Mulheres na estrada: 10 dicas para quem deseja viajar sozinha

Saiba como escapar de micos no caminho e aproveitar ao máximo sua viagem solo com os conselhos e descobertas de viajantes experientes.


guia para mulher que vai viajar sozinha
Arte: Barbara Marcantonio



Conhecer novos lugares, culturas e pessoas são alguns dos grandes prazeres proporcionados pelas viagens. Mas não é sempre que a gente vai encontrar companhia para encarar todas as aventuras possíveis. 

Ou, talvez, você prefira viajar sozinha – fazer a programação que quiser, ter a liberdade de mudar de ideia a hora que bem entender e conectar-se consigo mesma são experiências que valem a pena ser vividas.

Para diversas mulheres, no entanto, a viagem solo pode ser um sonho que vem acompanhado de um certo medo. Dúvidas sobre o destino, a hospedagem e, principalmente, a segurança costumam surgir. Mas não há nada que um bom planejamento e alguns cuidados não possam solucionar.

“Minha primeira viagem foi instigada muito pelas redes sociais e essa vontade de conhecer o mundo e de entender que eu sou capaz de fazer isso sozinha, apesar do medo, que é inerente”, conta a advogada Tiffany Sousa, de 23 anos.  Tiffany planejava encontrar a sua família em Buenos Aires, mas, antes, fez uma passagem solo pelo Uruguai.

“Desde criança eu desejava conhecer novas culturas e diferentes lugares. Quando passei a ter minha independência financeira, vi que poderia acessar aqueles locais. Em alguns casos, eu chamava as pessoas e ninguém estava disponível ou queria marcar para depois. Mas eu acompanhava muito conteúdo de mulheres que viajavam sozinhas e pensei: ‘Por que não?’”

Para inspirar você também a fazer sua viagem solo, convidamos as criadoras de conteúdo Iriane Veloso (@amarmarianomar), Sylvia Barreto (@viajaresimples), Tiffany Sousa (@vaitiffany) e Ariane Marques (@deusaari) para compartilhar as melhores dicas para mulheres que querem pôr o pé na estrada.

1. Explore sua cidade

Ao viajar desacompanhada você pode conhecer diferentes pessoas, mas a premissa é que você vai realizar grande parte das atividades sozinha. Por isso, começar a sair sem ninguém um período antes da viagem ajuda você a se habituar com essa configuração.

Você pode ir ao cinema, conhecer um restaurante novo, ir a exposições, ao parque ou até a festas, para entender como age nos lugares sozinha, o que a incomoda ou agrada. Construir uma boa relação com a própria companhia é fundamental para curtir o período solo.

“Se você não está acostumada a fazer coisas sozinha, recomendo começar pela sua própria cidade. Eu sempre fiz as coisas que tinha vontade, mesmo sem companhia, como ir ao cinema. Para você se acostumar com esse sentimento, é importante fazer algumas atividades dessa forma antes”, indica a jornalista e viajante Sylvia Barreto.

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2. Entenda qual é a sua praia (ou campo, ou cidade…)

No momento de planejar o roteiro e entender quanto tempo você deseja passar em cada lugar, é importante entender qual o seu estilo de viagem e o que é inegociável para você. Vale questionar se você prefere lugares mais conectados com a natureza ou cidades com diferentes programações.

Outro ponto é compreender as suas prioridades como viajante. Se você deseja economizar em hospedagem e conhecer novas pessoas, hostels podem ser uma boa opção.

Sylvia Barreto fez a primeira viagem sozinha aos 22 anos para o Chile e, desde então, a comunicadora experimentou diferentes estilos de viagem. “Nosso perfil de viajante muda ao longo dos anos. Hoje tenho 41 anos, então não economizo mais em algumas coisas. Antes eu economizava mais com comida, não me importava de comer fast-food ou em lugares mais baratos. Economizava também em hospedagem: ficava bastante em hostel e não me incomodava em dividir quarto. O que importava era a experiência que eu ia ter gastando o mínimo possível. Hoje em dia isso mudou um pouco, não quero mais dividir quarto, por exemplo.”

