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Lançada em meados de 2020, a Yebo é uma das estreantes da 49ª edição da Casa de Criadores. A marca é fruto do trabalho de mãe e filha, a empresária Eliane Dias e a atriz e estudante de artes cênicas Domenica Dias, 22, filha do artista Mano Brown e irmã de Kaire Jorge. Será a primeira vez que a etiqueta participa de uma semana de moda, e os preparativos foram grandes. O desfile se divide em três partes, duas performances e um filme fashion mixado com ficção. Brilhar é o verbo que conjuga as criações. ''Quero falar sobre brilhar, e brilhar como um direito do ser humano. Reuni 95% de pessoas pretas e jovens, LGBTQIA+, e a gente vai vestir branco e vamos brilhar'', diz Domenica, que além de liderar o estilo, participou do styling, roteiro e direção do desfile.

Momentos antes de sua estreia no evento, conversamos com a jovem criadora e o resultado você confere a seguir:


Como você foi parar na moda?

Fui puxada para moda pelas mãos da minha mãe. Ela disse: "essa missão é sua, você vai dar conta". Aceitei de cara, mas com bastante medo. Sempre fui fascinada por moda, mas de uma perspectiva pessoal. Não era de acompanhar as tendências, via mais como um entretenimento, então foi uma ferramenta de autodescoberta. Encaminho para Yebo o que eu mesma gostaria de vestir, busco seguir minha intuição, minhas vontades. Lógico, com pesquisa, acompanhando os movimentos do mundo.

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Você estuda artes cênicas, mas chegou a pensar em estudar moda na faculdade?

Pensava em estudar moda quando criança, mas depois que entrei para o teatro, eu adorei. Com o meu primeiro trabalho como atriz, ganhando um dinheiro significativo, investi na minha festa de 15 anos, consegui pagar uma parte e vi que poderia fazer isso (profissionalmente). Minha mãe também sempre quis que fizéssemos uma graduação. Decidi que queria ser atriz e fui fazer artes cênicas. Minha escolha teve esses degraus e alimentos, mas a moda sempre esteve presente de forma autônoma.

Você se enxerga na moda? Quais suas referências?

Vejo a moda como uma pluralidade. Me enxergo em parte dela. O Virgil (Abloh) é uma referência muito importante para mim. Fiquei bem abalada com sua morte. Quando me perguntavam qual era meu objetivo para a Yebo, olhava muito para o trabalho que ele fez, de colocar o streetwear e a estética das pessoas que fazem o streetwear num patamar alto, num lugar de luxo, respeito e excelência. Continua sendo meu mote, meu desejo, dentro das condições que temos no Brasil. Esse ainda é um trabalho que me orienta, que me norteia para pensar os próximos passos. Também admiro muito a Ivy Park (marca da artista Beyoncé), me inspira bastante esteticamente, pois une as linguagens para traduzi-las em peças e colocar para o mundo.

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Como você vê a moda brasileira? O que sente falta no cenário nacional?

A moda autoral precisa de mais visibilidade e apoio das grandes potências de comunicação e de investidores, para além de campanhas, de momentos específicos do ano. O que a Havaianas fez com o Isaac Silva é o que desejaria para outras marcas pequenas. É inspirador o movimento que o Isaac tem feito, poderia reverberar para mais marcas. Porque produzir é muito caro, para as marcas pequenas tudo é mais difícil, então sinto que falta investimento.

Como está sendo o processo de fazer parte da Yebo?

Não está sendo uma missão simples, são mais coisas do que eu imaginava, coisas que nem sabia fazer e nem sabia que daria conta. Fico numa posição de gerência, de finanças, planejamento, marketing, social media. Muitas coisas partem de mim. N ão faço nada sozinha, mas a gerência de tudo acaba ficando comigo. Tenho paciência para entender como fazer todas as funções de forma saudável, porque prezo pela saúde no trabalho.

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Como a marca foi recebida pelo público?

Vejo que as pessoas gostam da proposta, da forma que estamos construindo, mas sinto um pé atrás em relação ao preço das coisas. Muito pelo sentido de estar distante (fisicamente). Eu mesma quase não compro online, e a Yebo só funciona no e-commerce. Acho que isso é um processo de jogar junto com as pessoas, de mostrar que a peça vale a pena, que vai durar, não vai estragar rápido, não vai dar ruim no tecido na primeira lavagem, e dizer que você está investindo num trabalho independente de mulheres pretas. Esse movimento requer tempo, são muitas complexidades, o público que a gente se interessa nem sempre está disposto a pagar por uma peça. Às vezes têm esses empecilhos, mas acho que é um processo que leva tempo.

Como estão os preparativos para a Casa de Criadores? Animada?

Estou! No começo estava aflita, ia adicionando coisa, mirabolando e ganhando confiança no que estou fazendo. Por isso, está sendo importante ter pessoas em quem confio por perto. Se esse negócio não tivesse sido jogado no meu colo, eu não teria coragem de fazer. Estou muito feliz, realizada, orgulhosa do que construí e, independente do que possa acontecer amanhã, foi um processo bonito, enriquecedor. Foi uma escola. Me coloquei em risco para várias coisas.

A gente vai fazer uma performance, não é um desfile propriamente dito. E como em uma performance tudo pode acontecer, dá um frio na barriga, mas é isso que me alimenta na verdade. Decidi unir coisas que eu gosto, amo e faço. Teatro, cinema, moda, amigos, amigas, e é isso que me motiva.

Como foi o ingresso na Casa? Você já acompanhava o evento?

Foi um convite meio rápido. Para mim, foi uma novidade gigante, pensei "vou encarar essa aventura aí e o que quer que saia desse processo". Já acompanhava a Casa, mas nunca estive presencialmente com minha marca. Isso é muito simbólico. Não participei de muitos eventos de moda, a CdC é minha primeira oportunidade. Sempre foi um evento muito bonito, uma potência, representa uma moda que me representa.

O que podemos esperar dessa coleção de estreia da Yebo?

Vou apresentar poucos looks e dividi a apresentação em três partes. A gente produziu um híbrido de fashion filme com ficção e mais duas performances. É uma coleção institucional, produzida para esse evento. Ela parte de um desejo de contar algo. Não queria fazer o processo inverso, queria partir do significado e depois criar. Meu foco e meu motor para participação no evento é levar um discurso que eu queria falar em algum momento, lugar ou ocasião, e é importante fazer isso através da moda e das artes. Quero falar sobre brilhar, e brilhar como um direito do ser humano. Reuni 95% de pessoas pretas e jovens, LGBTQIA+, nessa passarela, e a gente vai vestir branco, e vamos brilhar. Eu trago um diálogo entre o streetwear e sportwear e pitadas da alfaiataria.

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