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A última vez que a gente viu um desfile de Marc Jacobs foi na temporada de inverno 2020. Ele era todo sobre as imagens e lembrança delas que compõem o imaginário estético de Nova York e do estilista: a patricinha do Upper East Side, a fashionista do Downtown, as senhoras e ladies who lunch, a indie do Lower East Side, a clubber do Brooklyn, as bichas e travestis do Meatpacking District e do Chelsea e por aí vai.

A sala de desfile era composta apenas por mesinhas e cadeiras, como um café. A iluminação pontual e precisa revela, de repente, uma bailarina que se contorce toda e logo segue em passos firmes. Era a coreógrafa Karole Armitage, contatada horas antes da apresentação para conceber e dirigir aquela performance. Uma combinação de catwalk com dança ante e entre os convidados tão caótica quanto rigorosa, eufórica e melancólica ao mesmo tempo. Bem como a gente se sente quando ouvimos aquela música que nos fazia rodopiar na pista.

Ainda não tinha pandemia e ninguém sabia que, meses depois, tudo que a gente mais gostaria era de um pouco daquela bagunça toda. Durante quase 16 meses, Marc decidiu não apresentar nada de novo. Ok, rolou o lançamento da Heaven, uma espécie de segunda marca, mas foi isso. Não teve evento, desfile virtual nem nada do tipo. Agora, com mais de 70% da população de Nova York vacinada, ele sentiu que o movimento fazia sentido e era hora às passarelas com a coleção de inverno 2021. Só não foi como muita gente esperava – ainda assim foi lindo.

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Às 20h em ponto do dia 28.05, o perfil do estilista começa uma transmissão ao vivo. A imagem é de um corredor, câmera vertical, as modelos passando de um lado para o outro. Bem rapidamente. Visão só de perfil. Ok, as fotos vão mostrar mais, pensou este jornalista. Ledo engano. Os registros fotográficos foram feitos do mesmo ângulo. Estaticamente, porém, dá para ver mais detalhes, aproximar e observar as texturas felpudas, os bordados, jacquards e estampas. É possível também analisar melhor algumas construções silhuetas e sobreposições (tinham muitas). E aí já dá para perceber a grandiosidade da coisas toda.

ATUALIZAÇÃO: na manhã desta terça-feira, 29.06, a marca de Marc Jacobs divulgou um vídeo com melhor visualização das roupas. Veja abaixo:


Quem estava lá, presencialmente e vacinado, relatou um evento de moda como há tempos não se via. Diz que a energia e vibração era sensível no ar. Essas pessoas, que tiveram uma visão completa da coleção, em 360ª, disseram que a grande protagonista eram roupas. Não tinha nenhuma cenografia em especial, nenhum efeito pirotécnico, nenhuma distração digital nem nada do tipo. Só roupas, e umas das mais incríveis feitas sob a pandemia. Sonho e realidade na mesma medida, fantasia não alienante.

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Trata-se de uma celebração ao design e à construção. Uma ideia de alta-costura aplicada a peças e elementos conhecidos do nosso dia a dia, nesse um ano e tanto de pandemia. Os casacos matelassados, os tricôs, moletons, segundas-peles e até aquela mantinha que fazemos de pashmina nos dias mais frios, foram elevados com referências à couture dos anos 1960 de Balenciaga, Courrèges, Paco Rabanne, Halston e Givenchy.

Tem a ver com aquela ideia de que está todo mundo doido para sair, se jogar, mas não 100% preparado para desapegar do conforto e segurança do look de ficar em casa. Só que de um jeito muito incrível, pensado em cada detalhe, feito com muito esmero. Ao longo dos últimos 16 meses, aliás, falamos bastantes sempre esse movimento do protagonismo da roupa, do design, lembram?

E sobre a forma de apresentação, bom, eu não vejo a hora de poder fazer qualquer coisa que não dependa de nada digital. Quando isso for possível, reforçar e priorizar tudo o que for ao e a cores talvez seja uma urgência – e um alívio.

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