A baiana Iriane Veloso, 27 anos, afirma que gosta de um estilo de viagem em que abre espaço para o acaso, sem planejar cada passo, e de ter a possibilidade de mudar a rota quando necessário. “Sei que tem gente que gosta de organizar tudo meses antes, mas gosto de escolher o lugar e ir. Recentemente, fiz um mochilão pelo nordeste do país e, quando cheguei ao Piauí, não curti muito. Planejei ficar uma semana, mas fiquei três dias. Depois fui para outro lugar e foi acontecendo – e eu tive a liberdade de fazer essa escolha.” 

3. Comece com viagens curtas

A primeira aventura solo pode causar diversos anseios e, por isso, começar com viagens curtas pode ajudar a ganhar confiança. Uma ida à praia, a alguma cidade histórica ou um destino de turismo ecológico são algumas das opções. Por estar mais perto dos locais que você conhece e da sua rede de apoio, você pode se sentir mais segura para dar os primeiros passos. Outro ponto importante é reservar hospedagem perto de regiões centrais e movimentadas ou próxima dos locais que você deseja conhecer. 

A psicóloga Ariane Marques, 27 anos, viaja sozinha há cinco anos e está mochilando há três. Antes de desbravar o mundo, Ariane ressalta que se sentiu mais confortável em percorrer sozinha o seu estado de origem, o Espírito Santo. “Para minha segurança, comecei com passos pequenos. Na época pensei: ‘Tudo bem, qualquer coisa eu pego um ônibus e em duas horas estou em casa de novo’. Isso me deixou tranquila e pouco a pouco fui ganhando confiança para ir mais longe”.

Mesmo para viagens curtas, informar-se antes é fundamental. Ariane reforça a importância de consultar plataformas especializadas para comparar opiniões sobre a hospedagem e garantir a segurança. “Eu sempre reservo dentro de plataformas e não confio muito em anúncios em redes sociais. E sempre que chego a um lugar novo gosto de perguntar aos funcionários do hotel ou a pessoas locais como é o lugar, se é tranquilo andar sozinha e outras dicas da região.”

4. Procure relatos de outras viajantes

No momento de escolher o destino da sua viagem, além das informações de guias turísticos e reportagens, pesquise depoimentos de outras viajantes que já foram para aquele lugar. Nas redes sociais, é possível encontrar dicas de passeios e hospedagem, além de dados sobre a cultura local e o quanto aquele destino é recomendável para mulheres que viajam desacompanhadas. No mundo ideal, uma mulher deveria poder explorar sozinha qualquer canto que quisesse, mas é preciso ter precaução e colocar a segurança em primeiro lugar.

Sylvia Barreto fala que a passagem por diferentes culturas lhe ensinou a importância de pesquisar sobre os costumes dos destinos escolhidos. “Se você nunca viajou sozinha e quer se sentir mais confortável, procure destinos mais próximos da sua realidade, com uma língua que você domina melhor e com um transporte formal em que você sabe quais são os trechos e serviços que vai utilizar. Pesquise também o que outras mulheres acharam do lugar. Além disso, é importante pesquisar sobre a cultura local para entender e seguir as regras.” 

Tiffany ressalta que as redes sociais possibilitam uma visão detalhada das experiências das viajantes. “As redes sociais são mecanismos de pesquisa maiores que o Google, por exemplo. Além disso, você vê a experiência das pessoas que estiveram por lá, principalmente mulheres. E se basear em experiências de pessoas que já estiveram lá ajuda muito no planejamento.”

