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A forma como as coleções de moda são apresentadas vem sendo questionada há tempos. O então calendário vigente, organizado há décadas em um contexto comportamental totalmente diferente, parece não fazer mais sentido para as demandas do hoje, ainda mais em um momento como o que estamos vivendo. E foi pensando nisso que, nos últimos anos, alguns experimentos chegaram a ser feitos. O formato See Now, Buy Now, por exemplo, foi aplicado prometendo acompanhar o desejo imediatista da sociedade atual, mas ele acabou não sendo adotado por todas as marcas — e tampouco supriu as necessidades de mudança.

Agora, diante da pandemia do coronavírus, a indústria se viu em uma berlinda. Encontrar novos formatos deixou de ser uma opção, mas uma demanda latente. Ao reavaliarem o calendário, marcas, como Gucci e Saint Laurent, decidiram desacelerar e diminuir o ritmo de desfiles. Outras, como a Chanel, se mantiveram estáticas, e defenderam o sistema tradicional por acreditarem que ele funciona para os seus negócios.

Algo que todas precisaram se adaptar, entretanto, foi às apresentações digitais. Nas temporadas Resort, Alta-Costura e Masculina, acompanhamos fashion films e lookbooks como os primeiros experimentos digitais das fashion weeks. Mas e como será a temporada verão 2021? Ela, que tradicionalmente marca o mês de setembro na moda, foi um dos grandes questionamentos do mercado com o início da pandemia. Afinal, o evento sempre desempenhou um papel essencial para as vendas e visibilidade das marcas apresentadas.

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A Camera Nazionale della Moda Italiana se adiantou frente às demais associações e noticiou as atualizações da semana de moda de Milão. A organização comunicou que ela acontecerá entre os dias 22 a 28 de setembro em um formato phygital. Seguindo este conceito, a fashion week contará, então, com 28 desfiles presenciais e 24 apresentações virtuais.

O calendário divulgado informa que, entre as marcas que optaram por formatos digitais, estão Missoni, Luisa Beccaria e DSquared2. Levando em consideração que elas tiveram mais tempo para se preparar e estão livres para apostar em qualquer tipo de conteúdo, talvez vejamos algo interessante. Já entre as que escolheram se apresentar em um desfile físico, podemos citar grandes grifes, como Prada (com a aguardada estreia de Raf Simons), Versace e Fendi. Essas terão que seguir uma série de protocolos, como a redução de convidados e a preferência por um local aberto, mas, mesmo assim, é possível que gerem controvérsias. Até o momento, algumas marcas que costumavam se apresentar na Milan Fashion Week, como Bottega Veneta e Moschino, não aparecem no calendário.

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O Council of Fashion Designers of America decidiu que a New York Fashion Week, que acontece de maneira reduzida entre os dias 14 e 16 de setembro, será em grande parte em um formato remoto, através de uma plataforma que ainda está sendo feita e se chamará Runway360. O governador de Nova York autorizou eventos físicos com algumas condições: para contar com público, os desfiles precisam ser externos com uma audiência de no máximo 50 pessoas — se forem internos, não podem contar com plateia. O line-up da NYFW foi divulgado no dia 27 de agosto e conta com alguns grandes nomes como Jason Wu, Tom Ford e Carolina Herrera, mas outros como Marc Jacobs, Prabal Gurung, Michael Kors, Tory Burch e Oscar de la Renta decidiram não participar.

Sobre as demais semanas de moda da temporada, ainda não há grandes detalhes. O British Fashion Council informou que a London Fashion Week acontecerá do dia 17 ao 22 de setembro, entre apresentações digitais e desfiles presenciais. Já, a semana de moda de Paris, ao que tudo indica, será inteiramente física entre os dias 28 de setembro ao dia 06 de outubro. Entretanto, a Fédération de la Haute Couture et de la Mode ainda não confirmou as informações sobre o funcionamento. O que se sabe, por enquanto, é que nomes importantes, como a Valentino, decidiram não participar do evento — a marca optou por fazer uma apresentação na Itália — e que há novidades no line-up: a semana de moda parisiense anunciou recentemente, dez novos nomes que vão estrear no fim de setembro, entre eles o de Gabirela Hearst.

Esta matéria foi atualizada no dia 3 de setembro de 2020.

Sem grandes emoções, desfiles digitais de alta-costura buscam refletir parte das emoções e sentimentos durante a pandemia.


A semana de moda de Paris e grandes marcas de luxo ensaiam uma retomada dos desfiles ainda neste ano.


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