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Começou nesta semana, o Gucci Fest, festival digital da marca italiana que une moda e cinema. Até o domingo (22.11), será exibido diariamente uma parte do filme Ouverture of Something That Never Ended (abertura de algo que nunca acabou, em tradução livre), produção da grife em parceria com o cineasta Gus Van Sart, como lançamento da nova coleção. É a primeira experimentação da etiqueta desde que Alessandro Michele anunciou, em maio, que deixaria de seguir o calendário oficial da moda e as suas respectivas fashion weeks.

Episódio 1


A primeira parte do filme, exibida no fim da tarde de segunda (16.11), acompanha a personagem principal, interpretada pela artista italiana Silvia Calderoni, em sua rotina matinal. Gravada em Roma, a produção conta, neste momento inicial, com Billie Eilish na trilha sonora e falas do escritor e filósofo Paul B. Preciado com questionamentos sobre gênero e sexualidade. O dia inaugural do festival também apresentou filmes de Collina Strada e Ahluwalia, jovens artistas escolhidos por Alessandro Michele, atual diretor criativo da Gucci, para integrarem a programação num quase apadrinhamento um tanto raro no mercado de moda.

Episódio 2


Chamado "At the Café", o segundo episódio continua acompanhando a rotina da protagonista mas, dessa vez, ao contrário de seguí-la pelos seus afazeres em casa, em um contexto próximo ao da quarentena, Silvia vai até um café bastante frequentado. Em sua chegada, percebe-se mulheres de diferentes idades usando o mesmo vestido e, ao entrar, ela se depara com pessoas dançando Bronski Beat com looks ultra sofisticados e um par de nudistas. A personagem encontra uma amiga, interpretada por Arlo Parks, cantora e poetisa britânica, e, cercadas por outras várias situações surreais, a dupla têm um diálogo um tanto quanto sinuoso com frases como "hoje de manhã comi uma flor com espinho" e "quero usar um maiô feito de açúcar".

Com uma saia midi de monogramas e uma camiseta de futebol americano, Silvia vai ao banheiro e, enquanto isso, Arlo, que veste um kaftan por cima de um moletom, sai para passear de carro por uma Roma ensolarada com os seus amigos, passando por ruínas icônicas da cidade. Quando a protagonista volta do banheiro, o café e todos os seus visitantes descolados foram substituídos por um teatro vazio. A história continua nos próximos episódios e, certamente, mais uma vez com a sua atmosfera alternativa que transforma o comum em estranho.

Episódio 3


Desde o primeiro dia do Gucci Fest, os comentários dos vídeos já estavam dominados pelos fãs de Harry Styles ansiosos para assistirem à aparição do cantor. Finalmente aconteceu. O terceiro episódio da série acompanha Silvia até o correio, onde ela se depara com uma enorme fila de pessoas vestindo looks maximalistas e tendo mais diálogos surreais, como "eu gostaria de mergulhar em uma piscina cheia de geleia". Lá, a protagonista escreve uma carta de amor e a envia usando um selo com a mesma estampa de um folheto que já havia recebido no primeiro episódio.

A participação de Harry acontece em paralelo, quando o artista conversa por um celular de flip com o historiador italiano Archille Bonito Oliva. Se a maioria das conversas tem um quê de estranheza, essa já é poética e fácil de acompanhar. "Vivemos em tempos tensos e cheios de conflitos, mas também de diferenças que conseguem coexistir, de diferenças alegres. A moda veste a humanidade. A arte desnuda. E a música é uma massagem para os músculos atrofiados da consciência coletiva", diz Archille. Harry complementa com suas ideias sobre criatividade: "É sobre encontrar o que você sempre quis ver ou ouvir e que nunca foi feito. Você não sabe se ama ou odeia, porque ainda não sabe exatamente o que é, mas é o lugar mais emocionante para se trabalhar".

Harry, que gravou a cena no jardim de sua casa, aparece sem os seus conjuntos vibrantes de alfaiataria da Gucci que já estamos acostumados. Dessa vez, o cantor veste um short jeans e uma camiseta rosa com o ano de fundação da marca italiana na frente, 1921, e o número favorito de Alessandro Michele nas costas, 25. Silvia também usa um short jeans, mas já ela combina com uma camisa quadriculada e com o sapato Horsebit, que ganhou destaque neste episódio.

Episódio 4


E se o filme da marca italiana já falou sobre moda, música, arte e poesia, chegou a vez da dança. Na quarta parte, Silvia se encontra com o ator e dramaturgo Jeremy O. Harris, com quem faz um dueto lúdico do clássico Bolero de Ravel e, então pronta, a protagonista segue para um teste de dança com os bailarinos da companhia Sasha Waltz And Guests. Dessa vez, sem tantos diálogos, o episódio transmite como os movimentos corporais podem falar por si só e, entre alguns looks de coleções passadas, a Gucci ainda destaca a sua nova abordagem sem estações, chamando atenção para a atemporalidade e mostrando como o antigo e o novo podem se encontrar em diferentes tempos.