5. Faça um planejamento financeiro e tenha uma reserva de emergência

Viajar pode parecer fora da realidade ou muito caro para diversas pessoas, mas estabelecer prioridades no orçamento pode ajudar a transformar esse sonho em realidade, diz Ariane Marques. “Muitas vezes achamos que não temos como viajar, mas seguimos gastando em roupas novas, cosméticos ou festas. Não existe certo ou errado nisso, tudo é importante. A diferença está em alinhar os gastos com os nossos objetivos. Quando a viagem passa a ser prioridade, começamos a reorganizar escolhas e perceber que é possível, sim, tornar esse sonho real.”

Além da passagem e da hospedagem, a carioca Tiffany Sousa lembra que o planejamento precisa prever outros gastos, como o transporte e a alimentação no local, e também estabelecer como o pagamento será feito, se vai ser à vista ou parcelado o cartão de crédito.“É muito importante estipular um orçamento para aquilo que vem antes da viagem e o durante a viagem. Eu faço dois orçamentos, um para os custos iniciais e um para custos durante a viagem”, diz Tiffany, que costuma estipular gastos por dia, para facilitar na organização.

Outra dica importante é ter uma reserva de emergência. Iriane Veloso conta que esse cuidado foi útil para ela em diversas situações. “Nunca se sabe o que pode ocorrer. Às vezes acontecem imprevistos e eu fico mais tranquila justamente por conta da minha reserva.” Além disso, lembre-se de incluir nas despesas a contratação de um seguro viagem, principalmente para destinos internacionais. A conta de uma emergência hospitalar no exterior pode ser muito dolorosa.

6. Monte uma bagagem funcional

Evitar o excesso de bagagem vai facilitar muito seus deslocamentos. Opte por peças versáteis, que podem ser utilizadas de diferentes maneiras. Carregue sempre um cadeado para trancar as suas coisas, principalmente se você for se hospedar em hostels. Lembre-se de levar itens básicos de primeiro-socorros e remédios para dores gerais, como dor de cabeça e enjoo. 

Além disso, vale usar pochetes ou doleiras para guardar documentos, cartões e dinheiro. “Na doleira coloco RG, cartão de crédito e dinheiro e eu sempre estou de pochete, porque fica mais difícil da pessoa roubar. Vou até para o samba de pochete e ela está comigo sempre, fica mais prático”, diz Iriane, que costuma deixar os itens de valor sempre separados. “Eu tenho uma mochila grande, em que carrego a maioria das coisas, e uma mochila de ataque, que fica na frente. Nessa coloco notebook, carregador portátil, fone de ouvido e todas essas coisas que tem um pouco mais de valor”.

7. Compartilhe seu roteiro com pessoas de confiança

Pode ser um familiar, o cônjuge ou uma amiga – ou, melhor ainda, todas as opções. O importante é ter pessoas de confiança para compartilhar as informações do seu roteiro e se assegurar de que elas estarão te acompanhando durante o período da viagem. 

“Eu deixo sempre todo mundo avisado de onde estou. Quando chego a um lugar, mando mensagem não só para o meu marido, mas também para o grupo com minha mãe e minha tia, além de mandar mensagem para algumas amigas. Assim, todo mundo sabe mais ou menos onde estou, e o meu marido tem a minha localização pelo iPhone, por uma questão de segurança mesmo”, explica Sylvia. 

Por outro lado, Iriane ressalta a importância de não compartilhar muitos detalhes sobre você e sua viagem com pessoas desconhecidas. E, pelo bem da segurança, pode mentir que não é feio: “Se você está conversando com alguém no transporte, seja o coletivo ou de aplicativo, fale que vai encontrar uma amiga, sua família ou que seu namorado está esperando, mesmo que não exista um namorado. Nunca diga que você está sozinha”.

8. Conecte-se com outras viajantes solo

Viajar sozinha é também uma maneira de fazer novas amizades. E aí vale o bom senso: não dá para ir se abrindo logo com todo mundo nem desconfiar de todos a sua volta. No geral, evite falar que você está viajando sozinha e, se sentir algum tipo de movimentação estranha, se retire ou peça ajuda. Locais como hostels e passeios em grupo podem ser boas opções para conhecer novas pessoas, já que você encontrará outros viajantes solo com interesses em comum. Além disso, ao pesquisar sobre o destino, você pode entrar em contato com outros viajantes e tirar dúvidas sobre o local que você deseja visitar e, assim, começar novas conexões.  

