o verão 1994, também retorna, com direito até a recortes pélvicos. E sabe aqueles conjuntos de tweed compostos de short, top cropped e jaqueta? Reinterpretação do verão 1995.


A novidade vem no corte simplificado, nas adaptações e detalhes atuais. "Muitos maiôs em dourado e preto e branco, vestidos curtos de tweed rosa, saias em telas, jaquetas decoradas com crochê coloridos e conjuntos jeans", resume Viard.

Desde sua estreia à frente da Chanel, a estilista aposta numa moda mais pé no chão, direta e menos dependente de artifícios teatrais. Suas apresentações foram, aos poucos, eliminando os excessos, colocando o foco 100% nas roupas e numa proximidade maior entre elas e as consumidoras – sem grandes metáforas ou elucubrações estéticas. E nesse sentido, o verão 2022 é extremamente bem-sucedido.

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Porém, quando se fala em realidade, em proximidade com a cliente, não há espaço para reducionismo. Nesta temporada, os desfiles e coleções mais relevantes foram aqueles que abriram o campo de visão e mostraram representações mais abrangentes em suas passarelas – de corpos, idades e estilos até. A lembrança dos desfiles com supermodelos cheias de atitudes é de fato emocionante, porém, sem adequações e atualizações aos tempos de hoje é só memórias e nostalgia. Moda não precisa ser necessariamente sobre o futuro, sobre o novo, basta que entenda e reflita o presente.

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