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Moda

Estreante na SPFW, Ateliê Mão de Mãe é nome para ficar de olho

Criada durante a pandemia, marca de Salvador é um prato cheio para os amantes de crochê e artesanato.

Fotos: @renato.reboucas | Direção de Arte: @paola_mari | Styling: @washcarvalhoo | Modelos: @noemiqueiross, @brunnaborgs_ e @adilsonsantt
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Vinicius Santanna, fundador da marca baiana Ateliê Mão de Mãe, sempre foi o provedor da família. Nascido em Salvador, começou a trabalhar aos 16 anos para ajudar as duas irmãs e a mãe Luciene, uma artesã que passou muitos anos sem que seu trabalho fosse valorizado. Entre outras coisas, suas principais criações eram colares, pulseiras, pinturas e crochês.


"Ela era obrigada a vender as peças por 20 ou 30 reais, pois ninguém pagava mais. Depois, os mesmos itens eram revendidos por 150", conta Vinicius. A convivência desde cedo com a arte lhe trouxe um olhar humanizado, além do gosto pela fotografia e pela moda. Porém profissão, para ele, sempre foi mais uma questão de sobrevivência do que realização de sonhos. "Vivia para trabalhar e não parava para pensar no que queria fazer de verdade. Gostava de moda e arte, mas não sabia onde poderia me encaixar, tanto que nunca estudei isso de fato."

Com a pandemia, a vida da família passou por uma reconstrução. "Estava trabalhando como vendedor em um shopping, mas fui afastado por causa das restrições de circulação". Em paralelo, Luciene também se viu em dificuldades, já que não tinha mais onde expor ou vender suas criações. "Nesse momento, comecei a perceber que o crochê estava em alta, especialmente os shorts, com muitas influenciadoras usando. Sugeri que ela produzisse essas peças para tentarmos vender e ter alguma renda durante aquele período."

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Luciene topou, mas se recusou a fazer cópias. Queria criar suas próprias composições de cores e adornar as roupas com búzios e miçangas, o que viria a ser um diferencial para as peças que Vinicius fotografava em amigas e postava nas redes sociais. Na mesma época, ele conheceu o multiartista paulistano Felipe Morozini. Veio dele a sugestão do nome da marca. "Achei boa a ideia, porque não havia um produto específico e, sim, diversas possibilidades de artesanato que ela poderia desenvolver."

Com o nome, criou-se um perfil no Instagram e as vendas começaram modestas até que Vinicius conheceu Patrik Fortuna, seu namorado e sócio. "Por muitos anos ele foi gestor comercial de diferentes grifes nacionais, como Dimy e Triton, então passou a me ajudar nessa área e a coisa foi fluindo", conta. Hoje Patrik também desenha algumas peças e coordena com o parceiro a direção criativa.

Com um pouco mais de estrutura, o negócio começou a crescer e teve seu momento de virada em janeiro de 2021, quando Fernanda Paes Leme foi à Salvador e conheceu a marca. "Ela se recusou a ganhar presentes, fez questão de comprar as roupas e postou algumas nos stories, causando um boom. De um dia para o outro ganhamos 1500 seguidores." A partir daí, outros stylists entraram em contato para vestirem suas clientes com looks da marca, entre elas Rafa Kalimann e Camilla de Lucas. Pouco depois, veio o convite para integrar o projeto Sankofa, em parceria com a São Paulo Fashion Week. "Em paralelo, continuei trabalhando arduamente nas redes sociais, fazendo contato com profissionais de moda, passando a entender melhor o mercado e esse amor foi crescendo dentro de mim, algo que não sabia que existia", fala Vinicius.

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A primeira coleção-cápsula foi lançada no começo do mês, com cinco looks inspirados nas cores e magias do céu de Salvador. A cidade baiana é uma das principais inspirações da Ateliê Mão de Mãe, assim como a ancestralidade e o candomblé, que também serve de referência para a estreia na semana de moda paulistana. "O candomblé é a nossa religião, então trouxemos algumas referências de Iansã e Obaluaiê de uma forma mais moderna", antecipa o designer.

Com mais duas crocheteiras no time, a Ateliê Mão de Mãe, agora, pretende desenvolver duas coleções por ano, de 15 looks cada, intercaladas por três cápsulas de até 10. E assim, o projeto criado para sobreviver durante a pandemia vai, aos poucos, se transformando em um coletivo de mulheres "que, como minha mãe, vivem através da arte. Queremos trazer isso cada vez mais para a marca", finaliza Vini.

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