Ariane relata que a vantagem de viajar sozinha é escolher quando deseja estar acompanhada ou não. “Aprendi a estar comigo mesma, me sentir mais independente, confiante e segura. É uma experiência que dá uma sensação de autonomia muito grande”, conta. “Além disso, viajar só me abriu para conhecer pessoas incríveis pelo caminho, porque quando você está sozinha, fica mais disponível para se conectar.”

Tiffany aconselha começar as aproximações de uma forma mais lenta. “Se você está num hostel ou num lugar que é realmente muito sociável, que tem viajantes solos, isso facilita a interação. No geral, é importante sempre ficar com um pé atrás, não falar muito da sua vida, não dar detalhes de onde você está hospedada e confiar na sua intuição se você sentir algo estranho.”

9. Atenção com bebidas alcoólicas

Sozinha e longe de casa: definitivamente essa não é a melhor hora para meter o pé na jaca. “Não use nada que vai alterar sua consciência. Se você tiver acostumada a tomar uma taça de vinho, por exemplo, tudo bem, mas evite beber muito”, aconselha Sylvia. “Eu gosto muito de beber, mas quando estou viajando sozinha evito beber além da conta. Quando você está com a consciência alterada – não precisa nem estar bêbada –, não percebe algumas coisas. E é importante se manter ligada”, ressalta Sylvia. Opte por bebidas lacradas e que você mesma abriu e não aceite bebidas, alcoólicas ou não, nem alimentos de estranhos ou recém-conhecidos.

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10. Aproveite sua liberdade 

A viagem solo é sobre liberdade. Esse é o momento em que você pode escolher seu destino, programação, horários, alimentação e se quer ou não permanecer sozinha durante esse período. Você consegue, enfim, se conectar com o seu desejo, seja ele acordar mais cedo para caminhar na praia ou passar o dia inteiro em museus. E essa autonomia é um grande aprendizado.

“Viajar sozinha me ensinou, antes de tudo, a confiar em mim. Quando você está só, precisa tomar decisões, resolver imprevistos e seguir em frente e isso dá uma força que nenhuma teoria ensina”, diz Ariane. “A viagem solo me mostrou que independência não significa estar sozinha o tempo todo, mas sim ter a liberdade de escolher: estar com outras pessoas quando quero, ou estar comigo mesma sem medo. Foi uma grande escola de autoconfiança, coragem e autoconhecimento.”

Iriane reforça que a viagem solo a fez compreender sua capacidade de resolver diferentes situações do dia a dia. “Ao viajar sozinha, você percebe que consegue fazer várias coisas por conta própria, e isso leva a uma expansão de consciência incrível. Estar sozinha me ensinou a ser independente e isso me levou a lugares que nunca imaginei alcançar. E todo mundo é capaz de viver isso. Principalmente nós, mulheres, que muitas vezes sentimos que precisamos estar acompanhadas por medo de sermos enganadas ou por questões de segurança, desacreditando da nossa própria capacidade de resolver as coisas. Ao viajar sozinha, você descobre que consegue fazer tudo.”

Descoberta, por sinal, é a palavra que resume muito dessa experiência. “Em um lugar novo, com pessoas novas, você acaba descobrindo uma versão de si que talvez não conhecesse antes. Aprendi a estar em constante autoconhecimento e a compreender meus valores, objetivos e propósitos. É um sentimento de se sentir suficiente e perceber que você pode fazer o que quiser. Se consigo pegar um avião para outro continente, posso fazer qualquer coisa. É sobre força interior e sobre reconhecer a própria capacidade”, resume Tiffany.

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