Episódio 5


Depois de Harry Styles, chegou a vez de Billie Eilish fazer a sua participação especial no Gucci Fest. Apesar de algumas de suas músicas já terem embalado a trilha sonora de outros episódios, foi só no quinto em que a cantora finalmente apareceu. O capítulo começa com um monólogo, fazendo mais um ode à natureza e elevando ao sublime aquilo que, na correria do cotidiano, passa batido. "O pássaro no seu telhado, cantando, dançando, circulando. Me diga que ele será infinito. Outro mundo. Outro mundo. Deve haver outro mundo, onde os seus olhos são os meus", diz Silvia.

O filme retorna agora ao começo de tudo: o apartamento de Silvia. Mas, em vez de mostrá-la na sua rotina matinal, o episódio a acompanha assistindo, de sua janela, aos seus vizinhos em suas próprias rotinas. Os momentos íntimos descobertos vão desde uma pintora, interpretada pela artista Ariana Papademetropoulos, limpando atentamente os seus cílios postiços, até uma senhora varrendo a sua varanda, vestindo um conjunto de alfaiataria e reclamando do barulho feito por uma banda em uma casa próxima.

E, como em um filme dentro de um filme, é exibido na TV de um outro alguém um clipe de Billie cantando o seu novo single, Therefore I Am. Em uma estética de VHS, a artista explora o subúrbio de Los Angeles com os seus cães robôs e, assim como Harry, vestindo uma camiseta com o número favorito de Alessandro Michele, 25. O episódio, que começa com Silvia abrindo a janela, termina com ela fechando e, mais uma vez, temos uma reversão de perspectivas com a protagonista no centro do palco.

Episódio 6


Já se aproximando do fim, o sexto episódio do Ouverture of Something That Never Ended acompanha Silvia em uma passeio pelas ruas de Roma. Dessa vez, ela se depara com uma loja com o letreiro neon da Gucci e, depois de longos minutos encarando a vitrine e observando a manequim, ela resolve entrar. Enquanto a protagonista e outros personagens, experimentam as peças, todas, claro, da marca italiana, uma mulher, em um clima de mistério, entra na loja.

A personagem em questão é interpretada pela Florence Welch, mais uma convidada especial da produção e que também já tem um longo histórico de parcerias com a etiqueta. A cantora tira um caderno e uma caneta de sua bolsa e começa a escrever inúmeras frases, algumas inspiradoras, como "amanhã pode ser diferente", e outras surrealistas, como "tem mel pelas ruas". Florence coloca os papéis nas bolsas e bolsos de cada um presente, e o episódio termina com os personagens os encontrando, o que certamente trará mais histórias para o último capítulo.

Episódio 7


O episódio final do Gucci Fest começa com Silvia, vestida com um terno camelo, pelas ruas de Roma e tocando o interfone de um apartamento. O personagem que atende, interpretado pelo cantor e ator chinês Lu Han, escuta um poema declamado pela protagonista enquanto passa ferro em um vestido e o encurta com uma tesoura – mais uma cena cotidiana elevada ao surreal. "Rosa. Cidade rosa, noite rosa. Talvez as coisas não melhorem, mas rosa. Eu te amo, rosa. Te quero, rosa", diz Silvia que, de lá, sai para andar de scooter e passa por inúmeros pontos turísticos da cidade.

O passeio é interrompido quando ela se depara com o misterioso folheto, que apareceu ao longo de vários episódios e, finalmente, é descoberto. "Em uma maneira de falar, eu apenas quero dizer que eu nunca poderia esquecer o caminho. Você me contou tudo não dizendo nada", é o que está escrito no papel, fazendo referência a música In a Manner of Speaking, do Tuxedomoon. A série termina com a câmera se afastando e revelando Silvia no centro do palco do teatro vazio, o mesmo que ela encontrou ao voltar para o café após uma ida ao banheiro, no segundo episódio. E assim são desvendadas as múltiplas naturezas subjacentes da própria realidade da personagem que, não muito longe, se aproximam das nossas.

Um novo momento para Gucci

O evento digital marca um novo momento para a etiqueta. Segundo Marco Bizzarri, CEO da Gucci, apesar de essa ter sido uma experimentação que os animou, não será necessariamente um formato definitivo. "Para o futuro, veremos. Depende de como Alessandro vai se sentir. Ele irá decidir o que será melhor", contou em entrevista ao WWD.

Essa mudança na Gucci já estava sendo planejada antes mesmo da pandemia: "A moda está vivendo como Charles Chaplin em Tempos Modernos e isso não é mais sustentável. Queremos que Alessandro possa alimentar a sua criatividade e pensar diferente. A Covid-19 apenas acelerou nossa reflexão", disse Bizzarri. A crise decorrente da atual situação mundial, entretanto, não parece ter impacto grandemente a casa italiana. Sua margem de lucro se mostrou resiliente e, segundo o executivo, não houve um atraso dramático nas fabricações e entregas da marca.

Apesar disso, a Gucci anunciou uma série de mudanças em sua operação, entre elas, a redução da distribuição de atacado para que possa existir um melhor controle sobre imagem e produtos, a adoção de novas tecnologias para otimizar a experiência digital dos consumidores, a expansão das linhas de maquiagem e lifestyle e um maior foco em seus esforços pela sustentabilidade. "Escolhas ousadas devem ser feitas em tempos difíceis, observando oportunidades em crises e sem pensar em termos de trimestre, mas sim de anos, construindo um modelo de negócios de longo prazo", conclui Marco.




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