A trajetória de Pierpaolo Piccioli: da dupla com Maria Grazia Chiuri ao voo solo na Valentino

Em mais de três décadas de carreira, o designer italiano contribuiu para a criação de hits fashionistas, como a bolsa Baguette, da Fendi, e a linha Rockstud, da Valentino.


Pierpaolo Piccioli, da Valentino
Foto: Getty Images / Daniele Venturelli



O primeiro trabalho de relevância de Pierpaolo Piccioli foi desenvolvendo acessórios para a Fendi junto a Maria Grazia Chiuri. Em 1999, a dupla seguiu para a Valentino para projetar a primeira linha de acessórios da maison. Quase dez anos depois, os dois foram nomeados diretores criativos da casa de luxo italiana. Maria Grazia seguiu para a Dior, em 2016, deixando a Valentino sob o comando criativo exclusivo de Pierpaolo.

Acompanhe a sua trajetória a seguir:

A origem de Pierpaolo Piccioli

Nascido em 1967, na cidade de Nettuno, na Itália, o estilista Pierpaolo Piccioli quase seguiu outro caminho em sua vida. Na adolescência, sonhava em ser diretor de cinema, mas acabou ingressando no Instituto Europeu de Design, em Roma, para estudar moda. O encanto pelas fotografias de Deborah Turbeville e Irving Penn teve bastante influência na decisão. Ali, ele viu o poder narrativo desse universo.

Pierpaolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri na Fendi

Pierpaolo conheceu Maria Grazia Chiuri nos anos 1980, por meio de um amigo em comum. O primeiro trabalho juntos foi para a Fendi, no departamento de acessórios, iniciando, em 1989, uma parceria criativa que duraria quase três décadas.

A bolsa baguette da Fendi

Pierpaolo esteve envolvido na criação de bolsas icônicas da Fendi nos anos 1990, como a baguette Foto: Divulgação

Os dois apostavam na sofisticação e no estilo na contramão da tendência minimalista que dominou a década de 1990. Ambos participaram ativamente da criação de bolsas que se tornaram icônicas, como a Baguette.

O contato direto com o alto artesanato italiano fez com que o designer se apaixonasse de vez pela moda.

Pierpaolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri na Valentino

Em 1999, Pierpaolo e Maria Grazia foram juntos para a Valentino com o objetivo de desenvolver a primeira linha de acessórios da casa italiana. O desafio era traduzir em bolsas, sapatos e óculos a essência da maison, fundamentada em décadas de tradição com vestidos de alta costura.

Deu certo. Em 2003, a dupla se tornou responsável pela linha Red Valentino e, tempos depois, passaram a supervisionar toda a linha de acessórios da empresa. Até que, após a aposentadoria do Valentino Garavani, fundador do negócio, e um ano de mandato de Alessandra Facchinetti, os dois assumiram a direção criativa da etiqueta, em 2008.

Pierpaolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri na Valentino

Pierpaolo e Maria Grazia dividiram a direção criativa da Valentino por quase duas décadas Foto: Antonio de Moraes Barros Filho / Getty Images

Em entrevistas, Pierpaolo conta que, desde o início, a tarefa foi assimilar a essência de Valentino em suas criações, ao invés de reinterpretar peças de arquivo. Apesar de ainda ser uma favorita no tapete vermelho, a grife vivia um momento de recuperação de prestígio internacional.

A escolha de Pierpaolo e Maria Grazia foi certeira. Eles injetaram uma nova dose de energia criativa na marca, trazendo frescor e juventude ao estilo opulento e feminino que sempre a definiu. Também revitalizaram a linha masculina e expandiram a divisão de acessórios, tornando-a blockbuster sob a liderança da linha Rockstud, com as famosas tachinhas.

Em 2015, os dois receberam o Prêmio Internacional do CFDA Awards. No ano seguinte, Maria Grazia Chiuri foi nomeada diretora criativa da Dior, deixando Pierpaolo na direção artística da Valentino e encerrando 25 anos de parceria de sucesso.

Pierpaolo Piccioli solo na Valentino

A primeira coleção da Valentino assinada apenas por Pierpaolo foi apresentada no desfile de alta-costura de verão 2018. Seu trabalho solo agradou tanto que o estilista foi ovacionado – um entusiasmo que foi se repetindo a cada nova apresentação. Naquele ano, ele recebeu o título de designer do ano no The Fashion Awards 2018, premiação promovida pelo British Fashion Council.

Ele contou em entrevistas que a principal diferença de se trabalhar sozinho é não precisar justificar cada decisão para chegar a um consenso, tudo pode fluir de uma forma mais intuitiva. Como resultado, passou a entregar criações de tirar o fôlego, com um toque fantástico certeiro e uma beleza carregada de leveza e ousadia, sempre em desfiles majestosos.

Desfile da Valentino em Veneza

A Valentino abraçou Veneza em alta-costura no desfile de inverno 2021 Divulgação

Pierpaolo também emplacou hits nos tapetes vermelhos, com estrelas como Lady Gaga e Frances McDormand. No entanto, esse sucesso não era transportado para as lojas, já que os produtos disponíveis não refletiam os looks que acumulavam likes nas redes sociais. Em 2020, as vendas caíram em 27%, uma taxa um pouco acima da médica do mercado, que sofreu de uma forma geral com a chegada da pandemia.

Contudo, o verão prêt-à-porter 2022 da Valentino foi estrategicamente pensado para reverter essa situação. O desfile apresentou 96 looks que mesclavam itens mais sofisticados como produtos usuais, como um blusa de organza toda bordada à mão combinada a uma calça jeans larguinha.

Pierpaolo disse ao The Business of Fashion que está planejando reestruturação da Valentino. O plano é aplicar um pensamento de alta-costura na empresa como um todo, tratando tudo de maneira mais especial e exclusiva – o que provavelmente resultará em aumento de preços e encerramentos de algumas linhas e pontos de vendas focadas em peças menos caras.

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