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Fotos Cortesia | Dior
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Que Maria Grazia Chiuri é chegada em contos de fadas todo mundo já sabe. Na época em que dividia o comando criativo da Valentino com Pierpaolo Piccioli, seus vestidos esvoaçantes eram frequentemente descritos como vindos de tais fábulas. Quando se tornou diretora de criação da Dior, em 2016, levou a paixão para a maison francesa (cujo fundador também sempre teve um gostinho pelo assunto). Não foram poucas as coleções inspiradas ou representadas em atmosfera fantasiosa, mágica ou esotérica. O verão 2021 de alta-costura, aliás, é todo sobre tarô.

O inverno 2021 de prêt-à-porter não é diferente. Quer dizer, é um pouco. Mas vamos por partes. A inspiração continua fantástica. Chiuri conta que uma de suas principais referências é a versão cinematográfica de Jean Cocteau (1946) de A Bela & A Fera, conto escrito por Madame de Villeneuve, em 1740. Porém, Chapéuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, Cinderella e outros personagens de Hans Christian Andersen também aparecem reinterpretados ao longo da coleção.


Vem daí os capuzes presentes em quase todas as jaquetas e casacos. Estes, aliás, trazem abotoamentos e formas inspiradas nas roupas militares do Soldadinho de Chumbo. Para as princesas sonhadoras por bailes ainda distantes, tem os vestidos de seda drapeados ou então as versões com degradê de cores em camadas ou cortado em forma de coração.

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Só que o mundo (e mais ainda o Brasil) ainda está mais para pesadelo do que sonho. Depois de algumas temporadas em mood 100% escapistas, parece que a realidade finalmente chegou à passarela da Dior. A coleção é quase toda desenvolvida em tons escuros de preto e azul-marinho e a alfaiataria se destaca como grande protagonista. Junto às jaquetas e capas esportivas, com matelassê no famoso padrão da Dior, parecem aprisionar as fantasias e sua delicadeza etérea. E para firmar bem os pés no chão, vamos de botas e sapatos pesados.

Destaque ainda para duas tendências importantes da temporada: a camisaria, sempre completamente abotoada, com bordados inglês e os tricôs vazados, reforçando o mood gótico-militar-estudantil do próximo inverno.

Para amarrar melhor o tema, Chiuri disse que decidiu falar sobre contos de fadas pois muitos deles abordam questões sobre autoimagem, representação versus realidade e a forma como ideais de beleza são construídos para o bem e para o mal. Diferente das últimas apresentações filmadas, esta foge de uma narrativa linear ou extremamente roteirizada. Ambientado em Versalhes, o vídeo conta com uma performance coreografada por Sharon Eyal, em que bailarinos percorrem os jardins e corredores do palácio até se depararem com espelhos gigantes cobertos por espinhos. Ante tais objetos, os dançarinos se contorcem numa espécie de relação de admiração e repulsa pelo o que se vê.

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No caso, a metáfora veio com o espelho, talvez devido ao tema fabuloso. Branca de Neve só comeu a maçã envenenada porque alguém não gostou do próprio reflexo. Obsessão, alienação e frustração semelhantes acontecem todos os dias quando nos vemos pelas câmeras de nossos telefones e computadores. Ainda mais em tempos pandêmicos, com contato e convívio reduzidos. Narciso se afogou na água, mas a tecnologia e o que dela se constrói podem ser igualmente sufocantes.




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